sexta-feira, 22 de julho de 2016

Octávio Henrique lança um eBook para quem quer se livrar do negacionismo na política

Luciano Henrique


Recentemente tive a satisfação de prefaciar um ebook escrito por Octávio Henrique, com o qual já concordei várias vezes (e discordei em alguns pontos, mais no passado que atualmente). Chamado “Eu, Apolítico: Pensamentos e Palpites de um blogueiro Apoliticamente Incorreto”, o livro, de cerca de 50 páginas, é ótima leitura para tempos em que precisamos de mais pragmatismo na hora de visualizar a ação política. (Clique aqui para baixar).

Eis o prefácio:
Quase tudo que a direita brasileira tem escrito sobre política no Brasil pode ser resumido a um evangelho do desespero. Parece que escrevem por masoquismo. Avaliam como os socialistas se comportam e conquistam seus resultados. Em seguida, se revoltam não com suas próprias derrotas, mas com a atitude de seus adversários, sendo que estes estão claramente dedicados a vencer.

Não é raro ouvirmos um direitista afirmando: “o esquerdista não consegue deixar de lutar pelo monopólio da virtude”. Feito um bólido, aparece a constatação: “por que eles não desistem disso?” Atitudes assim pouco diferem da loucura, dado que, na realidade, o esquerdista que luta pelo monopólio da virtude está simplesmente fazendo sua obrigação, porque grande parte da guerra se ocupa com a propaganda, e uma das mensagens mais importantes a serem transmitidas com a propaganda é a de que você deve ocupar as planícies mais altas da moralidade. Um direitista que reclama por um esquerdista buscar ocupar as mais altas planícies da moralidade em seus discursos não fica além de chafurdar no bizarro: não apenas ele não entendeu aquilo que se tornou o diferencial para seu adversário vencer, como, feito maluco, parece querer “dar conselhos” ao oponente para que este se transforme em um perdedor. Chega a ser penoso assistir essas manifestações comportamentais. Os esquerdistas devem morrer de rir nesses momentos, mas, infelizmente, é assim que as coisas têm transcorrido no Brasil, salvo raras exceções.

A negação da política é uma doença direitista que, aos poucos, tem sido combatida em vários cantos do mundo. Finalmente há uma direita verdadeiramente combativa nos Estados Unidos e na Europa. Não temos tido melhor sorte no Brasil, onde a doença da negação colocou a direita em situação de metástase.

No momento em que escrevo este prefácio, há boas chances de que a extrema-esquerda petista perca o poder, mas, nessa situação de superioridade de jogo, o poder só pode se esvair das mãos dessa gente quando a economia já se encontra em colapso. Caso contrário, ganham qualquer eleição para o principal cargo no Executivo com um pé nas costas.

Ao mesmo tempo, é um fato que para 2018 novamente teremos um candidato de extrema-esquerda – que pode muito bem ser Marina Silva, ou mesmo qualquer outro escolhido por partidos totalitários – em posição de favoritismo. A única chance de isso mudar adviria pela adoção dos princípios da guerra política por parte dos direitistas, dos centristas e até da esquerda moderada. Estes três grupos vivem tomando surra de relho da extrema-esquerda há tempos por essas terras. Uma das razões para isso é que quanto mais distante da extrema-esquerda alguém está, mais essa pessoa tem demonstrado imaturidade no jogo político, em termos gerais. No Brasil, a negação da política chegou aos níveis da estratosfera.

Se a direita realmente tem interesse em lutar pelo poder no Executivo, ou ao menos de obter vitórias relevantes nas principais questões políticas – como aquelas que demandam batalhas vencidas no Congresso -, precisa antes de tudo aceitar a política como ela é. Somente depois, é factível pensar em jogar a guerra política. Isso só virá com o reconhecimento de que não estamos fazendo um décimo daquilo que podemos.

Por outro lado, isso demonstra que há um universo de oportunidades para a direita. Se ela vai querer aproveitá-las, falamos de outros quinhentos contos. Há grandes chances de que boa parte dos direitistas se apegue às suas manias e hábitos em vez de conquistarem resultados reais, mas isso não diz nada a respeito de não podermos estudar como eles poderiam conseguir seus resultados, no advento de superarem seus hábitos e manias danosos.

Já faz quase meia década que escrevo sobre guerra política em meu blog, Ceticismo Político. Atenção: não escrevo sobre ciência política tradicional, mas sobre guerra política. Embora a guerra política tenha algum parentesco com a ciência política tradicional – e é natural que queiramos estudá-la, vez por outra -, a primeira não é tão focada em discussões filosóficas ou abordagens empoladas.

Na guerra política, nos interessa saber o que permite a um lado vencer ou perder nos diversos confrontos políticos. A maioria dos autores da tradicional ciência política não nos dá esse tipo de resposta. Já analistas como David Horowitz, Gene Sharp, Saul Alinsky e George Lakoff são extremamente úteis nesse sentido. É imperativo que a direita brasileira comece a pensar cada vez mais sob a ótica da guerra política. Isso será praticamente impossível, no entanto, enquanto essa mesma direita não aceitar a política como ela é.

Octávio Henrique, nos diversos textos deste ensaio, sai deste marasmo da negação da política. Ele visualiza a política como ela é. Nessas páginas, veremos insights poderosos. Entre eles, se inclui um puxão de orelha naqueles conservadores que parecem não se importar com a forma como são percebidos (negativamente) pelas minorias. Ou mesmo nos direitistas em geral – sejam eles liberais, conservadores ou libertários – que seguem acreditando no mito de que “jogar a guerra política é imoral”.

E que tal aqueles que insistem em acreditar que os esquerdistas são pessoas “dotadas de boas intenções, mas enganadas”? Octávio reserva mais do que um texto para quebrar essa ilusão, que simplesmente serve para impedir que o direitista veja seu adversário da forma como ele realmente é. Recomendo também dedicar especial atenção ao momento em que Octávio lembra que a direita precisa aprender a se indignar politicamente.

Não vale a pena pinçar destaques. Todas as páginas a seguir possuem a função clara de nos lembrar da importância do amadurecimento político. Precisamos deixar de ver a política com olhos infantis. Se não admitimos a infantilidade em vários dos aspectos da vida, por que devemos ser complacentes com a falta de maturidade política por parte da direita? Para sair do torpor, às vezes precisamos receber palavras duras. Os textos aqui presentes atendem a esse fim.
Luciano Ayan
Autor de “Liberdade ou Morte” e dono do blog Ceticismo Político 
São Paulo, 26/06/2016

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