terça-feira, 17 de abril de 2018

[Aparecido rasga o verbo] A insustentável leveza do eterno de mal a pior

Aparecido Raimundo de Souza

A imoderação convive entre nós, como a pulga no cachorro.
Ariano Suassuna

O QUE PODEMOS DIZER E FALAR a respeito da violência? Apenas que ela tomou proporções inacreditáveis no nosso dia a dia. Igualmente, cresce a olhos vistos o temor da sociedade em face da sua presença dentro do inconcebível. Não há um só lugar no planeta em que as pessoas se sintam verdadeiramente seguras e tranquilas. Além daquelas criaturas malignas que matam para roubar (juridicamente conhecidas como latrocidas) ou por vingança (motivos torpes e hediondos), surge, no contrafluxo, uma nova safra de bandidos e facínoras, delinquentes e celerados, até então nunca vistos. Tomados pela agressividade à flor-da-pele e pelo descontrole da mente, certos indivíduos cometem, impensadamente, transgressões e infrações as mais banais sem, entretanto, estarem entrelaçadas às aparências plenamente justificáveis.

Até bem pouco tempo, os telejornais cansaram de mostrar a fuça do professor que foi acusado de ter sacrificado um estudante de treze anos batendo a sua cabeça na parede. Os senhores leitores se recordam desse episódio? A polícia descobriu, a posteriori, que o rapaz só queria ir ao banheiro fazer xixi!...

A título de ilustração, vale a pena lembrarmos também da estudante de psicologia Maria de Lourdes Leite de Oliveira, a Lou, que juntamente com seu comparsa Wanderlei Gonçalves Quintão, o Wan, ocuparam por longo tempo as crônicas dos jornais de maior circulação em todos os quadrantes da federação.

A juntar a isto, e no mesmo fôlego, Aracelli Cabrera Crespo (nos idos de maio de 1973) que, inclusive, inspirou José Louzeiro a escrever “Aracelli, Meu Amor”, Chico Picadinho, ou o “Açougueiro do Diabo”, do psiquiatra Charles Kiraly, onde são narrados os fatos que, depois de estuprar, Picadinho degolava e retalhava o corpo de suas vítimas. Lúcio Flávio Vilar Lírio (O Lúcio Flávio, o “Passageiro da Agonia”), conhecido como o eterno galã da marginália, o “Poderoso chefão” Pimenta Neves, do jornal “Estado de São Paulo”, que pôs fim à vida da jornalista Sandra Gomide, sua ex-namorada e de Amailton Madeira Gomes, seu amigo o ex-policial Carlos Alberto dos Santos Lima e do médico capixaba Césio Brandão (que entre 1989 e 1993) sem motivos fortalecidos, torturaram, castraram (emascularam) e mataram meninos e meninas com idades entre oito e treze anos, na cidade de  Altamira, no Pará.

Estes e alguns que deixamos de mencionar servem, num primeiro momento, para exemplificarem a falta de controle a que os cidadãos, de um modo generalizado, estão adstritos. Pelos mais diferentes problemas, determinadas criaturas acabam se desarvorando e partindo para as agressões. As indagações que surgem evidentemente ninguém ousa responder: o que leva a tudo isso? Seria, grosso modo, a falta do que fazer? Apesar das manchetes mentirosas relacionadas ao aumento na geração de empregos e da retomada da economia (na verdade uma das infindáveis balelas, dentre as muitas que alavancam e fomentam a vergonha nacional), o país, bem sabemos, está de pires nas mãos. Pede esmolas. Mendiga. O Brasil carece de soluções rápidas, ligeiras, despachadas e destravadas para enfrentar de cara, de frente, olhos nos olhos, as muitas questões sociais que, aliás, foram se agravando, ou melhor, vêm se aviltando numa velocidade espantosa, de há muito, não mais com o decorrer dos anos, porém, dos milésimos de minutos, na velocidade ímpar da Internet. 

