quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Sair da rotunda

Nuno Costa Santos

Sempre achei que uma das melhores formas de definir a têmpera de um povo é topar a forma como conduz. Também por isso fiquei entusiasmado com um texto muito recente de David Brooks (How Would Jesus Drive?), colunista do New York Times, em que este, além de classificar como decisiva a condução civilizada para a vida de uma comunidade, evocou a mensagem de ano novo do Papa Francisco. E o que disse de especial o Papa Francisco? Elogiou as pessoas que conduzem com bom senso e prudência. É pouco? Não. É tudo.

Conduzir significa tomar pequenas decisões morais, como diz, bem, Brooks, entre entalar o próximo ou dar-lhe espaço. E lembra, com oportunidade, que por mais que, hoje, existam demasiados idiotas nos púlpitos mundiais, merecedores de repúdio, não nos podemos esquecer dos nossos deveres cá em baixo.

Um país como Portugal, em muita gente se comporta no trânsito de forma insana e egoísta, devia ter quem com destaque fizesse elogios simples como este e, em contraponto, criticasse sem freio quem anda nas estradas de forma selvática. Vamos deixando passar, como se fosse um comportamento que fizesse parte da nossa identidade.

É altura de, ao menos, tentar sair da rotunda. Aproveitemos este início de ano. 
Título e Texto: Nuno Costa Santos, SÁBADO, nº 715, de 11 a 17 de janeiro de 2018

Rotunda das Oliveiras, Massamá, foto: Rouxinol de Pomares

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