quarta-feira, 20 de julho de 2016

Expectativas antecipam recuperação da economia e da política

Cesar Maia

1. Os atores econômicos e políticos já antecipam a expectativa que têm quanto à recuperação da economia e da política brasileiras. A Bolsa de Valores que em janeiro marcava trinta e oito mil pontos fechou a semana passada em cinquenta e seis mil pontos, num crescimento de quase cinquenta por cento. Nas últimas semanas foram registradas quedas contínuas do dólar em relação ao real. Depois de atingir 10,67% no ano passado, o mercado prevê uma inflação pouco superior a 7% em 2016, o que significará uma melhora no poder de compra dos consumidores.

2. A eleição do deputado Rodrigo Maia para presidente da Câmara de Deputados com 62% dos votos contra 38% de Rosso, superando a maioria absoluta, contrariou os prognósticos que acompanharam essa eleição por toda a semana. Esse é também um indicador de antecipação por parte dos deputados da reversão do desmonte político-parlamentar que tem marcado os últimos quatro meses.

3. No fim de semana o Datafolha divulgou os resultados de sua pesquisa nacional de opinião pública. “Na comparação com fevereiro, antes do início do processo de impeachment da presidente Dilma e da posse do governo interino do presidente Michel Temer, o Índice Datafolha de Confiança (IDC) registrou melhora em cinco dos sete indicadores que compõem o índice geral. No conjunto, o IDC registrou 98 pontos, uma alta de 11 pontos em relação a fevereiro.”

4. “O maior salto, de 34 pontos entre fevereiro e agora, foi em relação à expectativa de avanço da situação econômica do país, que passou de 78 para 112 pontos. Em relação à perspectiva pessoal dos entrevistados, o aumento foi de 17 pontos, passando de 128 para 145. Pela metodologia do Datafolha, índices acima de 100 são considerados positivos e abaixo disso, negativos.”

5. 50% dos brasileiros acham que o Brasil será melhor com Michel Temer na presidência até 2018 contra 32% que preferem Dilma. A rejeição a Temer – conceitos Ruim+péssimo – alcançou 31%, menos da metade dos 65% de Ruim+Péssimo de Dilma antes de ser afastada. Pela primeira vez nos úlitmos meses os que acham que a situação econômica do país – 38% – vai melhorar, superam os que acham que vai piorar – 30%.

6. O otimismo quanto à economia, a confiança do consumidor, o crescimento do índice Bovespa e a valorização do real vêm diretamente relacionadas com a mudança de governo. 58% dos brasileiros querem o impeachment de Dilma e 71% acreditam que Dilma será afastada definitivamente.

7. A reversão das expectativas ocorre sem que medidas concretas e de impacto tenham sido adotadas. A sustentabilidade dessa reversão exige que os fatores subjetivos venham acompanhados de fatores objetivos, vale dizer a aprovação de medidas que reorientem a economia.

8. O fato novo é que as expectativas atuais legitimam e criam a base para que mesmo as medidas – ditas – polêmicas, possam ser aprovadas. As condições estão dadas para a reversão dos quadros econômico e político. Mas só a aprovação de medidas econômicas concretas garantirão a sustentabilidade da tendência ascendente deste quadro.
          
9. Como a sabedoria política ensina que o Congresso não vota contra as “ruas”, então é questão de dar urgência às medidas necessárias para que elas aproveitem a impulsão da opinião pública e construam um novo quadro econômico e político para o futuro. 
Título e Texto: Cesar Maia, 20-7-2016

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