terça-feira, 17 de novembro de 2015

Afinal, qual é a pressa?

Rui A.
Pacientemente, aguardou o país que o senhor António Costa, ilustre derrotado das eleições legislativas de 4 de Outubro, negociasse, às escondidas e pela calada da noite, com o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, uma coisa que ainda ninguém sabe ao certo o que é, porque eles se recusam, por enquanto, a explicar. Aquilo que sabemos sobre os famigerados «acordos» é pouco, ou nada, embora tenhamos alguns indícios do que estes três derrotados partidos se preparam para impor ao país, aproveitando circunstâncias constitucionais verdadeiramente excepcionais: o facto de se terem recusado a assinar um único documento que plasmasse um programa de governo comum e, inclusivamente, terem-se recusado a juntar-se numa mesma sala, ao mesmo tempo, para formalizarem um momento desta excepcional importância, augura o pior possível.

Pois bem, depois de tudo isto, em que ninguém se preocupou por aí além, parece que, agora, o Presidente da República tem que andar a toque-de-caixa desta brincadeira e empossar imediatamente o Dr. Costa, como, aliás, já o deveria ter feito sem ter indigitado Passos, para, segundo as mesmas almas, não se perder tempo com futilidades constitucionais.

Ora, qualquer pessoa sensata dirá exactamente o oposto: que Cavaco, como símbolo constitucional do país, o tem de o ouvir a todo, mas a todo, sem excepção, antes de tomar uma decisão final sobre uma coisa tão esdrúxula quanto a que Costa lhe preparou. A pressão sobre Cavaco tem apenas uma finalidade: preparar a guerra para o caso do Presidente se recusar a dar posse incondicional a Costa, e tentar evitar que ele lhe imponha condições rigorosas para governar, que representem o que grande parte do país pensa sobre tudo isto. No fim de contas, é mais um desrespeito deste PS pela Constituição e pela República. Se o Presidente se limitar a ser uma caixa-de-ressonância de uma parte do país político, então, vale mais tirá-lo da Constituição e entregar a chefia do estado a uma espécie de «rainha de Inglaterra».
Título e Texto: Rui A., Blasfémias, 17-11-2015

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