quarta-feira, 3 de maio de 2017

A greve (não) geral, o anti-Brasil e o Brasil autêntico

Paulo Roberto Campos

Convocada por movimentos esquerdistas, a “greve geral” do dia 28 de abril malogrou. Foi um fiasco retumbante e vergonhoso.

O comércio funcionou apenas parcialmente, não por causa da adesão dos brasileiros à greve, mas por terem sido impedidos de circular por piqueteiros do PT, que criaram dificuldades aos meios de transporte. Escolas ficaram fechadas, mas tampouco por adesão dos alunos à greve, e muito menos de seus pais, mas devido à adesão de sindicatos de professores e à paralização do transporte.


Ônibus incendiados e pneus queimados em ruas e rodovias a fim de impedir que os trabalhadores honestos pudessem exercer seus direitos; estabelecimentos depredados, placas de sinalização do trânsito arrancadas e lançadas contra vidraças; paus, pedras e garrafas jogados contra as forças de segurança; lixo espalhado pelas vias percorridas por grupelhos organizados e financiados por sindicatos filiados ao Partido dos Trabalhadores.

Mutatis mutandis, o mesmo se poderia dizer das manifestações organizadas e financiadas por Sindicatos no dia 1º de maio último: elas mais pareceram ser pelo “Dia do Sindicalista” do que pelo “Dia do Trabalhador”. Aliás, como comemorar tal dia, se o Brasil conta com quase 14 milhões de trabalhadores que ficaram desempregados graças aos governos petistas?

Fazendo um sintético balanço da sexta-feira de “greve geral”, sou levado a crer que da velha e enferrujada espingarda petista partiu mais um tiro que saiu pela culatra; mais um tiro no pé do próprio Lula, mais um prego no caixão do próprio PT.

Esse “tiro” atingiu também muitos padres da “esquerda católica” e bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O próprio secretário-geral da CNBB, D. Leonardo Steiner, pediu que seus membros apoiassem à CUT e os sindicatos que promoveram tal greve e recomendou que os colégios católicos aderissem à paralização geral.

Nessa tentativa fracassada de incendiar o País, vimos que esses eclesiásticos em vez de pregarem a palavra divina de vida eterna para a salvação das almas, eles se meteram de cabeça para pregar — utilizando os mesmíssimos pretextos das esquerdas — sobre previdência social, leis trabalhistas e lucros das grandes empresas... Em vez de pregarem a harmonia evangélica entre as classes sociais, pregaram a luta de classes própria da arenga comunista. Atitude inconcebível que causou escândalo em muitas fileiras do laicato católico, indignadas com a posição marxista da CNBB, a qual elas responsabilizam, por exemplo, pelo abandono de igrejas e pelo êxodo de fiéis em benefício das seitas protestantes.

A propósito desta “greve geral”, cujo objetivo era lançar o Brasil em convulsões revolucionárias — que poderiam empurrar o País para a implantação de um regime tipo “cubazuela” — recordemos um admirável apelo de Plinio Corrêa de Oliveira aos brasileiros, para não se deixarem arrastar pelas agitações subversivas.

BRASIL DA BONDADE, AFETIVO E CRISTÃO

Plinio Corrêa de Oliveira

O povo brasileiro sempre foi conhecido como afetivo, ordeiro e pacífico. Tal feitio de alma lhe vem da tradição profundamente cristã. E constitui um nobre obstáculo a que a Nação se deixe levedar pelos fermentos revolucionários indispensáveis para o êxito do socialismo e do comunismo.

É por isto que as forças da desagregação e da desordem deitam tanto empenho em criar a ilusão do contrário, apresentando nossa população como desordeira, agressiva, revoltada.

Lanço um apelo para que o Brasil da bondade, o Brasil afetivo, o Brasil cristão continue idêntico a si mesmo, e não se deixe arrastar pelas solicitações da violência, seja física, seja moral. Nós brasileiros não somos afeitos à revolta e à subversão, ao contrário do que propalam os agitadores. E por mais razões que tenhamos para estar descontentes, procuramos resolver nossos problemas dentro da paz autêntica, da paz cristã que Santo Agostinho definiu lindamente como sendo a tranquilidade da ordem.

Nosso povo tem bem consciência dos imensos recursos e possibilidades do território nacional, e sabe que o aproveitamento de toda esta potencialidade através de um trabalho empreendedor e confiante, pode tornar o Brasil uma das primeiras nações do mundo no século XXI.

Trabalho que exige esforço árduo, ânimo forte. Mas não foi assim que nossos antepassados dilataram as fronteiras do País? Embora sem a comodidade oferecida hoje pelo progresso, eles galgaram serras, venceram florestas, atravessaram rios e transpuseram pântanos. E extraíram da terra, pelo plantio, pela criação e pela mineração, os recursos de que hoje vivem os brasileiros. Por que não podemos recobrar essa fibra, essa força de alma que nasce da Fé católica que eles nos legaram?

Não será, pois, com revoluções mortíferas, dissensões internas, tensões estéreis entre irmãos, de que haveremos de aproveitar as vastidões ainda inexploradas de nosso território. Mas é com esse espírito empreendedor, ordeiro e cheio de Fé, que podemos alcançar de Deus, por intermédio de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, a grandeza cristã, que deve ser a nossa, nas novas etapas históricas que se aproximam.
(Plinio Corrêa de Oliveira, Agitação social, violência: produtos de laboratório que o Brasil rejeita, Editora Vera Cruz, São Paulo, 1984, p. 44).
Título e Texto: Paulo Roberto Campos, 2-5-2017

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