quarta-feira, 2 de maio de 2018

[Aparecido rasga o verbo] Do Oiatoque ao Xapouoari

Aparecido Raimundo de Souza

NEM SEMPRE QUANDO OUVIMOS alguém dizer que “a vaca foi pro brejo”, necessariamente essa pessoa está sinalizando que a coisa deu ou saiu errada. Pode haver um segundo entendimento: a vaca, em questão, não ser um animal de quatro patas, mas uma besta quadradamente redonda, de duas. Nesse caso, a vaca animal, se transformou em uma mulher jovem, que cansou da vida pacata que levava e resolveu mudar de ares. Fez as malas, às carreiras, e viajou para o Maranhão, terra de José Sarney, aquele cidadão que ainda cria “Marimbondos de fogo”.

Se ainda assim, para os senhores, pairar dúvidas sobre a ligação desse Estado com o “Brejo” da vaca acima referenciada, que foi em direção a ele, pergunte a qualquer universitário, ou a estudante de jornalismo Daiene Mendes (aquela que respondeu, sem nenhuma dificuldade, as perguntas do quadro “Quem quer ser um milionário” do programa Luciano Huck), que a resposta virá na ponta da língua.

“Cláudio” de sobrenome Malabares (não confundam com Pedro Malazartes), nunca arredou os pés das Minas Gerais, mas, nesses encontrões da vida, conheceu a “Maria Helena”. Os dois, em pouco tempo, acabaram unindo as pulgas dos cachorros vira-latas e as dívidas de ambos, perante o altar da igreja de “Mariana”, onde a união dos pombinhos foi celebrada pelo padre “Barbacena”, de “Passos”. Interessante é que ela, “Maria Helena”, é e sempre será a mulher do “Cláudio”. Nunca passou por sua cabeça se transformar numa cidade do Paraná. Contudo, o destino lhe foi adverso. “Maria Helena” virou uma localidade bem próspera por aquelas paragens. E a “Anta Gorda”, os senhores perguntarão: de onde saiu? Seria de Teresina, no Piauí? De Cantagalo, no Rio de Janeiro? Nada disso, caros leitores! A “Anta Gorda” veio de Pilcha e bombacha diretamente do Rio Grande do Sul.

No Amazonas encontramos a “Boca do Acre” e, no Acre, vemos o esplendoroso “Cruzeiro do Sul”. Nas Alagoas existe um “Pão de Açúcar”, sem bondinho, sem vista bonita e, em Goiás, é possível topar com moças de pernas, olhos, coxas e claro, “Caldas Novas”. Em Brasília, além dos conhecidos ladrões dos colarinhos brancos e da máfia do STF (aquela pocilga onde seus ocupantes são adeptos do “vamos ver quem fala mais bonito e complicado”) foi descoberto, recentemente, um grupo de patriotas fanáticos que atende pelo nome de “Núcleo dos Bandeirantes”.

Comentam a boca miúda, e não só a miúda, igualmente a línguas ferozes, que “os cabeças de frente” dessa nata, lutam, pelejam, se mimoseiam, por baixo dos panos, para derrubarem os tiranos e assumirem o poder no lugar de Michel Jackson Temer. Pois bem! Com ou sem tirania, quem viajar até o Distrito Federal, se tiver alguma “Posse”, nos bancos, se encantará com a “Gama” forte que vagueia pelos ares da cidade, ou “Pirapora”, de vez, comprando um belo “Sobradinho” lá pelas bandas de “Planaltina”.

Depois de três anos de namoro firme, “Olinda”, a filha mais nova do seu Duarte, um baiano arretado de “Pilão Arcado” desencalhou de vez. Casou a beldade, de papel passado, com tudo o que tinha direito com um cidadão de nome “Lauro de Freitas”. Os nubentes, entretanto, não voaram para muito longe. Logo na lua de mel, o enlace foi pras cucuias. Uma lástima! O rapaz, segundo declarações da donzela, à mãe, em carta registrada tinha o “Cabo Frio”, ao contrário dela, que possuía “Capim Grosso” no meio das pernas compridas e bem torneadas e, dentro dele (do capim), um “Bacabal” imenso e florido, escondido, e à cata de um “Paudalho”. Resumindo: cada um seguiu rumos diferentes por estradas opostas e nunca mais se encontraram.

O varão, dizem, viajou às pressas, para “Picos”. Comentam, os mais chegados, que nem bem abriu as malas na linda cidade, acabou arrasando, com as picas, que encontrou pelas ruas. A jovem “Olinda”, porém, mais recatada, deu uma tremenda “Volta Redonda”. Depois de sacudida a poeira, conheceu “Dois Irmãos do Buriti” e, então, soltou, ou melhor, abriu, de vez, as portas do “Reduto”, onde dormia quietinha a sua saudosa e pacata “Xambioá”. Acabou mal, infelizmente. Virou “Fonte Boa”, viciada em “Tomé-Açú”.

Em meio a toda essa confusão, quem nasce em “Cutia”, acaso é cuteu? E quem é natural de “Tomar do Geru”, toma realmente no caneco? Os homens de “Touros” usam chifres? “Pau de Ferros” goza? As moças de “Virginópolis” são puras e castas? O “Vigia” é amigo de Viseu? Será verdade que os moradores da sossegada e bucólica “Três de Maio” não conseguem ir muito longe porque só aprenderam a dar “Três Passos?”. E quem pisa a “Passo Fundo” deixa marcas no chão? Segundo a Revista “Espia e veja”, o melhor lugar para se morar, atualmente, é em “Barra Mansa”. A cidade é um brinco. O prefeito é de “Vassouras”, o delegado tem a “Ponta Grossa”, e o meritíssimo é filho de “Juiz de Fora”. O “capa preta” veio montado em duas “Vassouras”.

Explicamos. Uma delas, ele próprio usou na viagem. Na outra, veio à esposa, dona Sofia, conhecida pelos dons adquiridos em “Jardim das Piranhas”, no Rio Grande do Norte. Comentam mais, os entendidos e mexeriqueiros de plantão. Com o referido magistrado, a linha é dura e o buraco mais embaixo. Sério! Escreveu não leu, a “Lapa” é certa e desce nos costados, sem dó nem “Piedade”. Nada fica à “Bangu”. Pelo sim, pelo não, parece que o “Porto Seguro”, não deixa margens às dúvidas.

A “Vitória”, meus amigos, nessa altura do campeonato, é a da “Conquista”. Quem achar que estamos falando besteiras, que se entenda com o prefeito de “Pintópolis”. Ou isso ou vira “Veado Velho”, lá pelos longínquos do Ceará. A menos que a “Jijoca de Jericoacoara” entre em cena e comece a piar. Tal como a jiripoca do cantor Daniel, de “Brotas”, interior de São Paulo.

Explicação necessária: os nomes “entre aspas” deste texto são uma homenagem do autor às cidades e municípios brasileiros por onde passou, exceto “Marimbondos de fogo” que se trata de um romance de José Sarney.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, no Espírito Santo. 1-5-2018

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