quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Estado intermediário entre a larva e o inseto

Aparecido Raimundo de Souza

Foi o mingau, perdão, o papa GREGÓRIO VII, nascido Hildebrando, no período de 1073 a 1085, monge beneditino, conselheiro de vários papas, eleito chefe da igreja pela vontade do povo romano, exatamente em abril de 1073.

Gregório buscou incansavelmente a reforma da Igreja (como o Brasil a reforma de seus ladrões em Brasília) condenando a simonia (nada a ver com quem curte as músicas do cantor Wilson Simonal. Simonia, amados e amadas, é o comércio ilícito de coisas sagradas), a transação de benefícios e o concubinato dos clérigos.

Percebam, senhoras e senhores, que já naqueles tempos, 1073 (ou exatamente novecentos e quarenta e quatro anos atrás), a galera da santidade vendia, a preços de bananas, peças sagradas. Mesmo caminho, a transação de benefícios. Padres comercializavam a salvação em troca de galinhas, porcos, principalmente de dinheiro vivo.

Sem mencionarmos aqueles religiosos que, escudados pela honra da batina, por detrás dos altares, confessionários e sacristias, se amasiavam, ou dito de outra forma, se mimoseavam com os pupilos que iniciavam no sagrado e puro caminho do sacerdócio.

Em resumo, uma putaria danada. Sodoma e Gomorra, diante desse quadro, certamente uma gota no oceano. Se naqueles idos dispuséssemos de toda a tecnologia que hoje nos alimenta o ego, celulares que filmam, com câmeras frontais, bifocais, trifocais, que falam que traduzem que intimidam, certamente iríamos ver padres fazendo coisas que até Deus ficaria furioso de ter inventado Roma.

Pois bem. Da discordância do imperador Henrique IV, ele, Gregório, (Hildebrando) declarou o seu Dictatus papae. Para quem não conhece a língua latina, a tradução desse anexim, ao pé da letra, seria a mesma coisa que (não um caminhão cheio de japoneses) decretos ditados pelo pontífice Maior, nesse caso, o nosso santo e formigoso Chefe da Igreja Católica.

Com o Dictatus papae circulando por Roma, Henrique IV se enfureceu. Mesmo sendo careca, procurou seu estilista capitar e ordenou que toda a sua vasta cabeleira fosse arrancada. De nada adiantou. Gregório VII (Hildebrando) macho pra cachorro deu uma de Renan Galheiros. Fugiu do oficial de justiça, mandou sua assessoria dizer que havia ido visitar Lula em São Bernardo do Campo e pimba. Decretou a INDEPENDÊNCIA DA IGREJA.  

Diante desse poderio, vamos assim chamar, de leigo, se estabeleceu um grande conflito, na época (por não existirem departamentos de polícias federais e delegados de mentes criativas), Gregório VII batizou a sua disputa, ou briga, pelo pomposo nome de “Querela das investiduras”.

Henrique IV, como dito acima, se opondo ferrenhamente ao santo Papa, resolveu investir no antipapa Clemente III, tentando sua instalação em Roma. Com essa farofa jogada no ventilador sem que ninguém esperasse, Gregório VII se viu obrigado a sair de cena, à moda francesa.

Partiu, então, de mala e cuia para Salerno, onde morreu triste e abatido por grande solidão. A glória veio depois. Gregório VII, repetindo, nascido Hildebrando, foi canonizado e reconhecido santo em 1606.

Trouxemos à baila esta história do Papa Hildebrando (eleito papa Gregório VII), para ilustrar às senhoras e aos senhores, que a sacanagem da REGALIA, ou da OFERTA, dito de outra forma, da COURAÇA ou do AGASALHAMENTO não surgiu agora, com Michel Jackson Temer beneficiando o seu BAFEJADO PELA SORTE com foro privilegiado, como, de fato fortificou, lhe sentando o rabo na cadeira de Ministrinho-chefe da Secretaria Geral da Presidência. 

Brindar, para Temer, tem outro sentido. E qual   seria esse outro significado? Estamos falando de o cara virar ponte. Ponte? Como assim? Moreira Franco, senhoras e senhores, será a futura ponte para que, mais à frente defenda os interesses do senhor Michel, quando o circo pegar fogo e o círculo se fechar, caso pinte alguma coisa que não estava prevista ou programada.

A galera fez, aconteceu, o Ministério Público latiu, cantou de galo, no fim, kikiki... prevaleceu a vontade do Soberano Michel. E fim de papo.

Vamos engolir mais essa. Moreira Franco ministro, escudado para escapar do “suposto” (sempre suposto) envolvimento em irregularidades na obra do Porto Maravilha – projeto de revitalização da área portuária do Rio de Janeiro, que por sua vez enfrenta denúncias de corrupção. 

Lembram da presidentijumenta Dilma Roubousset que tentou livrar a cara de Luiz Inácio?  Seu intento, por sorte não vingou. Quase Lula se beneficia desse agasalho, puta sacanagem com todos nós cidadãos brasileiros. Esse país que é uma merda elevada ao quadrado...

No Brasil não foi só o Moreira Franco que se deu bem. Tivemos um caso idêntico, o que significa dizer que a bandidagem, a falta de decoro, de compostura de nossos representantes, barganhada por um balde de bosta, continua saindo caro. Caro para nós, jamais para eles. 

Alguém se recorda do ilustre Luiz Hildebrando Pereira da Silva?  Pouco provável! Mas vamos lá. Esse cidadão, nascido em Santos, em 1928, se formou em medicina em 1953. Em seguida se especializou em parasitologia.

