quinta-feira, 2 de junho de 2016

Qual a tua tendência maior: virtude ou vício?

Valdemar Habitzreuter

Foi-me presenteado um livro com o título: ‘O Ser do Homem – Razões do Pessimismo e do Otimismo na Contemporaneidade’. Gostei da leitura.

O autor, Isaque Gomes Correa, baseia-se primordialmente na filosofia schopenhaueriana no que concerne ao conceito de vontade. Sabemos que, em filosofia, é filósofo aquele que traz um dado novo, no sentido forte, de ser incorporado na História da Filosofia pela importância científica. Schopenhauer foi um deles.

Assim, sua obra: ‘O Mundo como Vontade e Representação’ é do agrado de muitos leitores porque delineia um pensamento filosófico que faz sentido. Segundo ele, nessa obra, a vontade é o que constitui a realidade universal. Tudo é perpassado pela vontade. Todos os seres são impulsionados por esta força que os determinam a serem o que são.

O filósofo Bergson diria: uma força vital que subjaz a tudo. O ser humano é o único que tem consciência dela como sujeito pensante e, ao mesmo tempo, capaz de se ver objetivado como parte concreta deste mundo. Esta vontade joga um rol muito importante em nossas vidas. Ela significa luta e perspicácia, já que o mundo como vontade objetivada, do qual fazemos parte, não é a essência do ser do homem, mas um mundo fenomenal, fictício, ilusório e marcado pelo pessimismo por não nos dar, em plenitude, o que nele procuramos.

Somos viajantes pessimistas porque sabemos constantemente que sofremos com as agruras da vida, e tudo o que desejamos do mundo representado nos frustra. Mas, aí está o lado bom do pessimismo: saber que o mundo é sofrimento pelos desejos que alimentamos e daí podermos avaliar suas consequências.

Levamos uma vida viciosa e de sofrimento quando damos asas à variedade de desejos que desintegram nosso ser; levamos uma vida virtuosa quando sabemos frear nossa vontade que nos impele a desejar sempre e cada vez mais neste mundo de representação. Schopenhauer foi um leitor do budismo que justamente diz: o que nos faz infelizes são os nossos desejos. Confira, se não é verdade...
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 2-6-2016

2 comentários:

  1. Gostei e vou ler.
    Eu nunca me senti infeliz, sei que você Valdemar há de retrucar-me.
    Meus desejos a partir de certa idade, lá pelos idos de 1999, quando abri mão de lista de senioridade, e aposentei-me pelo PDV, para que outros f/es mais novos pudessem manter seus empregos, foi VIVER.
    Quando o AERUS teve a intervenção, não fiquei triste, fiquei revoltado por uma situação que já previa desde o ano 2000, por isso fui processado por determinado diretor do instituto. Não pude ser mais feliz porque o dinheiro era curto. Vestia um santo e causava nudez em outro. Até um apartamento de investimento tive que devolver, porque não conseguia pagar. UM empréstimo que havia feito junto ao Unibanco de 20000 reais em 36 meses, consegui sua quitação por 999 reais, com a quiescência do banco quanto a situação. O básico é comida na mesa, isso garante parte da saúde. Tenho ínfimos desejos, não possuo carro, agora vez por outra alugo um e vou a Gramado, Caxias e outros lugares.
    Meu maior desejo é viver com lucidez, quanto menos lucidez menos viver. Quando saí eu pensei apenas que tinha cumprido minhas metas, casa própria, família e boa aposentadoria. Em 2006 parte foi corrompida, levou 10 anos e conseguimos algo concreto. Creio que os atrasados se vierem talvez me proporcionem uma viagem, não faço expectativas, se não for meu será de minha esposa.
    Por vezes eu me imagino como o Saraiva personagem que detestava ignorância.
    Para finalizar e polemizar minha virtude maior é crer apenas no real, e vício para mim é acreditar no fictício.
    Há bilhões de estrela e planetas mas apenas os vemos, por enquanto.
    Imaginamos que há outras vidas nesse mundo estelar.
    Imaginar não é certeza, não crer é vício.
    Crer no que não se vê, não é virtude, é ciência.
    bom dia...
    P.S. eu acho os pensamentos Schopenhauer a metástase da dialética, só falta matar o interlocutor que discorda de nossas proposições. e Bergson o sonhador.

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    1. Meu caro Wander Roccha, como sempre és um crítico e dos bons. Tua autenticidade te faz um sábio. Poder abrir mão das coisas supérfluas e VIVER é possuir sabedoria e minimizar nossos sofrimentos. Já que vais ler o livro, inclua também o 'Evangelho de Buda' .... Budismo não é religião, é sabedoria de vida...
      Um abraço
      Valdemar

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