quarta-feira, 15 de março de 2017

A “base aliada” e a “oposição” para as reformas da previdência e trabalhista. Brasil e Portugal

Cesar Maia
           
1. As reformas da previdência social e da legislação trabalhista tramitam debaixo de retóricas e fogos de artifício. Alguns, que estão fora do jogo do poder com bancadas mínimas como o PSOL (três deputados) têm liberdade total para falar e votar. Mas aqueles que, com candidato próprio ou coligados, têm aspiração de estar no poder com a eleição de 2018, tratam o assunto com cuidado ou cinicamente.
           
2. (Coluna do Moreno – Globo, 11) “Em pleno vapor, rumo a 2018, conversando com Deus e todo mundo, Lula registra um fato desanimador: Só não estou gostando de uma coisa: você conversa com economistas de direita e de esquerda e eles dizem a mesma coisa que a receita é essa mesma que está aí.” Obs.: Desanimado ou Cínico?
           
3. Quem tem pretensão e aspiração de poder em 2018 – de governo ou de oposição – torce para o Congresso aprovar aquelas reformas. Com isso, o desgaste cairia sobre o governo atual, que faria o dever de casa e limparia o terreno para o próximo presidente governar bem e afirmar-se com popularidade.
           
4. O exemplo que a esquerda tem usado é o de Portugal. O primeiro-ministro Passos Coelho (PSD) recebeu Portugal do Partido Socialista destroçado, com desemprego na casa dos 20%, com dívida pública num patamar recorde, PIB desintegrado, alta inflação... Foi acusado de governar sob intervenção do FMI. Seus níveis de impopularidade foram recordes.
           
5. Passos Coelho, do PSD, fez o dever de casa, recuperou a economia, o desemprego caiu, o PIB subiu, a dívida pública foi equacionada, a inflação veio para níveis exigidos pelo BCE.... O reconhecimento por seu governo foi crescendo ao aproximar-se a eleição. Finalmente, ele e seu partido, o PSD, venceram as eleições, mas com maioria simples. Um ano depois, o PSD, com Marcelo Rebelo de Souza, venceu a presidência por maioria absoluta.

6. Antes, sem maioria absoluta, o PSD de Passos Coelho perdeu o governo. A esquerda anti-euro, num acesso de oportunismo, se somou ao PS europeísta e formou maioria absoluta e passou a governar. Com o dever de casa feito, o governo do PS de Antonio Costa viu sua popularidade crescendo. Nesse momento – março de 2017 – pesquisa da Eurosondagem dá ao PS 38,3% e ao PSD 28,8%, uma diferença de 9,5 pontos.
           
7. As visitas recentes do PT a Portugal se deparam com esses números e com as análises de líderes do PS. E receberam a receita: fazer oposição à vontade, mas não deixar que as medidas de rigor fiscal e financeiro deixem de ser aprovadas. E depois – em cima do desgaste do governo – vencer as eleições e governar com o dever de casa feito.
           
8. Moral da história: a oposição de fato, da dita esquerda brasileira, às medidas previdenciárias e trabalhistas será inversamente proporcional à probabilidade de vitória que Lula tenha em 2018. E vice-versa.
Título e Texto: Cesar Maia, 15-3-2017
Realce: JP

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