quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Questão:” Por que, para a imprensa, só existe ‘extrema-direita’, mas nunca ‘extrema-esquerda’?”. Eis a resposta…


Luciano Ayan

O site Implicante traz um questionamento:

Revoltado com o bloqueio da avenida Paulista, um homem gritou na frente dos manifestantes que protestavam contra o impeachment de Dilma Rousseff: “Viva a PM!” No instante seguinte, em torno de vinte pessoas tentavam linchá-lo. No dia seguinte, São Paulo amanheceria com suas principais vias interditadas por pneus em chamas. No centro do protesto, o MSTS, uma organização de esquerda cujos líderes já foram detidos por envolvimento com o PCC e o tráfico de drogas na Cracolândia.

Nada disso estimulou a imprensa a chamar esses militantes de “extrema-esquerda”. Mas basta qualquer crítica mais dura ao esquerdismo para a “extrema-direita” ser evocada no noticiário, nas análises políticas, no temor dos apresentadores que cobrem ao vivo os casos mais bombásticos.

A resposta à pergunta do título parece clara, mas é sempre bom repetir: porque a imprensa é esquerdista. E nem acha de fato ruim quando a extrema-esquerda apronta das suas.

A questão é até mais simples do que isso.

Basta imaginar que há um jogo. Tal como o futebol e o basquete. Cada vez que alguém mete a bola nas redes, é um gol, no futebol. Cada vez que alguém enfia a bola dentro do aro, são dois pontos, no basquete.

Da mesma forma, no jogo da política, cada vez que alguém rotula um adversário, ele marca um “ponto” na guerra política.

Agora basta realizar outra constatação: uma das rotulagens mais poderosas é definir o oponente como “extrema” ou “ultra”. Isso porque o cidadão médio prefere a opção “moderada”. Ora, sendo assim, posicionar o oponente como “extrema” ou “ultra” é subcomunicar – e isso será percebido em níveis inconscientes – que você deve ser ouvido, enquanto seu adversário, que foi definido como o “extremista”, não.

No caso da imprensa, não é que ela é de esquerda, mas de extrema-esquerda. Só isso faz com que ela não aceite o rótulo de extrema-esquerda aos seus aliados. Em suma, a mídia de extrema-esquerda joga o jogo político.

Cabe a nós exigirmos que cada vez mais formadores de opinião de nosso lado os rotulem da maneira correta: extrema-esquerda. 
Título, Imagem e Texto: Luciano Ayan, Ceticismo Político, 1-9-2016

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