sábado, 28 de dezembro de 2013

A desditosa imperatriz Leopoldina

Era muito bela e sofreu serenamente até à morte os maus tratos do violento D. Pedro I do Brasil IV de Portugal
Luís Almeida Martins

Pintura de Josef Kreutzinger (1757-1829)
Nasceu em Viena três anos antes de terminar o século XVIII e era filha do imperador austríaco Francisco I. Princesa da poderosa casa de Habsburgo, estava destinada a ser imperatriz do Brasil e, ainda que efemeramente, rainha de Portugal. Mas a jovem Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena, vulgo Leopoldina de Áustria, ignorava, ao celebrar aos 19 anos um contrato de casamento com D. Pedro, filho de D. João VI de Portugal, que seu futuro não iria ser risonho.
 
A corte portuguesa vivia então no Brasil e era, para todos os efeitos, a corte brasileira. Tinha trocado Lisboa pelo Rio de Janeiro em 1808, para escapar à abdicação face a Napoleão, que enviara um exército comandado por Junot para ocupar Portugal. Ao desembarcar na capital de facto do então Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, com os seus cabelos louros e olhos de um azul intenso, toda a gente a achou bela, menos o noivo. D. Pedro, que era um pinga-amor e parecia apreciar mais as criadas do paço e as prostitutas – fossem estas portuguesas, africanas, índias ou mestiças – do que aquela beleza nórdica de face cheia e serena, com lábios rosados e carnudos.

Protagonista de constantes aventuras galantes, D. Pedro feria com o seu comportamento a pobre austríaca, que em breve começou a desleixar a sua imagem e a refugiar-se na cachaça. Não se adaptava nem ao clima, nem à violência crescente do marido, nem aos escândalos que abalavam aquela corte tropical, e que, segundo consta, passavam por orgias homossexuais de que era protagonista D. João VI. E quando D. Pedro começou a relacionar-se com a divorciada paulista Domitila de Castro, que fez marquesa de Santos, a pobre entrou em depressão profunda.

Viria a morrer em finais de 1826, apenas com 29 anos, oficialmente em consequência do sétimo parto, mas segundo versões persistentes vitimada pelos maus tratos a que o marido a sujeitava, e que passavam por agressões violentas a soco e pontapé. Existe ainda a possibilidade de ter sido envenenada aos poucos pelo médico assistente, escolhido pelo imperador depois de ter mandado regressar à Áustria o clínico que viera no seu séquito.

Não admira que D. Pedro não tenha conseguido encontrar nas cortes europeias uma segunda esposa. Todas elas lhe fechavam as portas.

A popular escola carioca de samba Imperatriz Leopoldinense, fundada em 1959 numa dissidência da Império Serrano, homenageia a austríaca que foi a primeira mulher de D. Pedro.
Título e Texto: Luís Almeida Martins, in “365 DIAS com histórias da HISTÓRIA de PORTUGAL”, páginas 399/400.
Digitação: JP

2 comentários:

  1. Caro Jim,
    Acho mesmo que gostaria de saber desse Historiador Luís Almeida Martins qual foi a fonte que lhe permitiu dizer que a certa altura, D. Leopoldina "passou a relaxar em sua aparência e a refugiar-se na cachaça" ... desculpas ... é que eu leio tudo o que posso sobre a história do Brasil imperial ... inclusive li o livro "Cartas de Uma Imperatriz" onde são publicadas inúmeras cartas inéditas de D. Leopoldina onde se passa a entender muito do que se passava pelo visão pessoal da Imperatriz. Até onde eu saiba, D. Leopoldina jamais "refugiou-se na cachaça", isso é um disparate. Abraço, PFdeM

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    1. “Há divergências sobre a causa mortis da primeira imperatriz do Brasil. Para alguns autores, teria falecido em consequência de uma septicemia puerperal, enquanto o Imperador se encontrava no Rio Grande do Sul, aonde fora inspecionar as tropas durante a Guerra da Cisplatina.
      É no entanto muito difundida a versão de que D. Maria Leopoldina teria morrido em consequência das agressões desferidas contra si durante acesso de raiva de seu marido, o imperador, versão essa corroborada por historiadores como Gabriac, Carl Seidler, John Armitage e Isabel Lustosa.”
      Wikipédia

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