sexta-feira, 4 de maio de 2018

Candidatos de centro. Adversários de proximidade. E o tigre

Cesar Maia
        
1. Todos os dias o noticiário político da pré-campanha eleitoral de 2018 destaca que candidatos ditos de Centro atuam de forma a que uns ou outros possam se somar às candidaturas de uns e outros.
      
2. Mas na medida em que nenhum deles se destaca nas pesquisas e desponta como favorito entre eles, não há nenhuma razão para que os demais se somem em torno desse ou daquele. Afinal, por que ele e não eu?
      
3. Nenhum dos candidatos que são considerados ou se consideram de Centro têm 8% ou menos. A diferença para os que estão no piso nas pesquisas é de uns 6%. Ou numa soma algébrica: se o de cima cair três pontos e o de baixo subir três pontos, eles estarão empatados. 
      
4. Se sabe que quanto menor a % de intenções de voto, maior a margem de erro das pesquisas. Quem tem dois pode ter cinco. Bem, assim como quem tem oito pode ter cinco. Destacado para valer ainda se tem Bolsonaro com uns 20%. Claro que ele não pensa em abrir mão para ninguém.
      
5. E como a percepção de muitos é que se trata de um candidato de extrema-direita, os ditos candidatos de Centro não pensam - de nenhuma forma - em se somar a ele. 
      
6. O que cabe a todos - pelo menos até correr o mês de junho - é intensificar a pré-campanha, incluindo, aqui, abrir espaços na mídia, intensificar o uso das redes sociais e – claro - colocar o "pé na estrada" e buscar no contato direto com o eleitor um multiplicador crescente de opinião.
      
7. Nesse último sentido, uma leitura de Gabriel Tarde, “As Leis da Imitação”, ajudaria muito. Pena que, escrito em francês, não está traduzido para o português.
      
8. De nada adianta um candidato - dito de Centro - querer convencer os demais - os analistas - ou os chamados formadores de opinião, que ele é mais competitivo. Ou querer demonstrar isso nos cruzamentos nas pesquisas de opinião.
      
9. Isso é conversa para junho, quando pesquisas sucessivas e semanais de opinião eleitoral mostrarem que afirma-se uma tendência ascendente e sustentável, elevando essa ou aquela candidatura.
      
10. Até lá há que ter paciência. E lembrar sempre a conhecida história do tigre. Dois amigos conversavam quando viram apontar à distância um tigre que corria na direção deles. Um deles disse: Vamos correr. E o outro replicou: Para quê? O tigre corre muito mais que nós. E o primeiro arrematou: Não quero correr mais que o tigre, mas mais que você, e deixá-lo com o tigre.
      
11. É o que dizem os candidatos numa pré-campanha: Não quero passar o favorito, mas passar os da turma de trás e ir para o segundo turno. É o que todos os – ditos - candidatos de Centro pensam hoje. 
    
12. Pelo menos será assim até abrir o mês de junho, tanto eles quanto seus potenciais partidos parceiros.
Título e Texto: Cesar Maia, 3-5-2018

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