quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Os velhos ossos das bandeiras dos piratas

Aparecido Raimundo de Souza

É imperativo lembrar e repetir sempre a notícia do triste episódio que, recentemente, vitimou o País, em termos de corrupção nos altos escalões do nosso Parlamento. Nosso, é bom deixarmos claro, desde agora, no sentido figurado, de mentirinha. Na verdade, o Parlamento sempre foi e continuará sendo deles.

A recordação desse escândalo e de outras barbáries perdidas no pó do tempo se torna necessária, pois, segundo é corriqueiro dizer, “o povo tem memória curta”. Aliás, curtíssima.

Vamos dar um mergulho no passado. Voltar ao ano de 1995. Sete de fevereiro – o estuário da consagração do maior dos crimes praticados pelo Congresso Nacional em toda a sua existência.

Naquela data, estava à frente do comando do Grande Avião Brasília, o circunspecto Fernando Henrique Cardoso. Possuído de íntima amargura, amedrontado com a perspectiva de o Senado e a Câmara exercerem represálias contra o seu programa de reformas estruturais (kikiki...) sancionou a golpes de caixa, a lei de anistia, decretando, a impunidade daqueles que se apropriavam (e até hoje se apropriam), na cara dura, perdão, indevidamente, do dinheiro público, em obséquio de seus interesses pessoais.

Os nossos presumidos e dignos representantes (na verdade vagabundos e bandidos) da recém-encerrada legislatura, surrupiaram, com a esperteza do corporativismo e com a velocidade da semifusa, a lapidar, a saneadora sentença do Excelso Precatório (não, senhoras e senhores, Pretório, Excelso Pretório) que castigava os intocáveis corsários do Tesouro.


Desgraçadamente, eles (homenageadas as deficitárias exceções), dilaceraram o vínculo de seriedade a que estavam obrigados perante os eleitores, de envolta com a quebra do juramento constitucional. O juramento que fosse para a casa do Carvalho, em falta de espelunca mais apropriada.

De contrapeso, a merda da sociedade, através da solenidade cívica, das urnas, assinalou, na ingenuidade das cédulas, a plenitude da confiança em seus pilantras (perdão, candidatos). Aplaudiu, antes da hora, a vitória daqueles que iriam ser os mandatários de seus ideais, porque acreditava piamente nos compromissos persistentemente assumidos no pirotécnico entusiasmo dos palanques, nas vozes do rádio, na imagem da televisão, nas colunas de imprensa e nos peregrinos contatos com as comunidades. Conclusão: todo mundo tomou feio no rabicó.

Todavia, decorridos menos de quatro anos, surgiu e passou a prosperar, a desilusão geral quanto a cerca de 90% dos escolhidos. E a ética daquelas promessas, que parecia estar sobre o brilho das estrelas, mudou de endereço: foi envolvida pelo coaxar dos sapos do brejo. De roldão, levou os Manés e as Marias Calcinhas Sujas da pacata e sofrida sociedade. O caos se formou de canto a canto.

O anunciado trabalho moralizador caiu em cacos pelo chão da arquitetônica Assembleia, eis que se assemelhava ao orvalho que a noite tece nos canteiros e que o sol da manhã desmancha inapelavelmente.

Aí se consolidaram a decepção e a tristeza do povo, que terminaram por se desaguar no arrependimento e na revolta inexistente para seu repúdio sequer o remédio da consolação.

Adoeceram a democracia, colocaram seu corpo esfacelado na UTI. O verde da ilusão, por seu turno, se orfanizou de suas folhas. E o outono que deveria ser da colheita dos frutos, se transformou no inverno de gestos perjuros.

Diante daquele quadro – tão nebuloso o cenário – não cometeremos agora, o exagero, se identificarmos um crime de Lesa-Pátria ou de Lesa-Sociedade, ou ambos. Eles lotaram as mercadorias de suas campanhas à custa, parodiando Churchill, do “sangue, suor e lágrimas” do contribuinte, que, talvez, inspirado no mau exemplo, se julgasse com o indesejável direito de sonegar impostos, invocando sofisticadamente o histórico preceito: “Todos são iguais perante a lei...” e na dúvida de como fazê-lo, o contador, qualquer escritoriozinho de contabilidade de fundo de quintal resolveria o lucrativo problema, bastando, para tanto, que tivesse “engenhosidade e arte”.

