quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Balanço da Safrinha — “Oh! Trigo e milho!”

Hélio Brambilla


“Que du blé et du maïs! Que du blé et du maïs!”
“As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver à custa do Estado”

Tive o prazer de acompanhar, não faz muito tempo, um ilustre visitante africano residente na Áustria. Católico modelar, fluente em vários idiomas, o Príncipe Bernard Ndouga [foto ao lado] é neto do último rei dos Camarões.  Ele veio conhecer o Brasil e, pelo que pude perceber, ficou deslumbrado. Não com Brasília, mas com o Brasil real.

O visitante conhece mais de 50 países, quase sempre viajando de avião. Mas quisemos fazer o nosso percurso de carro, pois de cima das nuvens quase nada se vê. Assim, começamos pela rodovia Santos-Rio. Em seguida, até a divisa do Espírito Santo com a Bahia, a fim de que dessa “janela” ele visse e sentisse um pouco da brasilidade nordestina. Retornamos por Minas, onde o príncipe conheceu as suas riquezas minerais, além da proverbial hospitalidade de seu povo.

Outro itinerário foi rumo ao Sul, passando antes pelos laranjais, canaviais e florestas de São Paulo. A partir do momento em que entramos no Paraná, e dali até Foz do Iguaçu, as exclamações do príncipe foram constantes: “Ô! que du blé et du maïs!” (“Oh! Trigo e milho!”). Mas qual não foi o meu embaraço ao ter de explicar a ele que, na verdade, aqueles trigais e milharais eram da “safrinha”, e não da safra normal, que viria dali a seis meses.  Une petite moisson! Afinal, como descendente de italiano explicando a um intuitivo africano,  os gestos ajudavam a completar as lacunas do meu francês…

Confesso que até para um paranaense do norte como eu, habituado à paisagem dourada dos campos de trigo e de milho maduro, aquilo realmente era empolgante. Mas, se na safrinha de hoje o nosso visitante aqui estivesse, ficaria ainda mais maravilhado, pois ela “explodiu”. Com efeito, podemos contar com a projeção de mais de 210 milhões toneladas de grãos para este ano.

Venho fazendo análises anuais a que chamo de “balanço de safra”. À última delas dei curiosamente o título “Volume morto, a safra agrícola e eleições”. Além da versão virtual, lida por milhares de pessoas, separatas impressas foram distribuídas pelo Brasil afora durante as principais feiras agropecuárias. Na verdade, a expressão “volume morto” simbolizava o mar de lama que havia aflorado da eleição presidencial. Mas o fato é que cheguei a ser perguntado se Lula da Silva tinha lido essa matéria, pois ele declarou que o PT estava “no volume morto”. Isso é problema dele e de seu partido…

Como os produtores rurais costumam dizer, “São Pedro ajudou”. O clima foi favorável e a safrinha está sendo um sucesso. O milho colhido atingiu o recorde estrondoso de mais 54 milhões de toneladas. O trigo, por sua vez, atingiu 7.300 milhões de toneladas, o suficiente para suprir 2/3 do consumo brasileiro.

A cana-de-açúcar também está em alta, devendo ultrapassar 705 milhões de toneladas, ou seja, um total de 30 milhões de toneladas de açúcar e cerca de 30 bilhões de litros de álcool (o equivalente a 500 mil barris de petróleo/dia, quase um quarto da produção de petróleo da Petrobras, de infeliz memória).

Com uma agravante, pois os barris são de petróleo bruto, que passam por refinarias caríssimas (e roubadíssimas), sobrando muita borra asfáltica, ao passo que o etanol já sai pronto para o tanque do veículo; sem contar que do bagaço da cana estão sendo gerados em torno de 20 Giga Watts (“O Estado de S. Paulo, 17-2-15, sobre a produção de 2014). Como referência, quando trabalha com toda a sua potência, Itaipu gera 16 Giga Watts.

Mais uma surpresa: o grupo Cosan de açúcar e álcool, acaba de inaugurar uma mega-usina em Piracicaba para aproveitar o bagaço da cana para a produção de etanol denominado “geração II”. Oetanol I é produzido pela destilação do caldo da cana fermentado, ativado pela sacarose. Já o etanol II é gerado pelo bagaço e pela palha da cana, por meio de enzimas que atuam na celulose da planta, que sofre um novo processo de fermentação e uma segunda destilação.

Com isso, um novo incremento no setor sucroalcoleiro está se tornando realidade, pois com esse sistema teremos mais 70% de álcool por hectare, sendo que as fibras restantes são aproveitadas da mesma forma para a geração de energia, queimando e aquecendo as caldeiras.

De todos os ângulos por onde se observa o agronegócio, sempre há soluções novas para superar, a cada instante, sucessos anteriores. Já pensou o leitor se a nossa agropecuária estivesse sendo gerida pelo Estado, exatamente como os assentamentos de Reforma Agrária? Será que ainda existiria Brasil?

