segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O meu Plano para a Geração “Nem-Nem”

Cristina Miranda

O Governo criou um programa para a geração dos “nem-nem” ou seja aqueles miúdos barbudos com idade para ter juízo e responsabilidade que nem querem saber de estudos nem de trabalho.


Muito bem. Ora parece que este programa vai dar 700 euros mensais a estas criaturas que deverão desenvolver um projeto de empreendedorismo que a ser selecionado, permitirá aceder a um apoio de 10 mil euros para iniciar um negócio próprio. Ou seja, o governo que gosta de começar as casas pelos telhados com o dinheiro dos outros não entende que encontrou nesta fórmula apenas mais um impulso retardador, financiado, para que estes “jovens peludos” continuem a gozar seu precioso tempo livre à conta dos papás. Não funciona.

Para resolver o problema desta “juventude” temos de ir ao fundo da questão e isso, ninguém quer porque dá muito trabalho e responsabiliza todos aqueles que querem ver sua culpa sacudida: a família e o Estado.

A família é o pilar da educação. É de tenra idade que se ensina a ter objetivos e responsabilidades, princípios básicos da vida em valores com os quais o indivíduo crescerá. São as primeiras ferramentas. Com estas bases sólidas ingressa depois para a escola que lhe dará outros conhecimentos que irão complementar essas bases e farão dele um cidadão capaz de integrar o mercado de trabalho.

Ora o problema está quando ambas instituições se demitem do seu papel. Os pais educam os filhos como pequenos príncipes onde tudo lhes é garantido sem qualquer esforço nem mérito. São suprimidas todas as adversidades porque não os querem frustrar dizendo “sim” a quase todos os desejos para não os “traumatizar”. Na escola, não se ensina cidadania nem se prepara o indivíduo profissionalmente. Debita-se sim, um extenso programa curricular que é preciso cumprir a toda a força. Resultado: homens e mulheres que acabam o secundário (alguns nem isso) sem saberem lutar na vida, alheios completamente ao que se passa no Mundo. Crianças grandes impreparadas, mimadas e ignorantes que só pensam em ter muitos likes no facebook, Instagram e concorrer à Casa dos Segredos.

É preciso tomar consciência que foi a sociedade que criou os “nem-nem” e terá que ser a sociedade a reverter este longo processo. Porque eles não são mais do que um produto das sociedades ditas socialistas que promovem o laxismo. Estudar por exemplo nunca foi tão fácil. Já se pode passar de ano com 7 negativas. Nem é preciso ser-se bom aluno, agora, para entrar nas universidades onde já se entra com médias também negativas. Deixou de haver excelência. Exigência. Qualquer um pode ser doutor mesmo que não tenha jeito nenhum. Por outro lado, subsidia-se tudo e mais alguma coisa o que reduz o esforço coletivo. Para quê matar-me a procurar trabalho se posso estar em casa a receber salário mínimo? Porque razão hei de aceitar um trabalho dito menor se posso ter subsídio até ter o emprego ideal? É isto. E sem alterar toda a estrutura que leva ao laxismo, pouco adianta criar programas para o empreendedorismo porque só empreende a quem lhe foi incutida de pequenino essa habilidade, em casa e na escola. Não nasce com o indivíduo. Estimula-se e desenvolve-se.

A mim, como mãe, este assunto não me preocupa de todo. Sei que nunca vou ter filhos “nem-nem”. A primeira já com 31, está em Londres a trabalhar na área dela com distinção. A do meio, está completamente focada no objetivo de acabar o 12º ano, ser trabalhador-estudante e independente a partir dos 18. O segredo destes meus jovens cá de casa está na forma como os eduquei desde o berço. Sem lhes privar do essencial, sempre souberam que tudo o que era supérfluo tinha de ser conquistado por eles com o esforço deles. Nunca me preocupei em não frustrá-los com “nãos” porque eles fazem parte da vida. Logo cedinho, foram estimulados a trabalhar em casa ou nas férias da escola para comprar os ténis de marca (dos outros nunca houve falta), dinheiro para concertos ou simplesmente para fazer poupanças. Sempre souberam que o dinheiro não nasce das árvores. Que sem esforço não se alcança objetivos. Sempre foram estimulados para serem adultos proativos de excelência. Aprenderam cedo a serem responsáveis pelas suas tarefas que tinham de cumprir escrupulosamente. O mérito era sempre compensado. Já o laxismo, castigado. Mesmo com as falhas na escola que não cumpre nem de longe seu papel (não por culpa dos professores, mas sim, do Estado), só com a educação de casa, tornaram-se indivíduos capazes de enfrentar as adversidades da vida sem culpar os outros por isso. Mas podiam ser ainda muito melhores.

O meu plano para os “Nem-Nem” começa por alterar toda a educação de base nas famílias e nas escolas. Essa é a prioridade. Porque sem isso pouco adianta este ou outros programas do género. Durarão apenas até o dinheiro do subsídio acabar sem qualquer resultado prático.

Porque a geração “Nem-Nem” só existe porque a estimulamos. É o produto da ineficácia da sociedade em construir cidadãos responsáveis. 
Título e Texto: Cristina Miranda, Blasfémias, 25-9-2017

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