sexta-feira, 5 de maio de 2017

Perón, na época, com 75 anos: ensinamentos que servem aos nossos políticos de hoje

Cesar Maia

1. O consagrado escritor argentino Tomás Eloy Martínez, em 1970, com 36 anos, conseguiu que Perón - 75 anos e já com quinze anos de exílio - concedesse em sua casa em Madrid (Puerta de Hierro) uma entrevista gravada. Foram quatro dias de gravações. Baseado nessa entrevista, Eloy Martinez escreveu dezenas e dezenas de artigos e dois livros de grande sucesso: Santa Evita e A Novela de Perón.
           
2. Essas fitas, mantidas em caixas, ficaram guardadas até agora. Nos últimos meses foram transformadas em filme e documentário. Dias atrás, antecipando o lançamento, foram divulgadas cinco partes deste documentário, que vão desde a sua infância até à sua morte. As respostas de Perón a Eloy Martinez são comentadas por politólogos, historiadores, políticos sêniores e até publicitários.
           
3. Deveriam ser vistas e revistas por nossos políticos de hoje, pois contêm experiências acumuladas até a sua maturidade. Seguem trechos que este Ex-Blog selecionou.
           
4. O líder, primeiro, se faz ver, para que o conheçam. Depois se faz obedecer espontânea e naturalmente para passar a ser percebido como infalível. O que conduz deve ser percebido como infalível. Isso tudo é uma arte.

5. Não sou um político: sou um condutor. Carisma é o produto de um processo técnico de condução.
           
6. Condução é unificar as ideias dispersas em direção a um objetivo que conhece o condutor.
           
7. Ao se chegar ao poder se tem dois objetivos: fazer a felicidade do Povo e a grandeza da Nação. Se se excede em um, se sacrifica o outro. Deve-se conseguir um equilíbrio entre os dois.
           
8. A política deve ser pendular entre o sindicalismo que está sempre à direita e a esquerda que está na política.
           
9. A Condução política é sui generis. As pessoas estão acostumadas à gestão da ordem (que de fato é uma gestão militar). Mas em política jamais existe ordem. Há que se preparar e se acostumar a gerir a desordem.
         
10. A política não pode ser um corpo rígido. Tem que ser flexível.
          
11. Fui criado com os animais; adoro os animais. Na política há 10% de idealistas e 90% de opiniões dispersas. Estes 10% são como os cães (tenho quatro) e 90% como os gatos. Os cães são fiéis e acompanham silenciosamente. Os gatos são dispersos. Saem para caçar à noite. Quando são contrariados preferem ficar num canto e até se ocultar. Mas quando se veem cercados, reagem atacando. São felinos.
           
12. Estar longe dos fatos é melhor que se estar perto. De longe se vê a totalidade.
          
13. Comentários finais. Perón sempre teve o controle do movimento peronista. Só perdeu o controle quando voltou do exílio ao governo em 1973.
Erro maior dos peronistas: a Volta de Perón em 1973 não foi para construir um futuro, mas para repetir o passado, dos anos de glória entre 1946 e 1955.
Título e Texto: Cesar Maia, 4-5-2017       

2 comentários:

  1. Cézar Maia, deve ser parente do Rodrigo Maia e do Artur Maia.
    Perón foi ridículo.
    Dizer que sindicatos estão à direita é imbecilidade.
    Todo sindicato tal e qual políticos se locupletam com suado salário dos trabalhadores, e vivem rendendo homenagens ao empresariado.
    Políticos são hematófagos, sindicalistas coliformes fecais, vivem em simbiose.
    Perón como a mula retirante sempre tiveram controle dos seus movimentos.
    Perón como Getúlio fizeram coisas boas, mas nunca se livraram dos corruptos.
    Um suicidou, o outro foi para o inferno, lugar de cornos.

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    Respostas
    1. Cesar Maia, atualmente vereador do município do Rio de Janeiro, é pai do deputado federal, Rodrigo Maia.

      Quanto à frase (que também me causou impressão) julgo estar mal redigida. Não imagino Perón e/ou Cesar Maia considerar os sindicatos de Direita...

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