sábado, 29 de julho de 2017

RTP excluí transmissões de touradas apesar do aumento nas audiências

Foto: Guadalupe Pardo, Reuters
Tamara Lopes

Daniel Deusdado, diretor de programas da RTP, afirmou que a transmissão de mais espetáculos destes "está fora de questão". Últimos dois espetáculos transmitidos pela televisão pública irão acontecer no dia 11 de agosto e 12 de outubro.

A RTP transmitiu recentemente uma corrida de touros que aumentou a sua audiência. A PróToiro considera esse aumento a confirmação do sucesso televisivo das touradas, ao passo que a Plataforma Basta (antitaurinos) duvida dos resultados, avança o Diário de Notícias. Para os antitaurinos se as “corridas” dessem audiências, então os três canais abertos não teriam reduzido ou mesmo deixado de transmitir.

Por sua vez, Daniel Deusdado, diretor de programas da RTP, afirmou que a transmissão de mais espetáculos destes “está fora de questão”.

A GfK/CAEM realizou estudos de audiência que mostram que a transmissão da Corrida TV Norte, no dia 17 de julho, a partir da Póvoa de Varzim, atingiu uma audiência média de 400 mil telespectadores, com picos de audiência a superarem os 600 mil. Isto significa que a subida média passou para os 13,1% na RTP, representando mais 1,7% em relação ao dia anterior e 1,6% face à sexta-feira da semana anterior.

Paulo Pessoa Carvalho, dirigente da PróToiro, considera isto como uma “prova de que o público português tem interesse em ver corridas de touros televisionadas e que não faz sentido reduzir as transmissões das touradas”, acrescentando considerar uma “atitude castradora por parte da RTP” as três transmissões agendadas para este ano e “o seu diretor de programas”, Deusdado, “parcial”.

“Lá porque não gosta de touradas, não tem de ser contra as touradas”, frisa a PróToiro, referindo que os aficionados “não estão a ser tratados de igual forma” pelo canal público. “Enquanto serviço público pago por todos, [a RTP] devia levar touradas às pessoas que não têm este espetáculo nas suas terras ou que não têm dinheiro para o pagar”, afirma José Fernando Potier, presidente da Associação Nacional de Grupos de Forcados.

Deusdado refere, em declarações ao DN, que o aumento de audiências “não é relevante para a decisão de ter ou não touradas em antena”. “Não há consenso no Parlamento ou na sociedade portuguesa sobre as touradas” refere o diretor de programas, quando questionado sobre se considera a tourada um espetáculo com cariz cultural e tradicional.

Sérgio Caetano, da Plataforma Nacional para Abolição das Touradas, Basta, referiu os dados que provam a perda de público nas praças de touros, nos últimos seis anos. Perda essa traduzida numa quebra de 680 mil espetadores, para menos de metade, relata o DN.

“Se as touradas dessem audiências as televisões iam apostar nesses programas. Mas não o fazem, porque isso não é verdade”, assegurou o responsável, que considera a transmissão de touradas pela RTP “o principal motivo de queixa” ao provedor Jorge Wemans que, por sua vez, após ter sido acusado de desrespeitar os “milhares de cidadãos” que denunciaram a transmissão em direto da Póvoa de Varzim, afirma ser preciso “obter legislação específica nesse sentido”.

Por fim, o Ministério da Cultura afirma que não se pronunciará ou intervirá, uma vez que “a responsabilidade pela seleção e pelos conteúdos dos diferentes serviços de programas da RTP pertence aos respetivos diretores”. A liberdade de programação é um instrumento decisivo do serviço público de televisão “pelo que só pode ser questionada em situações excecionais”, cita o DN.

As últimas duas transmissões dos espetáculos irão acontecer no dia 11 de agosto, pelas 22 horas, e no dia 12 de outubro.
Título e Texto: Tamara Lopes, Jornal de Negócios, 29-7-2017

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