domingo, 1 de abril de 2018

Viver em Lisboa é caro?

João Pereira Coutinho

Foto: Caio Guatelli/VEJA
Pois é. Mas confesso que não suporto as lamúrias constantes da classe média que chora de horror por não morar em pleno Chiado. Quem não pode viver no Chiado, vive nas Olaias. Quem não pode viver nas Olaias, vive em Sacavém. Ou então atravessa a ponte sobre o Tejo e encontra casas – excelentes – a metade do preço. Qual é o drama?

Nenhum. Exceto para quem não aceita as leis básicas da oferta e da procura – ou, melhor ainda, a desigualdade de rendimentos que é inevitável em qualquer sociedade livre.

Verberar os preços elevados da habitação em Lisboa faz tanto sentido como criticar as pessoas que viajam em 1ª classe; que comem em restaurantes com selo Michelin; ou que se abastecem naquelas lojas de roupa da Avenida da Liberdade que fazem as delícias da elite angolana.

No fundo, o que incomoda o arrivista ressentido não é o facto, normalíssimo, de os preços serem mais elevados no centro de uma capital. É a evidência dolorosa de que existe neste mundo quem tem dinheiro suficiente para isso.
Título e Texto: João Pereira Coutinho, SÁBADO, nº 726, de 28 de março a 4 de abril de 2018

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