quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Varig: auditoria da companhia não foi concluída por falta de documentos

Buanna Rosa

O auditor da KPMG, Mateus de Lima Soares [foto], afirmou que o relatório final da auditoria da Varig, realizado em 2009, não foi concluído por falta de documentos. Ele alegou que a companhia aérea sonegou informações fundamentais para a apresentação de um parecer conclusivo. A declaração foi realizada nesta terça-feira (14/11), durante audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) responsável por investigar a falência da Varig.


"Faltavam a assinatura de um contador da companhia no balanço da empresa; a apólice de seguros vigentes, a planilha de financiamentos tributáveis e a autorização do administrador para formalizar o parecer da auditoria. Todos esses documentos foram solicitados diversas vezes", justificou Soares. Por não ter os documentos necessários, o auditor se absteve de opinar no parecer apresentado, sendo assim, ele não pode ser considerado um documento conclusivo. “Também não posso ser responsabilizado pelo relatório”, afirmou.


Sem resultado

O presidente da CPI, deputado Paulo Ramos (PSol), lembrou que o serviço de auditoria custou à Varig R$ 583 mil reais. “A empresa pagou um preço caro e o serviço não foi prestado. Isso é um absurdo. Ficamos sem entender qual foi o papel cumprido pela auditoria. Mateus disse que não recebeu da empresa todos os documentos, mas acredito que também não houve esforço da equipe de auditores para conseguir a documentação necessária”, declarou o parlamentar. 

O deputado Tio Carlos (SDD), relator da CPI, perguntou ao auditor se é comum um contratante sonegar informações a uma empresa de auditoria. Em resposta, Marcelo afirmou que não. "É atípico, mas no caso da Varig isso aconteceu. Se eu tivesse toda documentação necessária, teria como respaldar meu parecer, mas não foi o caso. Fizemos o possível para ter acesso a todos os registros", alegou.

Falência em 2010

A KPMG foi contratada um ano antes da falência da empresa ter sido decretada pelo Judiciário. “Precisamos saber também se esse “não relatório” foi utilizado como base para a decisão do juiz. Hoje foi atestada a construção de algo que pode ser criminoso. Vamos tentar buscar esses esclarecimentos através de um ofício, pois precisamos compreender tudo que aconteceu”, concluiu o presidente da CPI. 
Título e Texto: Buanna Rosa, ALERJ, 14-11-2017
Fotos: Rafael Wallace/Alerj



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