quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Fado crónico

Luís Naves
Portugal tem vivido em sucessivos ciclos de expansão da despesa até ao estoiro, geralmente liderados pelos socialistas, com uma segunda fase de contracção sem reformas, sob condução da direita. A sustentabilidade das contas públicas tem sido o problema dos últimos quinze anos e deverá manter-se mais uma década: foi acumulada uma dívida brutal e, sem crescimento, o país não poderá suportar indefinidamente o peso dessa dívida; o crescimento depende em parte de reformas difíceis que permitam equilibrar os orçamentos.

Os economistas andam a dizer isto desde o século passado e os políticos sabem que o problema nacional tem a ver com o excesso de despesa, mas o facto é que Portugal só muda por imposição externa. É o que acontecerá de novo. A geringonça não será mais do que um breve período de expansão orçamental e de aumento de impostos que vai rebentar um pouco à frente.

O contexto do euro tornou o problema crónico mais difícil de gerir e os partidos parecem incapazes de organizar uma resposta que torne o país viável. A fragilidade do sistema partidário gera a paralisia institucional.

Falta de coragem política para mudar a situação. Os partidos vivem da criação de intrigas artificiais e as discussões paupérrimas são de natureza ideológica, evitando-se sempre abordar a questão central.

Os meios de comunicação tornaram-se cúmplices desta impossibilidade de fazer reformas e têm horror à ideia de renovação da classe política, pois alimentam algumas das personagens que criaram o próprio sistema em que vivemos: as televisões estão repletas de comentadores que nunca foram além de carreiras políticas medíocres. Falam como se tivessem sido grandes estadistas.
Título e Texto: Luís Naves, Fragmentário, 9-8-2016

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