domingo, 21 de fevereiro de 2016

O Papa Francisco: Anti-Cristo ou Representante de Cristo?

Valdemar Habitzreuter

Ilustração: Amarildo
O Papa Francisco fascina pela sua espontaneidade e simplicidade. De há muito que a cátedra de Pedro não tem sido ocupada por alguém compromissado com reformas dentro da Igreja, desde que João XXIII convocou o Concílio Vaticano II com intuito de atualizar sua doutrina para os tempos modernos.

Francisco viu e sentiu, ao chegar em Roma, que a Santa Sé – a personificação jurídica do Vaticano - não revelava tanta santidade assim. O Papa Bento XVI já se incomodava com a falta de ética, imoralidade e corrupção que reinava na administração da Cúria, a ponto de renunciar alegando não ter forças, pela idade avançada, para sanar a libertinagem reinante.

Também foi um monge agostiniano que, ao visitar Roma, viu a malandragem e licenciosidade que imperava no alto comando da Igreja; isto no sec. XVI. Este monge chamava-se Lutero e encetou uma Reforma que resultou na teologia luterana e consequente Igreja luterana contrapondo-se aos abusos e desvios dos ideais cristãos da Igreja católica.

O Papa Francisco é oriundo da ordem dos jesuítas que se destacam pela sua elevada e diversificada formação intelectual. Mas ele revelou-se mais franciscano que jesuíta, abraçou a causa dos que estão à margem dos bens materiais e confortos espirituais – a vida tem de ser compensatória para todo ser humano.

Pois foi nesta semana que o Papa esteve novamente em evidência ao visitar Cuba e México. De volta à Roma concedeu entrevista no avião, como de costume, aos jornalistas sobre pedofilia, homossexualismo, uso de preservativo para prevenir o vírus da zika, comunhão aos recasados, etc... Construir pontes em vez de muros (em resposta a Trump) é dar oportunidade a todos, e isto é ser cristão. Fala desses temas com sinceridade sem medo de ser mal interpretado ou hostilizado. Temas que outrora não eram abordados e considerados tabus...

Não é por menos que os conservadores da cúpula do Vaticano veem no Papa um personagem afeito a uma reviravolta nos rumos da Igreja que a leve – este é o receio deles - a perder sua identidade católica tradicional dogmática e se deixe guiar por um relativismo circunstancial segundo os anseios de seus fiéis. Surgem assim interpretações sem sentido de ele ser um anti-Cristo.

Mas Francisco sabe muito bem os rumos a serem tomados: voltar à simplicidade cristã que consiste na fraternidade universal entre os povos e não importa o credo, gênero e raça. E isto é ser Representante de Cristo.
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 20-2-2016

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