Vamos supor que o tal “índice de desemprego”, tenha realmente diminuído. No dizer de Fabio Porchat, “diminuído para mais”. Se caiu para menos (como querem fazer parecer os gráficos mentirosos e maquiados dos institutos de pesquisas), como explicar o número cada vez mais intenso de trabalhadores desocupados e que, por estarem sem condições de ganharem o pão de cada dia, são levados pelo desespero a mergulharem de cabeça nas águas frias da criminalidade?

Os que conseguem algum serviço, nos chamados “bicos emergentes”, não conquistam, ou visto por ângulo paralelo, não adquirem o suficiente para cobrirem satisfatoriamente as despesas mais corriqueiras de suas casas. Por essa razão, a maioria dos pais de família é obrigada a descambar para os caminhos sombrios e tortuosos da degradação e do desequilíbrio social. Até hoje, caros leitores, todas as medidas adotadas pelo nosso governinho de merda para combater o grande vilão da história não foram incisivas ou eficazes. Sequer chegaram a ser diligentes e concludentes.

Enquanto as “desconstituídas” autoridades não tomarem providências enérgicas para resolverem, de vez, os estorvos e empecilhos que afligem nossos irmãos carentes e sem ter onde caírem vivos (mortos se cai em qualquer lugar), a cada minuto que passa assistiremos de camarote, sentados em nossos confortáveis sofás, o enfraquecimento, o empobrecimento, e “mais mau”, a decadência conjunta de todos os segmentos da sociedade afundarem num mar de lama. Aliás, falando em mar de lama, a nação inteira está enterrada até o pescoço. Só se vê bosta e cocô para tudo quanto é lado. O governo federal é bastante criativo no tocante a lançar programinhas medíocres, ordinários, e anódinos para inglês ver; planos com belas denominações e perfeitos na teoria. Postos em prática, pouco ou quase nada representam.

Simplesmente se tornam desaproveitados e inoperantes. Ademais, tais programinhas só acontecem quando algum caso ganha notoriedade como, por exemplo, o dia em que estourou, a nível nacional, o assassinato (perdão, a EXECUÇÃO) da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Pedro Gomes. Acaso a nossa querida e operante polícia chegou a prender alguém? O ministrinho do ministério misterioso da defesa e segurança pública Raul Seixas Jungmann disse ontem, no Jornal Nacional, o que todo mundo sabia. “A principal linha de investigação envolve milícias”. Dá pra rir. Riam. Kikikikikiki!

Voltando um pouquinho na história, outra barbárie famosa, a do jornalista Tim Lopes, ou mergulhando mais ainda, na latrina dos sórdidos e nefandos, na prisão do “Maníaco do Parque, a morte do sequestrador da filha de Silvio Santos, etc., etc...”. O fato é que depois que o clima de apreensão esfria, a irresponsabilidade é repassada para os anais do esquecimento. A verdade, contudo, continua sendo uma: enquanto essa bagunça desenfreada se repetir, as situações as mais vexatórias prosseguirão aflorando a todo vapor.

Entre tapas e beijos, mordidas e beliscões, pernadas e rasteiras, até que se chegue, ao ponto nevrálgico do caótico, ou ao culminante de não mais existirem soluções, muitas águas rolarão debaixo da ponte. Mas e daí? – perguntarão todos a uma só voz: e daí o que faremos?! Remanescem, a nós todos, caríssimos leitores e amigos, ou restam, duas soluções rápidas e enérgicas, impetuosas e exaltadas. Quais sejam?! Primeira: criarmos vergonha na porra da cara e metermos uma bala nos chifres de cada um desses pilantras que nos fazem de escravos. Desses facínoras que nos usam e depois nos descartam como se fôssemos lixo. Ou, via outra, em segundo, mesmo pensar, continuarmos como até agora, acovardados, amarrados e manietados. Para não vermos nosso fim, o enterro de nossos sonhos, aproveitemos a ocasião e coloquemos as cabeças nos buracos, como fazem as avestruzes. Para ficar mais bonito o quadro, deixemos os traseiros à mostra para tomarmos porradas. Quanto mais cacetadas, melhor. Talvez, assim, aprendamos a escolher melhor (entre outros animais que pleiteiam os vários poleiros no suntuoso penico Brasília) no meio deles, em especial, a futura raposa que tomará conta do enorme galinheiro.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. 17-4-2018

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