quarta-feira, 9 de maio de 2018

Eleições no Líbano: Hezbollah e Xiitas avançam muito

Cesar Maia

1. O Hezbollah e seus aliados políticos conquistaram pouco mais da metade dos assentos nas eleições parlamentares do Líbano, segundo resultados extraoficiais, fortalecendo um movimento de base xiita apoiado pelo Irã que se opõe intensamente a Israel e destacando a influência regional crescente de Teerã. Se confirmados, os resultados preliminares citados por políticos e pela mídia também podem aumentar os riscos enfrentados pelo Líbano, que depende de ajuda militar dos Estados Unidos e espera obter bilhões de dólares de auxílio internacional e empréstimos para reanimar sua economia estagnada.

2. Classificado pelos EUA como um grupo terrorista, o Hezbollah, que tem braços político e militar, ganhou força desde que entrou na guerra da Síria em apoio ao presidente sírio, Bashar al-Assad, em 2012. Sua posição forte no Líbano reflete a ascendência do Irã, também de maioria xiita, em territórios que se estendem do Iraque e da Síria a Beirute. O Hezbollah foi criado no início dos anos 1980, com apoio iraniano, e teve papel vital para o fim da ocupação israelense do Sul do Líbano, que durou de 1982 a 2000.

3. 'A presença parlamentar nossa e de nossos aliados garante a proteção da resistência' – afirmou em discurso na TV o líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, referindo-se àquele período.

4. Contagem extraoficial da primeira votação parlamentar em nove anos indicou grandes perdas para o primeiro-ministro Saad al-Hariri, que tem apoio do Ocidente. Ele anunciou que seu partido, o Movimento Futuro, perdeu um terço de suas vagas no Parlamento: 21 assentos, ante 33 na legislatura anterior. Ainda assim, ele deve emergir como o líder muçulmano sunita com o maior bloco no Parlamento de 128 cadeiras, o que o tornará o favorito para formar o próximo governo. O premier libanês precisa ser um sunita em respeito ao sistema de partilha de poder sectário do país. O novo governo, como o que se encerra, deve incluir todos os grandes partidos, e já se acredita que as conversas para decidir os ocupantes do gabinete exigirão tempo.

5. O Líbano tem recebido muita ajuda estrangeira para lidar com a acolhida de um milhão de refugiados que fugiram do conflito na vizinha Síria, o equivalente a um quarto de sua população.

6. A eleição foi realizada de acordo com uma nova lei complexa, que reformulou a distribuição do eleitorado e alterou o sistema eleitoral adotando um critério de proporcionalidade, ao invés do esquema "o vencedor leva tudo". O ministro do Interior disse que os resultados oficiais serão declarados nesta terça-feira.

7. As Forças Libanesas, um partido cristão ferrenhamente anti-Hezbollah, parecem ter emergido também vencedoras, já que passarão de 8 para 15 parlamentares, segundo indicações iniciais.

8. O Hezbollah, assim como grupos e indivíduos aliados, obteve ao menos 67 assentos, de acordo com um cálculo da Reuters baseado em resultados preliminares de quase todas as vagas obtidos de políticos e campanhas e noticiados pela mídia libanesa. Os aliados do Hezbollah incluem os xiitas do Movimento Amal, liderado pelo porta-voz do Parlamento, Nabih Berri e os cristãos da Frente Patriótica Nacional (FPN) criada pelo presidente Michel Aoun, parceiro do Hezbollah desde 2006 que diz que as armas do grupo são necessárias para defender o Líbano.

9. Os muçulmanos sunitas, com apoio do Hezbollah, tiveram bons resultados em Beirute, Trípoli e Sidon, bastiões do Movimento Futuro, de Hariri, indicaram os resultados. O jornal pró-Hezbolah "al-Akhbar" publicou em sua capa que a eleição foi um "tapa" em Hariri.

10. O Líbano deveria ter realizado uma eleição parlamentar em 2013, mas seus legisladores votaram para estender o próprio mandato diante de um impasse para concordar com uma nova lei de eleição parlamentar.

11. Uma aliança anti-Hezbollah conduzida por Hariri e apoiada pela Arábia Saudita, chamada de "março 14", ganhou a maioria parlamentar em 2009. O grupo se desintegrou e a Arábia Saudita desviou atenção e recursos para confrontar o Irã em outras partes da região, sobretudo no Irã.

12. Samir Geagea, líder das Forças Libanesas, disseram que os resultados mostram que há "apoio popular" que sustenta a março 14 e que dá "força e impulso para consertar o caminho bem mais do que éramos capazes no passado". Ele é um dos principais opositores cristãos no Líbano, e conduziu seu grupo político nos anos da guerra civil como adversário de Aoun.
Título e Texto: Cesar Maia, 8-5-2018

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