terça-feira, 26 de abril de 2016

Triste sina, a do homossexual português

Vitor Cunha
Algumas pessoas criticaram-me – não que me incomode – sobre a representação que faço de homossexuais – não que tenha mal ser homossexual –, acusando-me de ser homofóbico – não que me interesse o que pensam de mim – e burro – algo a que até estou habituado –, mas, portanto, como os outros eleitores de António Costa – e isso já me incomoda. Vou aproveitar a oportunidade para me explicar – não que interesse – a quem não vai – e bem, não faz cá falta – ler.

Tenho pena de homossexuais. É verdade, não adianta esconder. Não tenho pena por serem homossexuais, isso é lá com eles; tenho pena porque, voluntária ou involuntariamente, deixaram-se representar na sociedade portuguesa por imbecis, buracos, nazis em geral e esganiçadas, algumas delas do Bloco (ou Bloca) de Esquerda (e Esquerdo).

Já não basta pertencerem a uma minoria, ainda têm que aguentar que o resto das pessoas os considerem estúpidos pela associação política. Aliás, todo o fascínio da nova – e simultaneamente velha – esquerda por questões de género é particularmente caricato, como se Caracas fosse o bastião da liberdade sexual entre pessoas do mesmo sexo; como se não tivessem um longo historial de perseguição e aniquilação de homossexuais nesses regimes do Homem Novo e dos amanhãs que cantam; como se os árabes fofinhos que se rebentam em nome do bem colectivo – fight the system! – numa estação de metro imperialista fossem dados ao respeito pelas opções sexuais de cada um; como se o concubinato com o regime conferisse alguma autoridade moral para uma gueixa definir padrões éticos alheios; e por aí fora.

-“Medo que saibam que és gay?”
 – “Não, medo que pensem que sou do Bloco ou do PS”.
É algo extremamente perturbante que uma sociedade, em vez de caminhar para a tolerância inerente ao individualismo, opte por ir em cantigas de – pasme-se! – socialistas pro-regulação e padronização. Que triste sina: ser representado por quem nem de aritmética entende, naqueles mundinhos idílicos entre a infantilidade própria e a infantilização alheia. Deve ser mesmo aborrecido ser homossexual neste ambiente. Imagino a dificuldade que alguém teria em afirmar-me homossexual fora da redoma de queques lisboetas; mas, muito pior, seria ter que aceitar as consequências de pensarem que simpatiza com malucos sem qualquer pingo de responsabilidade.

Venha a torrente de insultos – não que incomodem. 
Título, Imagem (e Legenda) e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 26-4-2016

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