terça-feira, 22 de setembro de 2015

O mínimo que você precisa saber para deixar de ser uma besta-quadrada na hora de combater tiranias modernas

Luciano Henrique

Um leitor me indicou que o livro Dictator’s Learning Curve, de William J. Dobson, está disponível em português. Aqui o link para a Livraria Cultura, com o título Escola de Ditadores (na verdade, foi lançado em 2014, mas eu comi bola). A bagatela é de R$ 30,00. O livro também poderia se chamar O mínimo que você deveria saber para deixar de ser uma besta-quadrada ao falar sobre tiranias modernas.

Nesta semana, quando o STF conseguiu dar um golpe jurídico na questão do financiamento de campanhas, sem nenhuma pressão, o inaceitável torpor republicano se explica pelo fato de que quase ninguém compreende o que significa uma tirania moderna, os seus métodos, e sua forma de implementação.

É por isso que quase ninguém se enfurece quando alguém diz “ah, o STF cometeu uma estupidez” ou “não vai dar certo para combater a corrupção” ou “o problema é o caixa 2 que isto vai gerar”. Nenhum desses entendeu absolutamente nada, pois não entendem que foram apenas vítimas de métodos de uma tirania moderna.

Hoje em dia muitos não se preocupam com os 10 milhões anuais enviados para a BLOSTA, com a intocabilidade das verbas estatais destinadas para anúncios, com a Lei Rouanet, com uma fortuna usada pelo MinC para bancar um aparelho do governo disfarçado de “Cultura”, etc.

Mal sabem que estão assistindo a implementação progressiva de uma tirania, sem sequer conseguirem explicar ao público qual o problema. O desconhecimento dos métodos de uma tirania moderna gera tamanha alienação da realidade que beira o autismo político.

Alias, o livro de Dobson também permite abstrair outras lições, mostrando que o discurso de quem pede intervenção militar é uma piada. Eis a essência do livro: com o passar do tempo, e com a evolução das comunicações, os ditadores “top de linha” aprenderam como implementar sistemas ditatoriais com métodos bem diferentes daqueles a que estávamos acostumados há cinco ou seis décadas atrás. Propor o combate a esses ditadores com os métodos daquela época é pedir para apanhar mesmo.

O que o intervencionista faz é tentar combater tiranias modernas com recursos de tiranias do tempo da onça. Teríamos apenas dó desse tipo de gente, caso não servissem também com instrumento de propaganda nas mãos dos tiranos modernos. É por isso que quando digo a eles como são serviçais não intencionais dos novos tiranos, se irritam, mas sem saber o motivo.

O grande drama do direitista brasileiro é que ele não tem o cérebro treinado para reagir a tiranias. Pior: vira apenas uma criancinha nas mãos dos tiranos modernos.

O livro de William J. Dobson é quase tão útil para o treino da mente em como compreender as tiranias modernas (ele não é tão amplo em como combatê-las, mas se você compreendê-las, já é meio caminho andado) como o é Ponerologia Política, de Andrew Lobaczewski, para compreender como funciona a ação dos psicopatas na política.

Quanto mais pessoas lerem este livro, melhor. Se há uma coisa que me deixa angustiado é ver como muitas pessoas não conseguem sequer entender o motivo pelo qual deveriam rejeitar algumas propostas petistas. Sem tal nível de entendimento, temos a impressão de que o PT está quase morto, quando na verdade ainda está bem vivo, em parte por que quase nenhum de seus opositores no Brasil entende como funciona uma tirania moderna. 
Título, Imagem e Texto: Luciano Henrique, Ceticismo Político, 20-9-2015

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