sábado, 25 de fevereiro de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Panarício de profunda gravidade

Aparecido Raimundo de Souza

“No mapa, o branco é a metade do Brasil. Na vermelha, os puteiros de Brasília”.
Tompson de Panasco  - escritor.

O processo que poderia levar à cassação (vejam bem, poderia) de Michel Jackson Temer, tem mais de 15 000 páginas. Daria para tapar ou cobrir todos os rombos da previdência e ainda sobraria papel para que pudéssemos mandar para os carentes e favelados limparem as boquinhas de baixo.

Sabemos, de antemão, se nos ativermos à esfera do desempenho nota dez, com esse calhamaço todo, fica difícil, senão impossível, para qualquer mandatário por mais tarimbado que seja -, defender um cliente de maneira clara, límpida, consciente e -, sobretudo, CORRETA.

Todavia, senhoras e senhores, existe um pequeno porém. Não estamos falando de um clientezinho qualquer. Trata-se de Michel Jackson Temer, ou para os pobres, deprimidos e embrulhões dessa sociedade de burros e asnos, do deus maior.

Esse deus maior é que foi “envolvido” supostamente, erradamente, propositalmente por falha de algum imbecil ou, quem sabe, por uma galera que não conhece a grandeza de suas falcatruas, perdão, a realeza pujante de seus infinitos milagres.

Estamos falando aqui de deus, o todo poderoso. Aquele ser mítico, protótipo da beleza masculina, que manda que indica que tem a chave do país nas mãos. Que mora num palácio suntuoso e trabalha num outro mais ostentosamente opíparo, enquanto nós (os grupos das gentalhas e dos populachos) vivemos cercados de sequestradores dos nossos sonhos e quimeras acalentados anos a fio.

Estamos falando, claro, daquele ser apaparicado, engrandecido, apoteosado, que passeia pra lá e pra cá em bonitos carrões de luxo último tipo, com motoristas particulares, e o mais importante, cheios de seguranças, para que nenhum Zé Mané chegue perto.

É esse deus maquiado que estamos colocando na berlinda. Deus falso, mentiroso, enganador, que ao invés de onipresente, se acha bem presente em nossas vidas. Presente entendam no sentido de nos impor novos impostos e o aumento do considerado essencial para nossa sobrevivência cotidiana.

Quando se dá a esse luxo de se fazer real, em carne e osso, pinta no pedaço com cara de poucos amigos, de boi fujão, escudado por uma catilinária sem precedentes, nos impondo a responsabilidade pela sua degradação, quando, em face do silêncio de quatro paredes, se sinta, sabe-se lá, entre o Tinhoso e Belzebu. E a culpa é nossa se o seu humor foi de mala e cuia para o raio que o parta? 

A esse deus, amadas e amados, estão ilegitimamente, ou presumidamente sendo impostos vários crimes bárbaros. Bem sabemos nada a ver com a sua santa divindade. Imaginem! Dinheiro sujo, oriundos de múltiplos esquemas de corrupção. Coitado!

O deus Michel está sentado à mão direita do reverendíssimo Mefistófeles, o pai, de onde julgará (e não será julgado), mas virá, com certeza, apertar os pescoços daqueles calhordas que agora lhe querem imputar falsos crimes.

Fiquem tranquilos, amados leitores. Como deus é deus, não será qualquer “devogadozinho” que entrará na briga. De mais a mais, precisamos levar em conta, sempre, que esse amado deus tem uma manada (manada no sentido de muitas cabeças) de medianeiros, com especializações em tudo quanto é tipo de embuços e tramoias (inclusive naquelas que não existem nos dicionários dos malandros).

Portanto, esses senhores defensores do deus maior, sabem como dar nó em éter ou enxugar gelo sem molhar toalhas. Sem contar que esses cidadãos engravatados, de ternos de grifes, sapatos de marcas francesas e cuecas importadas da China, são elementos de honorários elevadamente caríssimos.

A tabela de seus valores, para cada ação a ser proposta, para cada requerimento assinado, nem a OAB (Ordem dos Assalariados de Brasília) tem conhecimento.

Causídicos top de linha. Para abrirem a boca diante de um juiz, a grana recebida daria para manter vários profissionais do direito em qualquer outra cidadezinha fora do Epicentro, durante um ano inteiro, ou até para se comprar meia dúzia de fazendas iguais a de Lula em Atibaia.

