terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Isto teria aberto telejornais

Nuno Gouveia

"Médico socialista obriga Governo a mudar nomeação" ou "Ministro da Saúde cede a pressões de Eduardo Barroso e retira convite para nomeação hospitalar". Se esta noticia do i tivesse acontecido há três meses e com diferentes protagonistas, estaríamos certamente perante um escândalo nacional e que teria direito a capas de jornais e de telejornais, com pedidos de demissão do Ministro em causa e diversas horas de comentário político nas televisões. Pacheco Pereira diria que é a prova que o Governo é incompetente e teríamos o Partido Socialista a destacar que o Ministro da Saúde não tem força política para o cargo. PCP e BE, como é evidente,  pediriam a sua demissão. Nas redes sociais, destacados activistas de esquerda não se calariam por esta ingerência inadmissível de um destacado e conhecido membro de uma família do partido do governo. Manuela Ferreira Leite diria que tem muito respeito pelo médico em questão, mas que isto é um verdadeiro escândalo e tem de haver consequências. Como isto se passou com o actual governo, apenas temos esta noticia do i e uma outra do Observador há uns dias. 

Mas vivemos um "tempo novo", como tem repetidamente afirmado Sampaio da Nóvoa, o candidato apoiado oficialmente por Arnaldo Matos, aka Espártaco. E o que é este "tempo novo", que Nóvoa não conseguiu explicar ainda? Talvez a resposta esteja mesmo aqui: agora, os escândalos são fait-divers sem direito a grande cobertura mediática.  As más notícias são enterradas numa qualquer nona página dos jornais. Quem critica o Governo é "raivoso" e tem mau perder. Nos programas de comentarismo, com honrosas excepções, apenas há direito a elogios ao novo governo e a palavras que destacam o quão maldosos foram os membros do governo anterior. Neste tempo novo, Costa é o messias invencível e nada o pode atingir. Lembro-me que já vivemos um tempo semelhante. Depois veio a bancarrota. 
Título e Texto: Nuno Gouveia, 31 da Armada, 12-1-2016

E a Ana Lourenço, no Jornal das 10, na SIC, faria a chamada para a matéria:
"Médico do PSD obriga ministro da Saúde a recuar!"

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