Demitido da USP, Faculdade de Medicina, por motivos políticos, deixou o país por ter sido cassado pelo AI-5, como subversivo e, em face de suas ideias contrárias ao sistema da época, e igualmente por ter publicado um livro com o título de “Crônicas subversivas de um cientista”, lançado pela Vieira & Lent.

O cidadão retornou ao Brasil em 1958 para integrar o corpo docente da Faculdade de Ribeirão Preto. Mais uma vez se viu desligado, em 1969, indo fixar residência em Paris, desenvolvendo atividades como diretor da Unidade Parasitológica Experimental do Instituto Pasteur.

Por trás dele, a blindagem primeiramente de Ferreira Fernandes, e, logo depois, de um senhor conhecido pelo nome de François Jacob.

E os Hildebrando não param aí. Tivemos um filho da puta que virou celebridade pelo estado do Acre. Esse Hildebrando, nascido Hidelbrando Pascoal [foto], do nada se viu inserido na vida nacional com o gravame de aparecer no congresso nacional como deputado federal, e, como tal, legítimo representante do povo, eleito em 1998 pelo antigo PFL (Partido dos Fora da Lei) hoje Democratas.

O que não era hábito, milagrosamente aconteceu: sua cassação bailou, fomentada por seus pares, não na totalidade, em face de “uma certa corrente” que por baixo dos panos, marionetizava os cordéis do corporativismo indesejável e injusto, atuando nos muitos organismos da nossa republiqueta enlameada.

No caso da cassação de Hildebrando Pascoal, que andou por aí serrando gente, formando quadrilha e cometendo toda a sorte de crimes, deu um jeitinho brasileiro de se esconder na vergonha das imunidades concedidas aos políticos. Foi blindado.

Ao todo, na época, setenta e três nobres deputados traíram vergonhosamente a nação e seus eleitores.

Quarenta e um votaram contra a penalidade, vinte e cinco se abstiveram de votar e sete o fizeram em branco. Na ocasião, se tornou importante que o presidente da Câmara (imaginem quem??!!) Michel Jackson Temer, fizesse divulgar exaustivamente os nomes desses setenta e três crápulas que deixaram de cumprir com o seu dever, a fim de que os eleitores pudessem avaliar melhor seus escolhidos, vez que seria de bom tom, segundo ele, a obrigação de quem votaria, zelar pela boa formação da casa de diversão conhecida por todos os povos e gentios, como Congresso Nacional.

Agora, o mesmo Michel (A Larva), tira a máscara, muda de lado, e blinda (O INSETO). Evidentemente, os Manés da vida esqueceram que em 1998 Michel moveu céus e terras para que o ilustre calhorda do Pascoal fosse banido do meio da “deputação” ou “deputaria” e saísse do Estado Intermediário da blindagem e se visse alcançado pelos crimes cometidos. Hoje, o mesmo Michel de ontem, blinda Moreia, porque... ora, senhoras e senhores, num país de filhos da puta podemos esperar outra coisa?!

Embora nosso Hildebrando Pascoal, tendo ido para a casa do caralho, é oportuno que o povo brasileiro mostre sempre o seu desgosto, o seu repúdio aos partidos políticos, que continuam procedendo à filiação de vagabundos e ladrões em suas fileiras, proporcionando aos mesmos, oportunidades de eleições, para acobertarem seus crimes sob a proteção das imunidades.

Essas imunidades, senhoras e senhores, servem apenas para avolumarem a corrupção que dia a dia, ano a ano, campeiam em nosso país, especialmente no seio canceroso da política militante no Epicentro. 

Na época de Hildebrando Pascoal, o PFL recolheu também em sua sigla, Talvane Albuquerque, cassado pela acusação e responsabilidade na morte da deputada Ceci Cunha, de quem vinha como suplente e de quem assumiu a vaga José Aleksandro.

Por seu turno, Aleksandro figurava suplente de Hildebrando. Como podem perceber tudo farinha do mesmo saco. Em resumo, senhoras e senhores, do Hildebrando Papa em 1073, passando pelo Hildebrando parasitologista e finalmente por Hidelbrando Pascoal perceberam que nada MUDOU?

Infelizmente NADA MUDARA. A quadrilha dos blindadores só trocou de nome, de sigla.  Com certeza outros vigaristas serão empossados e protegidos pelas benesses do manto que os congressistas e presidentes usam para invalidarem quaisquer punições que venham a recair sobre os costados de seus amiguinhos e correligionários.

Perguntas ficam no ar. E os partidos? Como fazer para puni-los num possível resguardo de um “ficha suja”? Cassar-lhes as vagas para que aprendam o bom comportamento de não filiarem velhas raposas, velhos pilantras e ladrões? Kikiki...  Se assim fosse, quem efetivamente os cassaria?

Pelo outro lado da moeda. E quando o “escudo” salvador parte do presidente? Como no caso de Moreira Franco, envolvido em irregularidades e denúncias de corrupção? Quem se levantará contra ele, em favor do povo???!!!

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Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista, de Vila Velha, Espírito Santo, 22-2-2017

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Um comentário:

  1. Interessante o texto do escritor Aparecido Raimundo de Souza, sobre os “Hildebrandos” da vida.
    Apenas para ilustrar o texto do nobre jornalista, existe um poema épico alemão (c.800), composto com 70 versos narrando o trágico e funesto confronto entre Hildebrando, ou ‘Hildebranddslied’, um importante guerreiro e também amigo pessoal do Rei Teodorico de Verona, conhecido pela alcunha de (Teodorico, o Grande), príncipe dos ostrogodos. (fonte de pesquisa Internet Wikipédia) Carina Bratt. carinabrattistoegente@gmail.com



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