terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Facebook e conversão são coisas diferentes

Como o Facebook e o Twitter têm sido as ‘armas’ de todos os protestos do Egipto a Marrocos, passando pela Líbia, suspeito que corremos o risco de pensar que, afinal, afinal, ‘eles’, esses primos distantes do islão que olhamos com desconfiança, se renderam ao nosso modelo de democracia, à nossa maneira de ver a realidade.
Fica a sensação de que, tarda nada, vai aparecer o criador do Facebook a dizer que é ele o autor da ‘revolução’, ou um alto responsável dos EUA a explicar que tudo se deve a uma mensagem que Obama colocou no seu mural.
Ninguém tira o mérito e o poder a estes novos fenómenos de comunicação, que tornaram o mundo ainda mais pequeno, e que permitiram contornar o controlo dos media que, em muitos destes países, é total, mas é ingénuo julgar que com a tecnologia desejam importar tudo o resto. Eduardo Lourenço, um dos grandes pensadores nacionais, escreveu no Público de ontem um texto que vale a pena ler, porque ao recuar no tempo, na história e na filosofia, ajuda a entender o que nos entra pela televisão adentro.
E é ele que a certa altura diz: «No fundo, a nossa euforia e natural alegria com o Abril islâmico, vendo bem, é uma versão inconsciente da eterna vocação de querer ‘converter’ ou ilustrar os famosos infiéis. Como a do Islão a de nos impor à força a sua nova lei e de nos recusar.» Para acrescentar. «Não nos iludamos, o Islão não se converterá ao nosso modelo e é ilusão suma pensar que o está fazendo. Porque o faria? Porque perderia o que ele pensa ser a sua alma e em troca de quê?»
Mas a nota final é de esperança quando diz que é mais interessante supor que estes jovens revoltados, ‘herdeiros de um Islão glorioso e mais pluralista que depois se tornou’, estejam para lá desse fosso entre Ocidente e Oriente, e a entrar num novo mundo a que, defende, nós tínhamos, também, toda a vantagem em aspirar. Talvez haja, dos dois lados, a consciência de que o mundo tem de mudar.
Isabel Stilwell, Destak, 22-02-2011

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