terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A língua

Nelson Teixeira
Um nobre senhor mandou um dia o seu criado ao açougue, dizendo-lhe:
– Traga-me o melhor bocado que lá encontrares.
Para atender fielmente ao pedido de seu amo, o servo trouxe-lhe uma língua.

O nobre senhor mandou que as criadas preparassem aquela língua, e assim se deliciou com o estranho e apetitoso bocado.

Dias depois, o senhor chamou novamente o servo e recomendou-lhe:
– Traga-me agora, do mesmo açougue, o bocado mais desprezível que encontrares.
O criado foi depressa, pensou, e trouxe mais uma língua.

Tomado de admiração, o seu senhor indagou-lhe:
– Que significa isso? Pedi o melhor bocado e me trouxestes uma língua; depois pedi o pior bocado e me trouxestes também uma língua?

Então o servo, que era sumamente sábio, explicou-lhe:
– Não me enganei, senhor. É isso mesmo: a língua é, ao mesmo tempo, tudo o que há de melhor e tudo o que há de pior no mundo. Pode causar os melhores bens na boca de uma pessoa boa e pode causar os maiores males na boca de uma pessoa má. 
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 2-2-2016

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