Que contraste com as roubalheiras sem paralelo na nossa história, praticadas principalmente por políticos do PT e aliados dele, mas suavizadas e muito diminuídas pelas palavras da presidente Dilma ao qualificá-las apenas de “malfeitos”! Expressão mais própria a alguma chefe de disciplina de estabelecimento escolar para qualificar puxões de cabelo entre meninas.

Bem diferente de quase todos os setores da economia, o agronegócio girou, nos últimos dez anos, mais de 700 bilhões de dólares de superávit, sendo que até agosto no ano em curso, já representou 46% de todas as exportações brasileiras, com superávit acima de 50 bilhões de dólares. São mais de 180 países que recebem a nossa produção, suficiente para alimentar mais de um bilhão de pessoas. Graças a Deus, a exportação para a China caiu para 23% desse total.

Graças a Deus, sim, pois não queremos ficar jugulados pelo dragão vermelho chinês, pois já temos outro dragão representado pelo PT e quejandos, que nos abocanha, a cada dia, mais de 40% de impostos. Neste ano, cada cidadão pagará o equivalente a 10 mil e 500 reais de impostos ao governo (OESP, 22-9-15). Como perguntar não ofende, para que serve tanto imposto?

Para que o Brasil tenha:
I - uma dívida interna bruta que já supera três trilhões de reais;
II - 678 bilhões de dólares de dívidas de empresas estatais e privadas, que com a disparada do “dólar” já alcançam quase outros três trilhões de reais;
III – uma empresa como a Petrobras, que valia em torno de R$ 800 bilhões em 2006 e hoje vale pouco mais de R$ 200 bilhões;
IV – a mesma Petrobras, com uma dívida que no primeiro trimestre de 2013 representava R$ 200 bilhões e hoje ascende a R$ 442 bilhões;
V – o que parece mais trágico, cerca de 8.000.000 de pessoas procurando emprego. (“O Tempo”, 26-8-15).

Diante de panorama tão sombrio, o governo ainda demonstra estranheza pelo fato de o Brasil ter sido rebaixado no seu grau de investimento. Essa somatória de fracassos assustadores faz-nos parafrasear o saudoso Joelmir Betting. Desgraça no governo do PT é como banana, só dá em penca”.

Cabe ressaltar para os menos avisados que todo o sucesso da agropecuária – atividade de alto risco no Brasil – vem sendo alcançado em apenas 8% de sua área (destinada à agricultura), e 16% (à pecuária), de acordo com a Embrapa Monitoramento de Satélite. Em termos comparativos, se a população do Japão fosse colocada no Brasil na mesma densidade em que existe lá, aqui caberiam mais de três bilhões de pessoas.

Como pode um setor tão vital para o Brasil e para o mundo ser tratado como vilão e bandido pelo governo do PT? Acabo de retornar do Mato Grosso do Sul, onde há 98 fazendas invadidas por índios instigados pelo CIMI… Em Roraima, bem mais de uma centena de produtores rurais, estabelecidos há mais de 100 anos na região da Serra da Lua, se veem ameaçados de ser enxotados de suas terras para dar lugar a mais um parque ecológico.

Consta que o propósito da FUNAI é aumentar as reservas indígenas de 14% do território nacional para 25%. Isso equivaleria a dar para 700 ou 800 mil índios o equivalente à metade do território da Índia, cuja população em julho de 2014 era de 1.267.401.849 habitantes.

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, um dos homens mais lúcidos que já conheceu o Brasil, que se dedicou de corpo e alma à defesa dos imorredouros princípios da tradição, da família e da propriedade. Lembro-me de, pouco antes de sua morte, ele ter feito um comentário que me ficou na memória, mais ou menos nestes termos:

“Não sei se terei a desdita de ver instalado no governo o Partido dos Trabalhadores, criado pela esquerda católica e pela teologia da libertação. Mas quem viver nesse período fatídico, comprovará que depois desse governo serão necessários uns 50 anos para conseguir colocar o País em ordem. E não se trata apenas nem principalmente do ponto de vista econômico, mas de restabelecer a criteriologia psicológica do brasileiro, que ficará obliterada pelo pseudo-paternalismo socialista do PT”. Proféticas palavras…

Vêm ainda a propósito as inspiradas palavras de Cícero ao alertar os seus conterrâneos para a decadência do Império Romano: “O orçamento deve ser equilibrado, o tesouro público deve ser reposto, a dívida pública deve ser reduzida, a arrogância dos funcionários públicos deve ser moderada e controlada, e a ajuda aos outros países deve ser eliminada, para que Roma não vá à falência. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar em vez de viver à custa do Estado.

Que Deus e Nossa Senhora Aparecida salvem o Brasil! 
Título, Imagens e Texto: Hélio Brambilla, ABIM, 19-11-2015

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