segunda-feira, 21 de março de 2016

BRASIL: manifestações anti-governo PT e pêndulo político

Gonzalo Guimaraens - Destaque Internacional (*)

1. As manifestações, ocorridas em todo o Brasil no dia 13 de março, contra o governo populista de esquerda do PT, contra o ex-presidente Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff foram — de acordo com o instituto de pesquisa DataFolha — os maiores protestos políticos da história desse país-continente.

2. Em São Paulo, o DataFolha calculou em 500 mil participantes, enquanto que os organizadores, baseados em tecnologia que capta sinais de celular em determinados perímetros existentes, afirmou que havia muito mais de 1 milhão de pessoas.

3. Impressionava, e até emocionava, ver entre os manifestantes famílias inteiras, incluindo bebês de apenas algumas semanas levados em seus carrinhos pelos pais, até senhores e senhoras idosos que, apesar dos sérios problemas de mobilidade, não quiseram deixar de participar das manifestações contra o atual governo populista-esquerdista.

4. O denominador comum dos manifestantes parecia ser uma mistura de indignação e frustração, que foram crescendo e acumulando nos últimos anos, quando a situação econômica do País deteriorou-se paulatinamente devido às políticas econômicas do populismo socialista do governo petista. Uma indignação que atingiu seu auge nas últimas semanas, quando a Justiça começou a investigar as conexões entre os escandalosos casos de corrupção no governo e do próprio ex-presidente Lula, que havia se apresentado na política como “incorruptível”, um ícone da esquerda no mundo inteiro. 

5. Além da indignação e frustração, expressados emslogans, assobios e “panelaços”, que outros traços de união havia entre os manifestantes? É difícil dizer. À primeira vista, não parece que os princípios anti-socialistas predominassem nas multidões. Se assim for, os institutos de pesquisa de opinião pública poderão confirmar ou desmentir. Esse é um ponto que deve ser levado em consideração, caso se deseje interpretar as gigantescas manifestações contra o governo a fim de se traçar prognósticos políticos.

6. Outra pergunta que se poderia levantar diz respeito à eventual porcentagem de manifestantes que tenham votado em alguma eleição pelo PT, pelos dois presidentes eleitos pelo Partido dos Trabalhadores, Lula e Dilma. A pergunta tem sua razão de ser pelo fato de que a tônica das críticas contra o governo têm sido relativas à corrupção e não tanto à ideologia socialista dos governos PT, que, de fato, é a primordial causa do desastre atual. Silenciar sobre um tema fundamental fica-se “com a pulga atrás da orelha”.

7. Finalmente, outra pergunta delicada que se poderia fazer diz respeito ao eventual apoio eleitoral entre os manifestantes anti-governo, e entre os opositores em geral, a certas figuras populistas que possam se apresentar como “conservadoras” e que talvez venham a surgir no cenário brasileiro. Figuras que poderiam seguir a onda do populismo apresentado como “de direita”, que se estendem em vários países da Europa e que também chegou aos Estados Unidos, num preocupante movimento pendular que poderia arrastar certo número de incautos.
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(*) Outros editoriais recentes de “Destaque Internacional” a respeito do tema encontram-se disponíveis em www.cubdest.org. Este texto, traduzido do original espanhol por Paulo Roberto Campos, pode ser divulgado livremente. 
Fotos: Paulo Roberto Campos

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