sexta-feira, 15 de julho de 2016

O que há de positivo na vitória de Maia pela ótica da guerra política?

Luciano Henrique


Há pouco vimos a vitória do candidato do DEM, Rodrigo Maia [foto], à presidência da Câmara. Ele venceu por 285 votos, contra 170 de Rogério Rosso, do PSD. Na votação em primeiro turno, Maia havia vencido Rosso por 120 a 106. No mesmo primeiro turno, o candidato apoiado pelo PT, Marcelo Castro (da ala petista do PMDB), ficou com apenas 70 votos.

Entramos nessa quarta-feira temendo uma tragédia: a possibilidade de Castro ir para o segundo turno. Felizmente, essa possibilidade não se concretizou, fazendo com que o PT tenha motivos para chorar a noite inteira. Sim, petistas, vai descer. E vai descer rasgando!

Mas ainda temos um detalhe: a vitória de Rogério Rosso seria ainda mais favorável a Temer do que a de Maia, mesmo que ambos os candidatos sejam opções bem melhores do que Castro. Repetindo: a vitória de Castro seria um apocalipse, pois representaria praticamente um Waldir Maranhão Parte 2, levando à frente toda a agenda bolivariana, haja vista que Castro tem agido como sicário do PT há muito tempo.

Para deixar algumas pessoas com a pulga atrás da orelha, temos o fato de que Maia é um candidato que costuma “dialogar” com a extrema-esquerda. Durante esta semana, o PT chegou a discutir a possibilidade de apoiá-lo. Se é assim, por que há um aspecto positivo em sua vitória?

O fato é que o PT queria Castro, mas, como um plano B, preferia Maia a Rosso. Mas o PT só agiu assim por estar atrelado à narrativa da personalização de Eduardo Cunha. No fim das contas, a queda do “bloco de Cunha” é até negativa para o PT, dado que eles perdem boa parte de seu discurso. Com o filme do PT cada vez mais queimado, dificilmente Maia será pautado pela agenda bolivariana. Na verdade, deve acontecer bem o contrário disso.

Embora tecnicamente Rosso fosse uma melhor opção (preste atenção no “tecnicamente”, e apenas sob algumas premissas), nesse momento a turma do Centrão não possui táticas narrativas para combater suficientemente os frames petistas. Assim sendo, a possível presença de Rosso como presidente da Câmara daria mais munição retórica ao PT. Com a chegada de Maia, torna-se difícil para o PT conseguir “personalizar e congelar” Maia, pois vários petistas o apoiaram no passado.

Assim, entre pontos positivos e negativos, o resultado é praticamente tão bom quanto se Rosso vencesse. E dependendo de nossa atuação, a vitória de Maia é até melhor que a de Rosso.

Caso Rosso tivesse conquistado o cargo, ele seria atacado por uma bateria de rótulos lançados pelo PT, que o “congelaria”, definindo-o como “o cara da turma do Cunha”. Em ritmo de batida de bife, os petistas repetiriam as palavras de ordem, enquanto a turma do Centrão ainda não possui a agilidade mental necessária para rebater as malhas de rótulos produzidos pela petralhada. Pode ser que eles consigam evoluir em termos de estrutura cognitiva para a guerra política, mas isso não é algo que se consiga em questão de meses. Reformar a estrutura mental é algo que leva de dois a três anos, no mínimo. Logo, Rosso seria mais vulnerável às baterias de rótulos lançadas por petistas. Mesmo com maior alinhamento com o PT, ele teria essa maior vulnerabilidade. (Quanto à turma de Rosso, me desculpem a sinceridade: vocês não possuem estrutura cognitiva política suficiente para encarar uma guerra de frames contra os petistas, e a derrocada de Cunha só serve para comprovar isso.)

A vitória de Maia nos traz algumas preocupações pelo seu alinhamento, em alguns momentos, com a extrema-esquerda, mesmo que ele participe de um partido considerado civilizado e democrático: o DEM. Maia, por exemplo, teria apoiado Maranhão na derrubada da CPI da UNE. E isso é certamente algo preocupante.

Mas ao mesmo tempo, Maia é um político pneumático, ou seja, responde à pressão. Sob uma bateria de pressão fortíssima (principalmente lançada sobre a liderança de seu partido, o DEM, e também sobre os demais partidos republicanos, como PMDB, PSDB, PP e PSB, dentre outros) ele pode atender às nossas demandas, e com a vantagem de não possuir o mesmo nível de vulnerabilidade que Rosso possuiria diante das baterias de frames lançados pelos petistas. Não estou dizendo que Maia saiba combater os petistas na guerra frames. Na verdade, Rosso e Maia, se fossem encurralados pelo PT, teriam suas reputações destruídas em questão de meses. Ou mesmo semanas. Mas estou levando em conta que ele não pode ser classificado como “alvo” petista, na mesma proporção em que Rosso seria. Este é o aspecto mais positivo da vitória de Maia.

Em suma, se Rosso vencesse, teríamos trabalho para livrá-lo da surra de frames que ele tomaria dos petistas. Com a vitória de Maia, não veremos o presidente da Câmara ser metralhado politicamente por petistas (pois aí eles teriam que explicar seu apoio em vários momentos a Maia), mas, em contrapartida, precisaremos pressioná-lo para atender nossas demandas. Se a pressão for bem feita, há boas chances de resultados.

Convém lembrar que se Castro vencesse, não haveria pressão que desse jeito. Seu alinhamento com o PT é tão forte, mas tão forte que nada de útil para a democracia poderia ser aprovado sob sua gestão.

Em suma, foi um bom resultado. Só temos que tomar cuidado e manter a pressão em um nível um pouco mais elevado do que faríamos com Rosso, levando em conta que teremos menos trabalho para protegê-lo da artilharia petista. 
Título, Imagem e Texto: Luciano Henrique, Ceticismo Político, 14-7-2016

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