quinta-feira, 5 de novembro de 2015

2018 na ordem do dia. FHC X Lula: the brazilian sniper


Cesar Maia              
1. Lula reuniu o PT, de terno e gravata, tenso e suando e afirmou: “Não estou morto”. Aliás, em princípio, nenhuma liderança política está morta em vida. Sempre é bom lembrar a máxima de Churchill, lembrando Clausewitz (‘guerra é a política por outros meios’): Há uma enorme diferença entre Guerra e Política. Na Guerra se morre apenas uma vez; na Política várias vezes. Churchill se lembrava da Batalha dos Dardanelos (1915-1916), na Primeira Guerra Mundial, em que liderou a mítica esquadra britânica ao desastre e foi dado como morto politicamente.
               
2. Na última pesquisa Ibope Lula liderou a rejeição generalizada. 55% afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum (Serra 54%, Alckmin 52%, Ciro Gomes, 52%, Marina 50% e Aécio Neves 47%). Mas – nessa mesma pesquisa – o reverso da medalha mostra que 23% certamente votariam em Lula (Aécio em segundo lugar com 15%).
               
3. Esses 23% estão no patamar de 25% dos líderes populares quando estão em baixa. É, por exemplo, o de Cristina Kirchner neste momento. Na Argentina, os politólogos dizem que são os contemplados pelos programas de renda e subsídio de Cristina. No Brasil não é diferente. Tanto é assim que as pesquisas de intenção de voto publicadas nos últimos dias mostram uma diferença pequena entre Lula e Aécio no nordeste, onde a proporção dos atendidos pelos programas – ditos – inclusivos é maior.
               
4. Os mais afoitos apontam seus fuzis apenas à Dilma, atirando com balas de impeachment de curto alcance. Os mais experientes e talentosos olham para 2018, já que esta data, com ou sem impeachment, é inexorável. Avaliam que o PT não vai entregar o poder graciosamente. E que seu único recurso é Lula. Alguns (dizem que Lula) torcem para Dilma pedir licença e, assim, com Temer na presidência, o PT usar as suas armas de maior potência: ser oposição. E se tiver mais de dois anos nessa posição e com a crise afundando ainda mais, Lula surge como defensor dos fracos e oprimidos que estariam sendo castigados pelas medidas neoliberais.

5. Entre os afoitos da oposição certamente não está Fernando Henrique Cardoso. Muitos analistas acham que sua presença diária em palestras, entrevistas e, claro, na mídia, analisando a crise, tem dois focos. O primeiro seria dar a sua contribuição ao país, por seu talento e experiência. O segundo seria dar os acabamentos que faltavam a seu testamento político. Pode ser!
               
6. Mas uma passagem com drone por cima de seus pronunciamentos e textos mostra que há sempre um ponto brilhante na sua mira de ‘brazilian sniper’: Lula. E faz questão de separá-lo de Dilma, seja pela responsabilidade pela crise, seja no aspecto moral. Essa é sempre a mira de seu fuzil de precisão de sua mira ótica, telescópica.
               
7. FHC pode estar preocupado com a conjuntura. Certamente está. Mas na linguagem maoísta se poderia dizer que essa é a contradição secundária. A contradição principal é a eleição presidencial de 2018. Lula não pode chegar lá com fôlego. Como dizia Churchill, na política se morre mais de uma vez, e ele terminou primeiro-ministro e principal líder na Segunda Guerra Mundial, vinte e cinco anos depois.
               
8. Por isso, FHC, sniper político e intelectual, não perde ocasião para ajustar a mira em Lula, buscando fragilizá-lo suficientemente para 2018. 
Título e Texto: Cesar Maia, 5-11-2015 

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