segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

2018: campanha presidencial será pulverizada!

Cesar Maia               
1. Pela primeira vez desde a eleição presidencial de 1989, a eleição presidencial de 2018 tende a ser pulverizada, com muitos candidatos relevantes. A última vez que isso aconteceu foi em 1989, com Collor, Lula, Brizola, Covas, Afif, Ulysses, Aureliano Chaves, Caiado...Todos os partidos maiores lançaram seus candidatos. E emergiu uma força ruralista hoje fundamental no jogo parlamentar. A partir daí, as eleições presidenciais têm obedecido a um sistema binário ou ternário, embora a quantidade de partidos tenha crescido exponencialmente, inclusive com novos partidos relevantes.
               
2. Por que isso tem ocorrido nesses 20 anos, de 1994 a 2014? O cientista político Jairo Nicolau esclarece: “Um desafio é entender por que diversos partidos importantes têm se recusado a apresentar candidatos à Presidência, preferindo participar de coligações com outros, ou simplesmente não concorrer. Algumas hipóteses podem ser sugeridas. A primeira decorre da estrutura fortemente descentralizada dos partidos brasileiros. Como as unidades da federação são os distritos eleitorais na eleição de quatro dos sete cargos eletivos (deputado federal, deputado estadual, governador e senador) é natural que a política estadual tenha centralidade no sistema político brasileiro. Algumas lideranças partidárias são importantes no âmbito estadual, mas incapazes de se projetarem como lideranças nacionais. Consequentemente, fazem todos os cálculos eleitorais de forma a priorizar a sobrevivência política no estado de origem, deixando em segundo plano as disputas políticas no âmbito nacional.”

3. Mas por que em 1989 isso não ocorreu? A explicação está na imprevisibilidade eleitoral a partir da descontinuidade do regime autoritário – com eleições indiretas até ali, para presidente – e pelo aquecimento do debate político na Constituinte com afirmação de líderes políticos estabelecidos e a ascensão de novos líderes políticos impulsionados nacionalmente pelo debate constitucional e a ampla cobertura que receberam. A partir da acomodação política, com Itamar Franco, e da crise econômica, abriu-se um novo e paradoxal sistema: pulverização partidária e concentração – binária e ternária – na eleição presidencial. Jairo Nicolau – acima – dá as razões.

4. Assim foi em 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014. No entanto, as razões da abertura do leque de candidaturas presidenciais em 1989 são similares às que se apresentam de hoje até a eleição presidencial de 2018. Primeiro a enorme imprevisibilidade eleitoral e a ausência de favoritismo. O quadro binário PT e PSDB se desintegra na medida em que nenhum deles têm hoje capacidade de aglutinação e seus nomes não contam com a popularidade de favoritos. Nem Lula.
           
5. Junto à imprevisibilidade eleitoral vem a imprevisibilidade política, ou seja, a pulverização parlamentar de hoje tende a ser muito diferente da pulverização parlamentar que sairá das eleições de 2018. Inclusive com uma pulverização ainda maior que a atual.
           
6. E fechando o triângulo, a imprevisibilidade econômica. Com metade do governo Dilma perdido, o ano de 2017 estará longe de apontar para uma reversão clara do quadro atual. Longe de qualquer consenso e com a necessidade de atrair o eleitor, candidatos portadores de ideias – as mais diversificadas – vão proliferar. E não se trata de candidatos nanicos como em outras eleições.
           
7. Em 2018, o PT, o PMDB, o PSDB, o PDT, o PV, a Rede, o PP, etc., já estão em campo, com nomes política e eleitoralmente relevantes. E outros pensam em ocupar espaços com candidaturas presidenciais, que mesmo com uma votação menor se tornam relevantes no segundo turno. E a crise profunda que o país atravessa, com seus desdobramentos sociais, poderá abrir caminho para a emergência de novas forças políticas ou novas lideranças, como ocorreu na Espanha, na Itália e na Grécia nas eleições recentes. 
Título e Texto: Cesar Maia, 1-2-2016

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