quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Seleções do Reader’s Digest e o Rio de Janeiro

A long time ago, meu filho trouxe para casa uma encadernação em mau estado de revistas Seleções do Reader’s Digest, que havia encontrado perto do jardim de infância que ele frequentava. Muito interessado, de imediato pedi-lhe que me levasse ao local. E lá estavam, jogadas ao lixo, outras encadernações, ou o que sobrara. Salvei o correspondente a cinco volumes que mandei reencadernar, que estão comigo até hoje.


Sim, dois volumes de 1942 e três referentes a 1944, 1945 e 1947.
Uma delícia folheá-las e ver os anúncios publicitários daqueles tempos, como este:


Abaixo, a capa do último número das encadernações, de junho de 1947. Custava então Cr$ 3,00 – três cruzeiros, moeda vigente desde 1942, que veio substituir o “réis”.


À esquerda, a quarta capa do número precedente, de maio de 1947, “Magia noturna do Rio”. Assim descrita pela redação da revista (ortografia original):

“SE EXISTE o paraíso terrestre, não deve estar longe daqui,” dizia Américo Vespúcio, um dos navegantes que descobriram, a primeiro de janeiro de 1502, a formosa baía onde se eleva hoje a majestosa capital do Brasil.

Essa baía, tomada a princípio pela desembocadura de um grande rio, foi chamada por seus novos descobridores S. Sebastião do Rio de Janeiro, em honra de seu rei e em comemoração da data de chegada ao local. Os indígenas chamavam-lhe Guanabara (Seio do Mar). Nela estabeleceu-se pouco depois Gonçalo Coelho, às margens de um rio a que os nativos deram o nome de Carioca, “casa do homem branco”.

Tem a baía uns 30 quilômetros de extensão máxima e 140 de circunferência. Numerosas ilhas quebram o espelho de suas águas. A sudoeste, as montanhas, que de longe parecem formar uma linha contínua, sugerem a silhueta de um gigante adormecido e por isso os marinheiros a denominam de o Gigante Que Dorme. A sua cabeça é formada pela Pedra da Gávea e pelo Alto da Tijuca. O Corcovado e as colinas que o rodeiam constituem o corpo e as pernas; o Pão de Açúcar são os seus pés, que surgem como uma sentinela à entrada da baía. Gonçalves Dias assim descreve o gigante:

Seu corpo se estende por montes fragosos,
Seus pés sobranceiros se elevam do mar.

A sudoeste da Baía de Guanabara está o Rio de Janeiro com sua população de mais de dois milhões. Combina o dinamismo de uma grande metrópole moderna e cosmopolita, cheia de arranha-céus, com o verdadeiro encanto de uma natureza que o progresso não prejudicou.

Em nossa ilustração aparece parte da Avenida Beira Mar, que margeia em grande extensão a belíssima baía. O litoral pontilhado de luzes contorna as enseadas que abrigam Leblon, Ipanema, Copacabana, Leme, Urca, Botafogo, Flamengo.

À direita da ilustração e na colina do mesmo nome, a histórica igreja da Glória empresta ao ambiente uma nota típica da civilização do Segundo Império. O monumento ao marechal Deodoro da Fonseca está num extremo da Praça París. No primeiro plano, junto ao Passeio Público, destaca-se o Palácio Monroe, sede do Senado Federal.

Na hora crepuscular, sobre as montanhas de tom violáceo, as cores vivas do poente contrastam com a negrura das rochas. Ao cair a noite, a cidade apresenta u ilumina m panorama fantástico. Miríades de luzes, como colares de diamantes, marcam o perfil das grandes avenidas que correm vizinhas ao mar, ou assinalam os principais bairros, espalhados em meio à luxuriante vegetação tropical.

E quando a lua ilumina a cidade, a silhueta prateada das montanhas se destaca num quadro de beleza incomparável.

Nunca entendi porque demoliram o Palácio Monroe... 😮

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