O problema, senhoras e senhores é que os recém-formados (não só eles, os mais velhos também), morrem de fome, Brasil afora, porque seus clientes não têm cacife para pagarem sequer as despesas judiciais.

O que nunca acontecerá com os vivaldinos senhores representantes da lei à frente das 15 000 páginas do processinho do sisudo Michel, perdão, do deus Michel.  Eles são regiamente compensados monetariamente. Por favor, por tudo quanto é mais sagrado. Atentem para um fato deveras importante. ESSES PALADINOS TODOS SÃO PAGOS COM OS CARAMINGUADOS SAÍDOS DE NOSSOS BOLSOS. 

Seria, em nosso entender, a troca justa ao deus Michel, pelas graças e glórias, bênçãos e alegrias que a cada dia nos proporciona -, tipo o aumento da cesta básica, da conta de água, luz e telefone, o colégio de nossos filhos, condução, gasolina e remédios -, entre outros itens aqui não mencionados.

Nós, o povinho de merda, a sociedade de jumentos e bestas humanas, que não conseguimos chegar perto desse deus hipócrita, pelo menos para dar um olá, ou pedir a benção, beijando suas cálidas mãos. Quem, em sã consciência não gostaria de meter-lhe uns bons tabefes no meio das suas fuças?

Devemos trazer à baila, antes que faleça no anonimato, da insensatez, um fato bastante importante. Nossos tatatatatataravós já diziam, com muita propriedade e sabedoria, e as senhoras e os senhores devem se lembrar: “enquanto houver São Jorge, cavalo sempre terá um dragãozinho para se divertir”.

Grafemos de outra forma, para que os mais humildes entendam: “enquanto o povo brasileiro não se cansar de tomar no rabo, sempre haverá um inescrupuloso sujeito fazendo hora extra para meter uma trolha de carimbação frenética no seu secular e preciosíssimo traseiro”.

Processinho com 15 000 páginas dá um trabalho dos diabos. Até se tomar pé de tantas baboseiras e “arbitrariedades”, o suposto (sempre suposto) réu, ou envolvido, ganhará prazos, e mais prazos, prazos e mais prazos... i  n  d  e  f  i  n  i  d  a  m  e  n  t  e...

Grosso modo, vai se empurrando com a barriga. Hoje requerendo um negocinho aqui, amanhã outro acolá... vai se levando, se avolumando... dinheiro vivo não falta nos bolsos para as gargantas profundas dos cartoristas, escrivães, oficiais de justiça, estagiários (estagiárias) e outras figuras de maior importância na cadeia alimentar da nobre justiça. De 15 000 passará num abrir e piscar de olhos para 20 000 e dai para 30 000, um tiro de revólver.

Sabemos que a justiça é cega. Pedimos licença para abrirmos um parêntese. Seremos breve na explicação. A justiça é cega para os pobres, para a escumalha, para os assalariados, para os favelados, para a classe baixa. Ela escorcha os oprimidos, aguilhoa os macambúzios. Para os angustiados e sucumbidos, a desgraçada não tira a venda, nem que o planeta venha abaixo.

Em caminho contrário, a justiça arranca a máscara, e, se duvidar, solta o caneco, entre outras coisas, se o cara, por exemplo, for um “figurão” do senado, da câmara ou de outra casa de mãe Joana qualquer.  Um célebre cheira cu “trabalhador, onesto” e, sobretudo cumpridor de seus deveres para com o povo. Fazemos referência, aos nossos parlamentares congressistas. Gente de primeira qualidade. 

Para esses medalhões e magnatas, acomodados na primeira classe do enorme avião pousado no planalto, central, com suas asas abertas para as delicias e vicissitudes da vida, entre vinhos caros e fartas bandejas de guloseimas, servidas por lindas aeromoças de peitos e bundas de fora, a justiça funciona perfeitamente nos trinques.

A máquina trabalha como um relógio suíço. Não emperra, não atrasa, não adianta. NÃO ADIANTA. Aqui esse NÃO ADIANTA, prezadas e prezados, no sentido mais sério e OBJETIVO da oração.  Juízes e ministros os mais diversos desembargam sem ler, dão sentenças lindas, impecáveis, despacham sem galinhas, velas e pontos de macumba. Observem que não falarmos dos juristas que sabem como usar de cansativas DELONGAS, sem deixarem rastros ou brechas a seus opositores.  Fechamos o parêntese aberto.

