domingo, 14 de maio de 2017

[Enigma policial] A morte de Bambini

Bambini, o velho mestre vidreiro, foi encontrado estendido no chão do seu estúdio, entre duas estantes de objetos de vidro que desenhara e fabricara. Tinha sido brutalmente esfaqueado nas costas. A mulher chamara a polícia, muito nervosa. Assim que chegaram, os inspetores começaram a reunir as provas e não deixaram que mais ninguém entrasse no estúdio onde tinha ocorrido o crime.

- Foi a senhora que descobriu o corpo? – perguntou um dos inspetores.
- Fui sim – respondeu entre lágrimas. – Estava quase a adormecer quando ouvi um estrondo no ateliê do meu marido.
- Que tipo de estrondo?
- Alguma coisa a partir-se. Soube logo que algo de terrível tinha acontecido… O meu marido tem um cuidado enorme com o trabalho, e em trinta anos nunca partiu uma peça.


- E a seguir? Foi ao estúdio ver o que se passava?
- Sim. Desci as escadas e encontrei-o morto no meio dos estilhaços… Dei um grito, mas tentei recuperar do choque e finalmente chamei a polícia. O senhor não desconfia de mim, pois não?
- Estava mais alguém em casa?

- Não.
- O seu marido recebeu alguma visita?
- Não sei… Eu já estava na cama há várias horas.

Meia hora depois chegou o melhor amigo de Bambini. A polícia parou-o à porta de casa. Perguntaram-lhe o que estava ali a fazer.

- Eu falei com Bambini momentos antes da sua morte.
- Veio cá a casa?
- Não, falámos por telefone.
- Ouviu a voz do criminoso?

- Infelizmente não… o Bambini soltou um grito, ouvi o ruído da jarra a partir-se, e a seguir a chamada caiu…
- E por que é que veio a correr?
- O que lhe parece? O meu melhor amigo morreu…

Os inspetores reuniram-se fora da casa para discutir o caso e chegaram à conlusão que tinham de levar ou a mulher ou o amigo de Bambini para a esquadra.

[Quem é que os inspetores levaram para interrogatório?] 

Título e Texto: Joana Pereira da Silva, Maria João Vieira, Renato Rocha

Um comentário:

  1. Solução:
    “Os inspetores levaram o amigo de Bambini para interrogatório. Ao descrever o telefonema, diz que ouviu ‘a jarra a partir-se’.
    De fato, o objeto que se partiu foi a jarra, mas era impossível o amigo conhecer esse pormenor, uma vez que a polícia não deixou que ninguém entrasse no estúdio.
    Para saber que o objeto que se partira era a jarra, o amigo tinha de ter estado presente na altura do crime.”

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