terça-feira, 2 de maio de 2017

[Enigma policial] O mistério de Lilly Pi



O inspetor Rui Moita tocou à porta da mansão da famosa cantora Lilly Pi. Eram dez da manhã. Uma governanta foi recebê-lo.

- Sou o inspetor Rui Moita, falei consigo há pouco – disse, apresentando-se à governanta, que lhe estendeu a mão para o cumprimentar.

- Bom dia. Queira-me acompanhar, inspetor.

Marinela, a governanta, conduziu Rui Moita através de um largo corredor alcatifado. Passaram por uma sala espaçosa e entraram no quarto, com uma grande cama de casal, onde Lilly se encontrava morta. Tinha a cabeça ensanguentada, deitada sobre uma almofada, e estava de camisa de noite de cetim branco, meio descoberta.

O inspetor viu imediatamente a pistola, pegou nela, examinou-a, cheirou o cano e não ficou com qualquer dúvida: tinha sido disparada havia pouco tempo.

- Tem a certeza que esta arma era da sua patroa?

- Tenho sim senhor, via a senhora muitas vezes com ela. Quando ia para fora costumava leva-la na carteira – respondeu a governanta.

- Acha que a sua patroa se suicidou?

- Infelizmente acho. Andava muito deprimida. Deixou de vender discos, não tinha concertos agendados…

- Esteve cá alguém a noite passada?

- Sim, mas não sei dizer quem foi. Antes de me ir deitar ouvi tocar à porta, mas a senhora disse que abria ela e eu fui para o meu quarto.

- Então não soube quem era?

- Não e arrependo-me muito de não ter ficado para ver… Só ouvi a voz de um homem, mas não faço ideia quem seria.

- Então como soube o que tinha acontecido? – perguntou o inspetor.

-  Só soube esta manhã, cerca das nove horas. Vim acordar a senhora e dei com ela… - a comoção não deixa Marinela terminar a frase.

- E não ouviu o tiro?

- Nada! A casa é muito grande… - respondeu, tentando recompor-se.

- Tocou nalguma coisa? Ou tirou alguma coisa do sítio? – perguntou o inspetor, olhando em volta enquanto se aproximava do corpo de Lilly Pi e analisava a ferida que o tiro provocara na têmpora esquerda.

- Não mexi em nada, inspetor, por isso é que chamei a polícia.

- A sua patroa era canhota?

- Era sim senhor.

- Muito bem, a sua patroa não se suicidou.

[Como é que o inspetor sabe que Lilly Pi não se suicidou?]

Título e Texto: Joana Pereira da Silva, Maria João Vieira, Renato Rocha

PISTAS

O inspetor Rui Moita chegou à mansão às dez da manhã. A governanta descobriu o corpo uma hora antes, mas não sabe a que horas se deu o disparo.

A ferida provocada pela bala estava na têmpora esquerda de Lilly Pi.

A governanta declarou que não mexeu em nenhum objeto do quarto.

Na noite anterior, a uma hora indeterminada, Lilly Pi foi visitada por uma homem, mas a governanta não sabe quem foi.

Lilly Pi era canhota.

Um comentário:

  1. Solução:
    “Não era possível Lilly Pi utilizar a pistola para se suicidar e a seguir ir pô-la sobre a cômoda, do outro lado do quarto.”

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