sábado, 19 de agosto de 2017

Brasil: “lucro de fundador” e “ponto futuro”. Quem apostar, ganhará!

Cesar Maia
           
1. O economista austríaco Rudolf Hilferding (1877-1941), autor do clássico “O Capital Financeiro”, introduziu o conceito de “lucro de fundador”, ou seja, daquelas cujas previsões apontam seus investimentos para um cenário futuro que finalmente se confirma. O treinador de futebol Claudio Coutinho (1939-1981) introduziu o conceito de “ponto futuro”, ou seja, que os jogadores que fazem e recebem os passes não devem se fixar nas posições num certo momento, mas nos espaços vazios para onde devem se deslocar ou lançar seus passes.
           
2. A cada dia fica mais claro – e todos os indicadores, tendências e cruzamentos econômicos sobre previsibilidade mostram – que a economia brasileira entrou numa curva sustentável de crescimento. A dúvida que pode existir é sobre a aceleração que terá.
          
3. A taxa de inflação despencou e o salário real cresceu 3% e o nominal 7,4%. A indústria e o comércio interromperam o ciclo de queda. O risco-Brasil, que um ano atrás estava em mais de 450 pontos, hoje está abaixo de 200 pontos, com tendência de queda, permitindo projetar a recuperação do grau de investimento assim que a reforma da previdência for aprovada.
           
4. A votação da denúncia contra Temer mostrou que o piso de apoio parlamentar que o governo tem (no pior momento) é de 55%, maioria absoluta próxima à maioria constitucional, incluindo os votos do PSDB e outros, pela reforma da previdência. A reforma trabalhista foi aprovada com o mínimo de turbulência, estimulando o emprego, cuja taxa de ocupação já é crescente.
            
5. A PEC do teto de gastos foi uma medida de corte monetarista que habilmente o governo apresentou como medida fiscal. Afinal, o déficit fiscal ou é financiado pelo aumento da dívida pública ou pelo aumento da emissão. Até nesse sentido a necessidade de alguma flexibilidade fiscal, neste momento, aponta positivamente através de um keynesianismo discreto.

6. O índice de incerteza da FGV, correlacionado com o PIB, mostra que sua provável redução para o nível do início de 2014 terá um efeito de pelo menos 2 pontos no PIB. As projeções para o quarto trimestre de 2017 já mostram que a média até aí, de 0,3%, nesse trimestre isolado, já indicam um crescimento de 1,6%.
            
7. A correlação entre o crescimento de PIB e a criação de empregos formais é total, e este já cresce há 4 meses seguidos. O balanço de pagamentos acumula superávit de US$ 16 bilhões nos últimos 12 meses e o saldo comercial de U$ 62 bilhões. O problema fiscal é agravado pela queda real das receitas, que devem se recuperar com o crescimento mais acentuado do PIB.
            
8. A dedução da avaliação de Temer pelos mesmos critérios eleitorais, que mostram a importância do ótimo+bom, não se aplica à avaliação de governo e potencial projetado com outros indicadores. Para tanto, ao ótimo+bom deve se agregar o regular. Nesse sentido, a plataforma de lançamento da avaliação do governo é de 26%, segundo o Ibope-CNI de julho. Isso pode ser visto analisando as curvas de ótimo+bom e do PIB no tempo.
          
9. A partir de 2017 há um descolamento e a taxa de ótimo+bom não tem reagido com melhoria mesmo que suave do PIB e do emprego. Na medida em que o índice de incerteza diminua, a tendência será a convergência entre PIB e avaliação do governo. Isso não quer dizer que o presidente tenha chances eleitorais, até porque ele já afirmou que não pensa em ser candidato. Mas a avaliação ótimo+bom+regular estará em 50% ou mais no final de 2018, acelerando a recuperação econômica. Resta a imprevisibilidade sobre o grid de largada dos candidatos a presidente.
            
10. (Miriam Leitão - Globo, 12) 10.1. A economia mundial vive seu melhor momento em muitos anos, desde que a crise financeira abalou os EUA e ameaçou a existência da zona do euro. As projeções do PIB mundial estão altas, a inflação está baixa, e a elevação dos juros americanos deve ser mais lenta. O dólar, que se fortalecia, parece ter mudado a tendência. Isso favorece os preços das commodities e ajuda países emergentes como o Brasil.
         
10.2. Não é por falta de ajuda externa que o Brasil permanecerá em crise. O PIB mundial deve ter este ano e no próximo os melhores números desde 2011. Ninguém fala mais em risco de colapso do euro, a China tem atingido suas metas de crescimento, e, nos EUA, Trump provoca perturbação política, mas o país tem conseguido crescer, gerar empregos e manter a inflação baixa. É com esse pano de fundo que o economista-chefe para América Latina do banco francês BNP Paribas, Marcelo Carvalho, analisa as perspectivas para o Brasil. — O cenário externo favorece. 
Título e Texto: Cesar Maia, 16-8-2017

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