terça-feira, 12 de julho de 2016

A vida, que loucura!...

Valdemar Habitzreuter
Se refletirmos a fundo o que consiste em viver neste mundo, constatamos que é um constante enfrentamento. Temos que lutar pela sobrevivência; temos que fazer escolhas que não sabemos para onde nos levam; queremos usufruir das alegrias da vida a todo custo; experimentamos coisas das quais não sabemos de antemão se apresentam perigo ou são benéficas à nossa felicidade; enfim, apoiamo-nos em tudo que nos sinalize alívio nesta desdita luta pela vida.

Pois bem, a loucura é a nossa companheira de luta. Somos um bando de loucos convivendo uns com outros desafiando as incógnitas do porvir. Já foi loucura o ato mesmo de nosso nascimento, recebemos o primeiro tapa para o primeiro choro; daí em diante muitos outros tapas e choros se seguirão não pelas frustrações que acumulamos na vida, mas pela loucura de querermos desvendar os propósitos da vida; vida esta com sua variedade de ofertas e muito louca.

A loucura é mais sábia que a sabedoria, pois ela é inconsequente, não mede as consequências de seus atos, mas dedica toda sua energia no ato mesmo de realizar algo; se isto lhe será benéfico ou não, não lhe interessa, interessa-lhe a loucura de dar o pulo no escuro e nisso se comprazer. A sabedoria, ao contrário, pondera... e pondera... e fica no marasmo estático de avaliar as consequências de seu agir e perde o bonde da ação dinâmica que alivia as tensões da vida.

Quem de vocês já não fez loucuras e não se arrependeu, mesmo com consequências frustrantes? É que a loucura é vida, ação, e nisto consiste em evitar a monotonia que deprime a alma.

A loucura se contenta com sua ignorância, menosprezando a sabedoria dos filósofos, pois é impulso vital inconsciente que se entrega às incógnitas da vida, sem saber se ilusórias ou não.

Não fazia Paulo a apologia à loucura ao escrever aos coríntios da loucura da crucifixão de Cristo? “Cristo crucificado é escândalo para os judeus e loucura para os gregos... Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?... Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias...”

Diz-nos o eminente Erasmo de Roterdã: “A loucura é o impulso vital, a beata inconsciência, a ilusão, a ignorância contente de si – numa palavra, a mentira vital. Toda vida humana seja a individual, seja a social, se funda em mentiras, em ilusões ou em imposturas, que velam a crua realidade e constituem o maior atrativo da própria vida”. Que loucura!... 
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 12-7-2016

3 comentários:

  1. Caro Habitz, acho a filosofia uma "loucura", vejo a vida bem mais simples, com alegrias e tristezas, emoções, amores e paixões, até com decepções, e surpresas!
    Vamos cuidar de nossa saúde física, e ver em pequenas coisas ou fatos motivos para vivermos felizes!!! Abraço!
    Heitor Volkart

    ResponderExcluir
  2. VOU DEFENDER VALDEMAR, sem se necessário por óbvio.
    Erasmo simplesmente fez o livro ELOGIO À LOUCURA, como sátira aos paradoxos da vida.
    Em certo trecho de seu livro ele escreve:
    - É verdade que a mulher é um animal extravagante e frívolo, mas interessante e agradável. Sem ser machista ele descreve que mulher é sempre mulher...
    E por fim escreve:
    - Pertenço ao seu sexo, pois sou sempre a sua razão.
    Mas qual razão Erasmo se refere?
    Pois, chama os homens de rabugentos e escreve que a prudência é um vício.
    A prudência, visto que somos homens, consiste em não querermos ser mais sábios do que o que permite a nossa natureza, pois os FILÓSOFOS adotam a razão, os homens a paixão, e é só a loucura que faz com que nos aplaudamos a nós próprios.
    A LOUCURA DE ERASMO É APENAS UM PERSONAGEM COM ESSE NOME.
    O homem passou séculos adorando um deus invisível , chamado de Mau por Epicuro.
    Abaixo um trecho interessante:

    A prudência, visto que somos homens, consiste em não querermos ser mais sábios do que o que permite a nossa natureza, pois os filósofos adotam a razão, os homens a paixão, e é só a loucura que faz com que nos aplaudamos a nós próprios.
    A loucura em sua linguagem demonstra-se céptica em relação à situação trágica dos viventes, tanto os que optarem por uma via, quanto os que optaram por outra, ou seja, não há final feliz para os que escolhem viver guiados pela razão, nem os que se deixam guiar pela paixão.

    Os deuses escolhem os seus favoritos, a loucura abarca a todos eles; os deuses do ponto mais ato do Olimpo debocham de seus adoradores.
    Para a loucura toda e qualquer atividade humana é relativa. Tanto que é ridicularizada a arte do gramático, do orador, do dialético, do teólogo; atividades estas, tidas por muitos em alta conta, pois representam as mais respeitosas e dignas.

    No final, a loucura satiriza a atividade dos religiosos e padres, dizendo que não passam de sujeitos gordos que gastam a vida pensando no que irão comer no dia de amanhã.
    Já os teólogos papagaiam, em seu latim, seu hebraico, seu grego.
    Por isso, ela é categórica ao afirmar que a terra está cheia de loucos, ninguém escapa à presa da loucura, se Deus caracteriza-se pela sabedoria, o homem caracteriza-se pela loucura.

    Sou louco por natureza.(rochinha)

    ResponderExcluir
  3. Gostei, Rochinha e Volkart! Deixar prevalecer nossas convicções ditadas pela nossa natureza, parece ser uma boa loucura...
    Valdemar

    ResponderExcluir

Por favor, evite o anonimato! Mesmo que opte pelo botãozinho "Anônimo", escreva o seu nome no final do seu comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!) isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente.
Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-