domingo, 12 de junho de 2016

Brexit e bolotas

Vitor Cunha
Se eu fosse inglês era bem capaz de votar pela saída da UE. Por dois motivos, que passo a explicar. O primeiro e mais importante, por não ter qualquer interesse no ruído que palerminhas pequeninos com ar de broeiro fazem “contra a austeridade” e “as políticas neoliberais”. Já é difícil aturar os caprichos dos filhos adolescentes, para quê aturar miúdos de 60 anos, oriundos de países exóticos sem qualquer relevância estratégica para a Europa? Nenhum inglês perde tempo a tentar perceber o inescrutável Costa e o seu discurso da província onde há uma ou outra praia simpática. Mais depressa atirariam com duas ou três bolotas para que o aborrecimento desaparecesse da mesa, deixando os adultos a conversar. O segundo motivo é achar que, após a saída da UE, acaba o estigma da separação. Isso permite que os adultos se livrem dos pirralhos quando insistirem em chatear com a “voz grossa” de quem pedincha mais uns cobres para manter a balofa da academia e os incompetentes dos jornais animados na dança dos falidos. Isto nunca foi sobre o Estado Social ou a sustentabilidade da Segurança Social: isto sempre foi pela união que a contestação permite. É como um arraial onde todos partilham o chouriço e podem dançar um entesoado “apita o comboio” com a cunhada.


Se a saída da UE se concretizasse, convidaria ilustres académicos portugueses – José Reis à cabeça – para virem até cá, às terras de Sua Majestade, para, após um caril a sério, discursarem sobre as palermices que dizem lá na terrinha. Aposto que até dançavam, se lhes atirasse mais duas ou três bolotas.
Título e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 12-6-2016

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