terça-feira, 6 de setembro de 2016

Os “de vermelho” atacam a imprensa, mas jornalistas tratam como inimigos os “de verde-e-amarelo”

Fernando Gouveia
Só o mais profundo esquerdismo cego explica esse comportamento.




Nas atuais manifestações pró-PT, a segunda maior vítima dos ataques generalizados é a imprensa livre; a primeira, claro, é a própria democracia. Mas no fim dá quase no mesmo, já que não existe regime democrático sem a liberdade de informação. Ainda assim, toda a grande mídia trata esse comportamento criminoso como meras “manifestações”.

Por que isso? Pela natureza aguda da patologia do esquerdismo. Para a esquerda, não é apenas legítimo, mas mesmo necessário que protestos tenham violência e quebra-quebra. Alegam que assim chamam atenção, que apenas dessa forma se farão ouvir, e essa falácia maluca se torna verdadeiro axioma nas redações.

A Rede Globo é o alvo predileto, mas costuma sobrar para todo mundo. A sede da Folha de São Paulo, que está bem longe de ser um veículo inimigo dos manifestantes de esquerda, foi vandalizada recentemente. A reportagem do Estadão também foi alvo de ataques. Não dá para chamar de “fato isolado” um tipo de acontecimento que se repete de forma contínua. Não dá também para classificar como “exceção” aquilo que reflete a opinião da maioria.

Senão, basta perguntar à turma “de vermelho” quais os regimes que eles apoiam no mundo. Em seguida, conferir como funciona a imprensa nesses recantos da paz e do amor. Pois é. Simplesmente inexiste jornalismo livre nos regimes defendidos por essa turma e uma das propostas que vez por outra reiteram como fundamental para o Brasil é a bizarra “Ley de Medios”. Em síntese: a imprensa é um dos principais alvos da esquerda. Muitos jornalistas, especialmente os da “velha guarda”, em caso clássico da Síndrome de Estocolmo atrelada a nítido compromisso ideológico, fazem de conta que isso seja de somenos importância, chegando às vezes a parecer que acham bonitinha tal “rebeldia”.

Ao mesmo tempo, quando numa manifestação de centenas de milhares de pessoas havia meia dúzia pedindo a volta do regime militar, isso chegou a ser tratado como se refletisse a opinião de parcela significativa ou até da maioria. E o mais curioso: bastaria usar a primeira pergunta do parágrafo anterior, pesquisando-se em seguida a natureza dos regimes enaltecidos. Praticamente todos são militares/ditatoriais/opressivos. Mas, de novo, isso passa como algo natural. E “militaristas” são os de “verde-e-amarelo”. É mole?

O esquerdismo geral da imprensa faz com que ela veja como inimigos os movimentos conservadores/liberais, mas é justamente o outro grupo, sempre elogiado ou sobre o qual nada se diz, que tem como meta a destruição do livre jornalismo. Endossá-lo, ou manter o silêncio obsequioso sobre sua natureza, é burrice pura e simples. Ou pior: cegueira militante, a ponto de considerar admissível o fim da própria profissão. 
Título, Imagem e Texto: Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”, 6-9-2016

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