domingo, 20 de setembro de 2015

A urgência do pensamento gramsciano para a direita

Luciano Henrique

Um dos insights mais importantes que obtive sobre estratégia gramsciana não veio dos Cadernos do Cárcere, que são chatíssimos e desorganizados. Pelo lado da esquerda, o livro que tem muito a nos ensinar é Gramsci: um estudo sobre seu pensamento político, de Carlos Nelson Coutinho, que gasta boa parte de seu tempo escarafunchando o que Gramsci praticava politicamente antes de ser preso por Mussolini.

Gramsci se definia como um pragmático, em oposição ao socialismo fatalista. Ele entendia que a visão fatalista (a qual defendia que o comunismo era inevitável, portanto uma atuação ‘light’ se basearia em esperar o colapso do capitalismo) não gerava resultados. Não gerava motivação suficiente. Ao mesmo tempo, a visão fatalista gerava um discurso radical, facilmente derrubado pelos opositores. Ele também compreendia que a cultura ocidental rejeitaria uma ruptura tal qual ocorrera na Rússia.

Nascia aí o primeiro “molde” do que viria a se tornar a estratégia gramsciana. Mas o primeiro estímulo veio da noção da crítica aberta às estratégias dos socialistas ao seu redor. Isto é, Gramsci achava que todos eles deveriam ser julgados pelos resultados de suas táticas, e não tanto pela autoridade moral que acreditavam possuir por estar “do lado certo da história”.

O conceito da crítica contínua às táticas para obtenção de poder provocaria uma seleção natural das melhores táticas. Politicamente, as pessoas deveriam ser julgadas pelos seus resultados. Grupos, sindicatos, partidos e o que valha. Todos estariam nessa esfera de julgamento. Entretanto, criticar táticas de outros socialistas não é o mesmo que atacá-los como se ataca um oponente. O oponente é um só e precisa ser destruído. O socialista divergente em táticas é apenas alguém cujas táticas precisam ser desafiadas em termos de resultados.

Evidentemente, a direita precisa de mais inspirações gramscianas. Algumas pessoas precisam aceitar melhor as críticas às suas táticas. Para alguns, é preciso também ter a coragem de se colocar como um agente tático sob teste. Mas este procedimento deve ser dialético e enriquecedor. É isto que daria musculatura a uma direita focada em resultados.

Só conseguiremos alcançar tal estágio quando substituirmos as rixas internas na direita por um Quality Assurance de táticas, onde cada lado entra na mesa para dizer: “Eu fiz (x) durante (r) meses, e consegui um resultado que pode ser dimensionado assim: (j) ”.

Se você não gosta de uma tática, qual é a sua? Em quanto tempo ela dará resultados? Como ela pode ser aplicada? Como saberemos se esses resultados estão acontecendo especificamente por causa de sua tática? Questões assim demonstram maturidade neste tipo de debate.

Pensar gramscianamente começa assim. A dialética central é feita comparando-se estratégias, planos, táticas e, mais do que tudo, resultados. 
Título, Imagem e Texto: Luciano Henrique, Ceticismo Político, 20-9-2015

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