sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Reductio ad Merkelum

Sérgio Barreto Costa

Estou extremamente feliz com os resultados das eleições para o Parlamento alemão. É verdade que a CDU de Merkel alcançou novamente o primeiro lugar, mas parece que perdeu uma grande quantidade de votos e de deputados para a AfD, um partido radical que muitos acusam de pertencer à extrema-direita. Devagar se vai ao longe e tenho esperança que nas próximas legislativas consigam acabar com a Angela de vez. E digo nas próximas porque na Alemanha ainda vigora essa antiquada e despropositada tradição de ser o vencedor a governar.

Gostava de sublinhar que nada me aproxima das ideias defendidas pela AfD e por outros movimentos do género, mas acho que é importante manter o pragmatismo na política e, na cabine de voto, optar sempre pelo mal menor. E parece-me que, neste caso, a transferência de votos ocorrida foi extraordinariamente benéfica.

A AfD surgiu durante a crise do euro e tinha como grande objetivo lutar contra os resgates económicos aos países do sul da Europa; entretanto, tornou-se num partido anti-imigração, antiglobalização e antimulticulturalismo. Ora, mesmo não sendo eu anti nada dessas coisas, continuo a achar essas doutrinas menos perigosas do que as ideias da CDU da Chanceler.

Note-se que, por falta de tempo e de dotes linguísticos, nunca consegui acompanhar a imprensa internacional no que à estadista alemã diz respeito; mas segui com atenção tudo o que foi dito e escrito em Portugal sobre o assunto entre 2011 e 2015. E isso chega-me.

Ao longo de 4 anos ouvi alguns dos mais prestigiados políticos, comentadores, sindicalistas, intelectuais e jornalistas portugueses a dizerem que Angela Merkel era uma reencarnação de Adolf Hitler e que perseguia o sonho nazi de colocar toda a Europa debaixo da alçada germânica.



E vi inúmeras caricaturas da governante com uma suástica no braço, um bigodinho em cima do lábio superior ou um braço direito esticado a fazer a saudação romana. Não querendo eu acreditar que alguns dos mais prestigiados políticos, comentadores, sindicalistas, intelectuais e jornalistas portugueses são meros demagogos de feira ou pobres maluquinhos da aldeia, levei a sério o que foram dizendo. 

E é por isso que estou extremamente feliz com os resultados das eleições para o Parlamento alemão. Apesar de não gostar da intenção de alguns membros da AfD de meter todos os estrangeiros num comboio e mandá-los de volta para a terra deles, tenho de admitir que é uma estratégia ferroviária bastante mais inofensiva do que a que foi levada a cabo pela Alemanha nazi em meados do século passado. 
Título, Imagem e Texto: Sérgio Barreto Costa, Blasfémias, 29-9-2017

Um comentário:

  1. Raios partam esta m….. Afinal a Merkel já não é nazi? Porra pá, ela era nazi nos quatro anos da troika. Agora já não é? Vcs “adecidam-se” pá!

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