 Argumenta-se, porém: mas os criminosos usuários não teriam que ressarcir o dinheiro desviado ao Tesouro? – Certo – Isso está escrito com tinta nanquim na vergonhosa lei. Todavia, se trata apenas de uma saída burlesca e finória, na vã tentativa de atenuar a licenciosidade exibida aos olhos da Nação estarrecida. Decretaram a reposição da moeda poluída, mas o pagamento permaneceu adstrito aos gastos feitos na campanha de 1994.

Com isso, o perdão alcançou dimensões especiais. Desde 1970, não é permitida a confecção de impressos para fins eleitorais pela gráfica do Senado. Nesses 24 anos, houve uma enxurrada de encomendas com o mesmo propósito, idêntico ao ocorrido no último pleito.

Que os ilustres delinquentes devolvam todo o dinheiro que tiraram dos cofres públicos. Assim procedendo serão ainda premiados por outro perdão, qual seja, o da “prescrição quinquenal”. Foram mais de três décadas somente de usurpação. Difícil nesta altura da viagem -, alguém de peito e coragem parar a marcha do trem e seus vagões repletos de descalabros para se avaliar a extensão do rombo sofrido pelo erário.

Vê-se, portanto, que estamos diante de um verdadeiro crime continuado, “mais velho do que a Sé de Braga” (*). Quem pensa que no Congresso os safardanas envolvidos em toda essa riqueza foram apenas os “anões do Orçamento”, se enganam redondamente. Na verdade, eles se viram, antes, antecedidos pelos “anões da Gráfica”. Ironia à parte, amadas e amados, estes impuseram dura condenação aos seus irmãos mais novos. E agora?

Nessa balbúrdia toda, perguntamos: na época, 1994, aqueles que foram para a cadeia ou se viram processados por peculato ou apropriação indébita? Não teriam também e graciosamente, o direito a uma “anistia” rimando com “analogia”?

Afinal, “uns” e “outros”, “outros” e “uns”, compõem o vizindário de culpados, embora com uma diferença pequena, quase ínfima: “uns” seguem até nossos dias, morando em confortáveis apartamentos, passeando em carrões de luxos, fodendo boas mulheres; e os “outros”, agora esquecidos, purgam seus pecados, batem punheta para uma foto de mulher pelada, e vegetam os dias que lhes restam, em cárceres imundos e superlotados.

(*) A Sé de Braga se localiza na freguesia da Sé, na cidade de Braga, distrito de mesmo nome, em Portugal.


Constitui-se na sede do bispado fundado, segundo a tradição, por São Tiago Maior que ali teria deixado, como primeiro bispo, o seu discípulo, São Pedro de Rates. Devido a essa origem apostólica é considerada como Sacrossanta Basílica Primacial da península Ibérica, e o seu Arcebispo, Primaz das Espanhas. Possui liturgia própria, a “Liturgia bracarense”.

Considerada como um centro de irradiação episcopal e um dos mais importantes templos do românico no país, ali se encontram os túmulos de Henrique de Borgonha, conde de Portugal e sua esposa, Teresa de Leão, pais de D. Afonso Henriques.
Fonte pesquisada: Wikipédia e Páginas da Internet com a colaboração de Carina Bratt.


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Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista, de Vila Velha, Espírito Santo, 23-2-2017

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2 comentários:

  1. Engana-se que os culpados por esta tragédia que o país está vivendo foram os vagabundos do semi analfabeto lula e da búlgara safada. É claro que eles tiveram a máxima culpa, mas quem começou a cozinhar as tragédias de hoje tem nome e CPF. Chama-se Fernando Henrique Cardoso
    Tanto é que o dito, há não muito tempo defendeu publicamente o metalúrgico amputado.
    Aliás, ninguém mais se lembra que ele chamou os aposentados de vagabundos não é ?
    Isso é outra das muitas pragas que assolam o país.
    José Manuel

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  2. Bem tenho uma opinião diferente.
    A culpa começa em 1985 com Sarney, e estende-se no tempo por causa da constituição de 1988.
    Iniciou com Sarney e como é carnaval, aonde a vaca vai o bloco foi atrás só mamando. Eis a verdade...
    fui e não volto...

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