quarta-feira, 6 de julho de 2016

Rio: segurança pública e o estresse do prefeito

Cesar Maia 
1. Pode-se compreender o estresse na forma de desabafo, do prefeito do Rio, à imprensa nacional e estrangeira sobre a segurança pública no Rio. Afinal, o recrudescimento dos índices de criminalidade no Rio ocorre exatamente no momento da Olimpíada.
   
2. O prefeito sonhava com a consagração de sua administração tendo como emblema os Jogos Olímpicos. Isso não ocorrerá mais. E não apenas em função da segurança pública. Não é um ciclo favorável. A começar pela crise econômica, política, ética e social que atinge especialmente o Rio.
  
3. As taxas de desemprego afetam duramente o Rio. A aposta nos royalties do petróleo e no endividamento ruiu. Poderia se prever em 2014? Se sim, o próprio prefeito deveria ter alertado. O fato é que os serviços públicos foram muito atingidos por essa crise e, é claro, a segurança pública.
  
4. A crise ética chegou ao Rio e as investigações e delações começaram a ter também sotaque carioca. Problemas com obras que não ficarão concluídas no prazo criaram um clima de insegurança. O Metrô e a fotografia da ciclovia partida ganharam destaque.
  
5. Mas com a criminalidade crescendo, a segurança pública foi escolhida pelo prefeito para lavar as mãos e dizer: não tenho nada com isso, é problema dos outros do Estado em primeiro lugar. E escolheu palavras fortes para dizer isso: vergonha na cara, desmando, terrível, horrível.

6. Mas se ele acompanhasse os ciclos de segurança pública no Rio veria que essa ciclotimia é comum e, por isso mesmo, esperada. Basta entrar no site do Instituto de Segurança Pública da Secretaria de Segurança Pública no link de estudos. Há uma análise de 35 páginas sobre a criminalidade no Rio entre 2003 e 2015.
  
7. Ali vai se ver, e as conclusões do estudo vão sublinhar, que o último desses ciclos ocorreu entre 2013 e 2014, quando a criminalidade cresceu e muito no Rio. Mas o ano de 2015 foi de refluxo, ou seja, os índices de criminalidade voltaram a cair de forma intensa, especialmente os homicídios.
  
8. Com estes números destacados pelos governos e pela imprensa durante 2015 e no início de 2016, criou-se a sensação que o ciclo de 2015 prosseguiria por 2016 formando um contra-biênio a 2013-2014. Entrevistas, estatísticas, gráficos, fotos e comemorações. Entusiasmo.
  
9. O prefeito estava calmo e alegre, excluindo a segurança pública de suas preocupações olímpicas e -como consequência- eleitorais. Mas o ciclo positivo foi curto e o contra-ciclo voltou com intensidade. E se não bastasse o crescimento dos índices de criminalidade, estes vieram acompanhados das crises econômica, social e administrativa do governo do Estado.
  
10. Com um explosivo choque de expectativas e a proximidade dos Jogos Olímpicos, o prefeito estressou e buscou o máximo destaque lavando as mãos e focalizando culpados. E se a imagem pré-olímpica não ia bem, com o estresse do prefeito, piorou. Afinal, depois de 7 anos, desde a escolha do Rio para a Olimpíada, é a primeira vez que isso ocorre. Antes eram afagos e agora agressões. Todos juntos! E agora?

Título e Texto: Cesar Maia, 5-7-2016

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