quarta-feira, 16 de março de 2016

@s idiotas

Alberto Gonçalves
Como não vou ao McDonald’s nem tenho filhos, não sei o que é um Happy Meal. Se fosse e tivesse, não me importaria que o dito prato (?) oferecesse brinquedos para os meninos e brinquedos para as meninas. Aliás, não me importaria que uma empresa privada brindasse a clientela com retratos de Kim Jong-un em pelota. Há, porém, quem se importe, pelo que os representantes nacionais da McDonald’s decidiram não ferir susceptibilidades e acabar com a distinção de género e a perpetuação dos estereótipos (o vocabulário é o utilizado pelos "activistas" do sector). Eis um sinal de progresso, e não é o único.

Por toda a parte, cresce a convicção de que a sexualidade é uma desagradável imposição social (salvo, ignoro as razões, no caso dos gays). Em Espanha, a Zara lançou recentemente uma linha de roupa de "sexo neutro", talvez no sentido de que retira a vontade de o perpetrar com rapazes e raparigas assim vestidos. E diversas cidades europeias acabaram com as figuras exclusivamente masculinas nos semáforos, se calhar no pressuposto de que as mulheres são tão estúpidas que, antes de atravessar a rua, esperavam dias a fio uma imagem feminina inexistente. No ano passado, Viena deu um passo adicional e, a benefício da tolerância, pendurou semáforos com casais homossexuais, eles de calças, elas de saia, por azar o reforço de um estereótipo que urge abolir.

E há a questão da linguagem, o "newspeak" que sugere por exemplo a substituição de "history" por "herstory", na crença, própria dos eruditos, de que o "his", presente no grego original, é um pronome possessivo. O nosso léxico presta-se menos ao folclore, embora não faltem, na política e não só, iletrados conscienciosos que se dirigem "às portuguesas e aos portugueses". Os iletrados irreverentes fintam o género através do uso do @ no fim das palavras, mais fácil de escrever do que de ler em voz alta.

E estamos nisto. Ou melhor: o feminismo está nisto. Da luta pelo direito de voto e da emancipação alimentada pela pílula desceu-se à preocupação com as maiores ninharias da Terra. Porquê? Um motivo óbvio prende-se com a criação de "auto-emprego". Numa sociedade propícia à rapidez e à chinfrineira, adoptar uma "causa", de preferência inconsequente, permite fingir o domínio de um assunto e adquirir o poder que essa "especialização" confere. Qualquer idiota terminal é capaz de acumular duas ou três indignações e berrá-las por aí. Se o fizer com a histeria adequada, o idiota convence outros idiotas de que as indignações são justas. Aos poucos, convence-se a si próprio de que é uma autoridade na matéria e intensifica a prepotência, em regra proporcional à irrelevância da "causa". Frequentemente, o idiota termina num cargo público, com escala na imprensa e na televisão. 

Ou no colóquio com que o Bloco de Esquerda "assinalou" o Dia Internacional da Mulher, em prol das refugiadas islâmicas e contra, não o islão, mas "os senhores da guerra" (americanos), "a hipocrisia da União Europeia", a xenofobia ocidental e, claro, Israel. Dizer que estes são os maiores problemas das muçulmanas é acorrer a um incêndio no infantário para salvar as bonecas. Mesmo sem bonecas ou carrinhos, o feminismo anda a brincar connosco.

O BOM
Do altruísmo
O Presidente Marcelo quer aumentar a minha "auto-estima". O dr. Costa quer promover a minha "qualificação, inovação e valorização". E isto para não falar das figuras menores do Estado que me desejam imensas coisas maravilhosas. Comove-me haver tanta gente que, sem me conhecer, se aflige com o meu bem-estar. E isto sem qualquer contrapartida, excepto metade do que ganho. Eis porque nunca seria político: falta-me a bondade. Eu não me preocuparia com os meus benfeitores nem que me pagassem.

O MAU
Os améns do Presidente
A avaliação da Presidência de Marcelo depende de um único critério: se – até para evitar ondas no primeiro mandato – ajudar à sobrevivência do Governo, será um PR responsável, moderno, culto e bonito. Se, por lucidez, engano ou milagre, aproveitar um dos inúmeros pretextos para enxotar do poder o acidente em curso, será um biltre sem sentido de Estado, subjugado a interesses partidários, distante dos cidadãos e alheio à realidade. Aceitam-se apostas, mas não se prevêem milionários.

O VILÃO
Um místico
"António Guterres, um humanista candidato a secretário-geral da ONU", proclamava há dias a RTP. Não sei quando é que "humanista" passou a sinónimo de "socialista". Sei que o humanismo de facto implicava a recusa do sobrenatural, e que basta recordar a governação do eng. Guterres, que sonhou salvar o País enquanto o desgraçava, para perceber que o sobrenatural era a única crença do indivíduo. Agora resolveu acreditar que salvará o mundo. Ou seja, continua um místico.
Título e Texto: Alberto Gonçalves, Sábado, 15-3-2016

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