quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Os jovens, a política hoje, e as tendências

Cesar Maia
     
1. Pesquisa do IBOPE divulgada semana passada confirmou uma fuga do PT dos votos dos jovens. Enquanto a rejeição ao PT alcançou, nessa pesquisa, 38%, entre os jovens na faixa de 16 a 24 anos a rejeição chegou a 43%. Entre os maiores de 55 anos a rejeição atingiu 33%. Nas avaliações da presidente Dilma, em diversas pesquisas e nas intenções de voto preliminares para 2018, esta tendência se confirma.
    
2. Pode-se concluir que a base jovem do eleitorado do PT sofreu uma forte queda. Mas não se pode deduzir que seus adversários serão automaticamente beneficiados. Alguns dados nos indicam que entre os jovens há uma significativa rejeição aos políticos, ao próprio processo político e especialmente eleitoral. 
    
3. Um desses dados é uma porcentagem decrescente de jovens entre 16 e 18 anos que se alistam para votar. Outro é a rejeição generalizada à política, tendo como origem as redes sociais. Na medida em que a maior frequência -e de maior intensidade- nas redes é de jovens, é natural esta dedução. 
    
4. As organizações estudantis -a partir da UNE- não mobilizam mais suas bases potenciais como antes. Em algumas cidades -como o caso do Rio- o PSOL tem capitalizado parcialmente este descontentamento, seja pelas redes sociais, seja por alguma capacidade de mobilização. Mas a energia demonstrada aí não se transforma necessariamente em voto pela significativa abstenção entre os jovens.
   
5. Entre os jovens militantes religiosos, como os evangélicos e os carismáticos, a participação jovem é bem maior que a média. Isso tem ajudado o voto proporcional muito mais que o majoritário. Porém, há uma exceção no voto majoritário: sabem identificar claramente em quem não vão votar, multiplicando o processo de rejeição nesses vetores. 
   
6. Com isso, formam-se partidariamente duas tendências. Uma delas, clássica, é o esforço que juventudes partidárias fazem para multiplicar e massificar a participação. Aqui estão os partidos mais à esquerda e aqueles segmentos partidários de base evangélica. 
    
7. A segunda tendência é dar prioridade à formação de quadros entre os jovens, sem exigir a adesão à ortodoxia partidária. Os quadros jovens assim formados têm uma capacidade muito maior de multiplicar ideias. E são fundamentais nessa multiplicação de ideias nas redes sociais. Mas sempre dentro da lógica horizontal e desierarquizada das redes. Ou seja, tudo que seja percebido como manipulação partidária gera rejeição em vez de multiplicação. 
Título e Texto: Cesar Maia, 11-11-2015

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