Mesma estrada, igual paisagem, todavia, usando outra mão, a imprensa apregoa, em manchetes estardalhaçais: “Parte dessas transações (referindo se ao deus Temer) já foi amplamente mapeada pela Lava-Jato. A outra parte vai complicar a situação do peemedebista no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julgará uma ação que pede a cassação da chapa vitoriosa na última sucessão presidencial”.

E acrescenta:

“O relator do caso, ministro Herman Benjamin, decidiu requerer ao Supremo Tribunal Federal (STF) cópias de depoimentos dos executivos da Odebrecht tão logo suas delações sejam homologadas”.

E conclui:

“Pelo que já foi revelado, sabe-se que a empreiteira, além de comprometer Dilma e os petistas, relatou ter feito doações clandestinas ao PMDB, a pedido de Temer. Os dois partidos, portanto, teriam se beneficiado fraternalmente do mesmo dinheiro ilegal, alcançando os mesmos benefícios e praticado os mesmos crimes eleitorais”. (“A CHAPA ESTÁ ESQUENTANDO” Revista Veja Edição 2515 – ano 50 – nº 5 – 1º de fevereiro de 2017. Página citada 57).

15 000 folhas. Kikiki... Bons advogados, um requerimento aqui, outro ali, mais outro acolá. Daqui a pouco 20 000. Lembrando, de novo, mais uma vez, nosso suor pagando bons e caros rábulas. Pagando para ADIAR, PROTELAR, PROCRASTINAR. A frente da tropa de choque, o comandante-boneco, que dita às leis, que maquia as normas a seu bel prazer. O deus maior, Michel Jackson Temer. 

De certo modo, o deus Temer (ou mero capacho do pato Donald Trump??!!) tenta passar para todos nós uma realidade distorcida, pervertida, desmoralizada, como fez aquela artista plástica australiana Jane Korman, que criou e postou no YouTube, um vídeo desmistificando o holocausto ocorrido na segunda guerra mundial, entre 1939 e 1945.

Embora as imagens dos campos de concentração tragam para nós, uma visão abominável e execrável, a judia se esforçou para a coisa aparentar mais amena, mais agradável, manietada, ou mais poética do que realmente aconteceu naqueles idos.

Com a ralé, em peso, olhos, ouvidos e cornos grudados no jactancioso big brother brasil, portanto, cagando e andando para os acontecimentos nacionais, o peemedebista ganha terreno e nos faz acreditar piamente que ele, além de deus, possa vir a ser, num porvindouro próximo, o futuro Mártir do Gólgota.

Difícil acreditarmos, senhoras e senhores, que ainda existam pessoas acorrentadas a uma sonolência quase letárgica, que não acordaram para a realidade da vida. Criaturas com mentes de amebas, cabeças retrógradas, que levadas pelos gritos de uma plateia dominada pelos seus extintos mais longínquos, apostam e creem no lema da Bandeira Nacional. “ORDEM E PROGRESSO”. Não seria mais bonito, mais patriótico, mais romanesco se essa linda frase fosse mudada ou slogada para: “DESORDEM E RETROCESSO??!!”.


AVISO AOS NAVEGANTES:
PARA LER E PENSAR, SE O FACEBOOK, CÃO QUE FUMA OU OUTRO SITE QUE REPUBLICA MEUS TEXTOS, POR QUALQUER MOTIVO QUE SEJA VIEREM A SER RETIRADOS DO AR, OU OS MEUS ESCRITOS APAGADOS E CENSURADOS PELAS REDES SOCIAIS, O PRESENTE ARTIGO SERÁ PANFLETADO E DISTRIBUÍDO NAS SINALEIRAS, ALÉM DE INCLUÍ-LO EM MEU PRÓXIMO LIVRO “LINHAS MALDITAS” VOLUME 3.
Título e texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. Do Sítio ”Shangri-La” – Um lugar perdido no meio do nada. 25-2-2017

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3 comentários:

  1. Lindo texto. Faço de tudo o que o Aparecido ali escreveu, minhas palavras. Carina, Ca.

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  2. Tudo farinha do mesmo saco. Mudam-se os trastes, os nomes, mas nunca o sistema. Não sou cabo eleitoral e por isso não citarei o nome, mas apostarei minhas fichas NO cara em 2018.

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