sábado, 2 de julho de 2016

O europopulismo: a marcha da insensatez!

Cesar Maia

1. Após a segunda guerra mundial, o populismo passou a ser marca registrada do chamado terceiro mundo, na África, na Ásia e especialmente na América Latina. O ciclo populista da América Latina com destaques conjunturais para este ou aquele país, já dura setenta anos, e oscila entre caudilhos ditatoriais, autoritários e formalmente democráticos. Formalmente, porque afirmam-se democráticos em ciclos favoráveis e sem nenhum pejo, tornam-se autoritários em situações adversas, apontando o dedo para um “inimigo do povo”, que por muitas décadas foi o “imperialismo norte-americano”.

2. O populismo religioso ascende ao poder em vários países – em geral africanos – lastreado num fundamentalismo que não deixa espaço para religiões distintas e, por isso mesmo, avança sempre para regimes autoritários teocráticos. Na Europa a desintegração da União Soviética democratizou as repúblicas do leste que se integraram de corpo e alma à Europa Ocidental e progressivamente à União Européia.

3. Nas últimas duas décadas construiu-se na Europa, de forma progressiva, um Populismo que se torna tipicamente europeu. Populismo de direita e de esquerda, dependendo da força motriz de impulsão. Três vetores impulsionaram este euro-populismo, basicamente simultâneos. O primeiro foi a crise financeira dos derivativos na segunda metade dos anos 2000. Em fins de 2010, a avaliação do presidente do PPE ex-primeiro ministro belga, (que há anos controla o Parlamento Europeu), em reunião da IDC em Marrrocos, era que a crise financeira lastreada numa especulação desenfreada, era sobretudo uma crise de valores. Acertou na mosca.

4. O segundo vetor foi o desmanche da Primavera Árabe e a formação progressiva do Estado Islâmico, a partir de uma força miliciana radical dissidente do Al Qaeda, de resistência à intervenção dos EUA no Iraque. A Síria e a Líbia foram desintegradas. O Egito reagiu com um novo regime militar anti-fundamentalista. E foram formando-se colunas e colunas de refugiados atravessando o Mar Mediterrâneo ou entrando pela Turquia. O terrorismo ganhou as manchetes e a preocupação primeira dos governos do centro-norte da Europa.

5. Finalmente – o terceiro vetor – multiplicando estes fluxos, as Redes Sociais foram construindo grupos e partidos de todos os perfis ideológicos. Na Espanha e Itália, como forças de uma nova antipolítica de esquerda. Na França,na Alemanha no Reino Unido e na Aústria – entre outros – como forças de uma nova antipolítica de direita. Na Alemanha ainda a nível de alguns estados. Na França e no Reino Unido se espalhando nacionalmente.

6. Na França como um movimento e partido unitário e centralizado liderado por Marine Le Pen. No Reino Unido o aparentemente pequeno o nacionalista UKIP foi contido pelo sistema eleitoral de voto distrital uninominal de pequenos distritos. Mas quando veio a eleição proporcional para o Parlamento Europeu a verdadeira representação popular do UKIP surgiu elegendo uma bancada de deputados europeus superior a dos conservadores e dos trabalhistas.

7. Na França, na Áustria, no Reino Unido, em países do norte da Europa,na Hungria, etc... como expressão de um nacionalismo expandido pelas colunas de imigrantes e as tragédias para alcançar terra firme. Ou seja, como forças nacionalistas discursando sobre os valores e sobre os empregos.

8. Enquanto isso – e paradoxalmente – o Populismo na América Latina declina e sofre derrotas contundentes como na Argentina, no Brasil, na Venezuela e no Peru, construindo uma onda azul que acumula sinais de avanço. 
Título e Texto: Cesar Maia, 1-7-2016

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