sábado, 14 de abril de 2018

[Versos de través] Palha no pulha

Haroldo Barboza

As eleições estão chegando e as velhas práticas de sedução do eleitor desatento estão sendo colocadas em prática. Portanto, não se deixe levar pela encenação bem montada com os artifícios dos efeitos especiais da TV, que deslumbram os pobres de espírito.

Nos bons tempos dos palanques
No meio da praça, cercado de gente,
Candidato a cargo público
Tinha de encarar o Povo de frente.

Mas o tempo rápido passou
E fomos engolidos pela televisão
Usando seus efeitos enganosos
Elege o mutreteiro charlatão.

Praticam por horas a fio
Terno beijo no pobre favelado
Terminada a pequena farsa
Com álcool seu rosto é lavado.

E a extinção prometida da seca
Que flagela o Povo do sertão
Com toda certeza voltará
A ser tema de outra eleição.

Ignore estas pobres figuras
Que só visam grandes ganhos
Para não passar toda sua vida
Sendo levado com os rebanhos.

Quando suas vozes engasgavam
E seus rostos vermelhos pingavam
Por mais que tentassem esconder
A bem poucos enganavam.

Com as altas verbas desviadas
Das prometidas obras sociais
Patrocinam enormes campanhas
Visando do Povo sangrar mais.

Retiram paletó e gravata
Ensaiam belos passos de baião
Chegam até a montar em jegues
Para conseguir votos do povão.

E o Povo que sofre a esmo
Sem comida, saúde e educação
Vai continuar rastejando
Em troca de modesta ração.

Esqueça letra do grande hino
Levante-se já do berço belo
Mostrando que está cansado
De viver em eterno flagelo.

A prática da cidadania é inversamente proporcional à da impunidade.
Título e Texto: Haroldo P. Barboza, Rio de Janeiro, 14-4-2018

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