terça-feira, 21 de abril de 2015

Velhinhos e velhinhas... do Aerus... que tal uma historinha?

Valdemar Habitzreuter

Faz algum tempo que estamos meio ressabiados sem alguém que nos conte uma historinha de um final feliz. Quisera eu ser um contador de histórias para elevar o ânimo de todos. Parece que tudo que ouvimos se perde nas brumas da ilusão e do mal-entendido. Gostaríamos sempre de ouvir historinhas com desfecho feliz, principalmente que alguém contasse o final feliz da história de nosso Aerus...


Vou-me esforçar para contar uma historinha de ficção para o nosso entretenimento. É claro, também sem final feliz. Mas, talvez, sirva para lembrarmo-nos que ainda constituímos um grupo. Um grupo de velhinhos aposentados vivendo uma saga notável, digna para registro futuro na História brasileira.

Aí vai, então, minha historinha infantil; sim infantil, pois na velhice - dizem os gerontólogos - voltamos a ser crianças, mas crianças com sabedoria e altivez por ter chegado longe na estrada da vida. Se esta historinha já é do conhecimento de vocês, podem interromper a leitura, não quero ser enfadonho e induzi-los ao cansaço.

Era uma vez, um país muito distante, distante a um tempo infinito, sem situação e limites geográficos. Quem reinava neste país era a rainha Felicidade. Os súditos e a bicharada toda esbaldavam-se em alegrias e festas. Todos respiravam felicidade. Jardins enormes ornamentavam este país paradisíaco. Árvores frondosas proporcionavam sombras e frutos deliciosos. Nada faltava ao povo.

Mas havia um casalzinho que, de tão radiante de felicidade, se perguntava: será que não há algo melhor do que toda nossa felicidade? Nascia aí o embrião de uma suspeita. A rainha Felicidade foi questionada e pressionada a justificar-se do porquê de ela alimentar a todos somente com o pão da felicidade. Estaria ela escondendo algum alimento melhor?

A rainha, em sua amabilidade e magnitude, fez ver a eles que a única chance de levar uma vida bela e formosa é ter uma felicidade incondicional e só sob o seu reinado. Em nenhum outro país haveria esta chance. Deu inclusive o exemplo do Brasil dizendo que lá também reinava uma certa rainha que distribuía bolsa família ao povo e não eram felizes, faltava no sacolão o pão da felicidade...

O casalzinho teimoso não se deu por convencido. Com certeza a rainha estava escondendo alguma coisa de muito valioso que superaria a felicidade reinante, pensavam os dois. No apagar das luzes do dia e as sombras da noite invadindo os jardins do Éden, nosso casalzinho esgueirou-se para as bandas do jardim da rainha. Transpôs o enorme muro que cercava o jardim. Adentrando cada vez mais o jardim depararam-se com uma enorme árvore fulgurante carregada de frutos de aspecto apetitoso nunca vistos em outras paragens.

Está aí o segredo da rainha, sussurrou a mulher ao marido. Vamos em frente, vou pegar uns frutos dessa árvore para comer. Quem sabe nos tornaremos poderosos a ponto de poder rivalizar com a rainha.

Lá foi ela, puxando pelo braço o marido, e aproximou-se da árvore. Ao chegar debaixo da árvore ficou olhando ao derredor à procura de uma vara para pegar os frutos. Mas não fora preciso. Do alto da árvore uma cintilante serpente veio em socorro e disse à mulher: bela decisão de vocês. Vocês comerão frutos da árvore proibida, mas são frutos poderosos que mudarão o destino de vocês. Deixe-me ajudar, disse a serpente, e começou a jogar frutas do alto da árvore para regozijo dos dois.

Com um cesto - feito de folhas - repleto de frutas, lá foram eles rumo à sua morada. Em casa empanturraram-se das frutas e foram dormir. Lá pelas tantas da madrugada, Adão - esse era o nome do homem - sentiu algo estranho entre as pernas. Algo ficara rígido feito um pau. Olhou para o lado e viu a Eva - o nome da mulher - contorcendo-se dizendo que um fogo brotava-lhe de entre as pernas. Tá aí o nosso poder, exclamaram os dois. Não é preciso dizer o que se passou no restante da noite.

De manhã estavam exaustos. Pela primeira vez sentiram-se nus, até então o estado de felicidade os encobria da inocência paradisíaca. Disse Adão à Eva: nunca te percebi assim, com essa rachadura no meio das pernas... Eva replicou: nem eu a você com este penduricalho aí embaixo.

A rainha, ao perceber que o casalzinho transgredira as leis da felicidade, sentiu-se amargurada e ao mesmo tempo indignada com a ousadia dos dois de quererem mais do que lhes era de direito e que os fazia completamente felizes. Chamou os dois e lhes disse: o pão da felicidade não lhes será dado doravante gratuitamente. Cabe a vocês agora de conquistá-lo com seu próprio esforço e suor de seus rostos. E afastou-se.

Começou aí a saga da humanidade e as peripécias de homens e mulheres para sobreviverem, multiplicando-se no afã de preservar e continuar a existência da espécie humana.

Nós, velhinhos e velhinhas, fazemos parte dessa saga. Com o suor de nossos rostos construímos nosso abrigo Aerus, mas ventos fortes de incerteza fazem tremer seus alicerces e ninguém se habilita a contar um desfecho feliz para esta história começada há dez anos atrás.

Mas, a esperança não morre, um dia virá alguém com habilidade de contar histórias... Mas histórias com final feliz...




Desculpem-me se a minha os decepcionou... Sou mau contador de histórias... 
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 21-4-2015

2 comentários:

  1. Atravancando a vida de milhões de brasileiros o judiciário zomba de tudo e de todos mandos e desmandos com pesos e medidas diferentes para mesma situação salários incompatíveis com o desempenho da função único poder que não pode ser criticado sob pena de severas punições processos simples se estendem por décadas onde esta a senhora corregedoria para esses intocáveis donos do mundo .Que tal o cao que fuma encabeçar um protesto exigindo mudanças nesse poder sem regras resolver caminhar sem toda esta demora .resolvendo pelo menos estas questões tao justas,

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  2. Estamos disponíveis e prontos para ajudar na divulgação desse protesto.

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