quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O Pai e o Papá

João Afonso Machado
Ontem, em sala de espera, folheando uma dessas revistas da tolice, a entrevista a um casal gay, ele cabeleireiro e ele modelo "internacional": agora pais de três filhos adoptivos.

A fotografia no sofá, a indisfarçável pose de quem assim ostentaria os seus caniches de estimação. Ele é tratado por "Pai" (o mais autoritário) e ele por "Papá" (presume-se que o mais dócil). E a pergunta do entrevistador surge inevitavelmente - então e quando tiverem de explicar às crianças a vossa condição de casal homossexual?

O plano delineado para esse efeito resume-se a uma história de início triste e final feliz - a mãe deles era pobrezinha, não dispunha de meios para os sustentar, para lhes oferecer os brinquedos e as roupas que hoje os rodeiam. Iam viver mal e deste modo vivem bem, com todo o conforto. Não se chega a dizer que de outro modo levariam porrada, assim substituída pelo afecto do Pai e do Papá. Estes aliás, manifesta-se a disponibilidade para visitas de e à progenitora, o Pai e o Papá nada têm a opor.

São factos narrados pelos próprios. Falta-me sempre, em casos destes, a paciência para considerações de ordem moral. Entre o caricato e o dramático, daria para muitas páginas o que a consciência de cada um julgará acerca do destino de três crianças crescendo entre a moda e as bonecas e os chocolates, entre o Pai e o Papá.

Há o futuro delas (e de quantas outras nas mesmas condições?), há a manápula da Esquerda sobre o que chamam "causas fracturantes". Compreende-se: para a Esquerda é o caminho possivel e actual (o passo mais recente) da Revolução: o Pai e o Papá. 
Título e Texto: João Afonso Machado, Corta-fitas, 3-12-2015

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