sábado, 7 de julho de 2018

[Aparecido rasga o verbo] Esboços ainda úmidos em pranchetas jogadas ao léu

Aparecido Raimundo de Souza

Somos um povo sem saída cercado por ruidosos leões famintos”.
Zé Besta, pensador e morador de rua – Ladeira do Pelourinho, Salvador Bahia - BA.

OUTRO DIA NOS PERGUNTARAM, numa entrevista, como definiríamos o país Brasil. Para nós, brazzil (escrito exatamente dessa forma). Estávamos propensos a responder que o brazzil não tem definição. É um território de merda, dirigido por um presidente “Tampa de privada”, com uma câmara e um senado cheio de cagalhões fedorentos. Sem falarmos, evidentemente, na justiça. Coitada! Nasceu e morreu cega dos três olhos. Foi enterrada, numa cova rasa de cemitério de perímetro duvidoso. Essa, caros leitores e amigos, seria a avaliação certa, correta e honesta que gostaríamos de ter dado ao colega entrevistador.

Porém, para não sermos boicotados, maneiramos o linguajar e asseveramos o seguinte: “O brazzil é como se fosse uma dessas putas de zona. Uma vagabunda bem depravada. Para o cidadão que não conhece e acabou de chegar de fora, deve usar aquela regrinha básica do Facebook. E qual seria essa regrinha? Simples. Primeiro o estrangeiro vem e curte. Logo depois de curtido, dá uma cutucada aqui e ali, faz um sessenta e nove para ver o que acontece. Por fim, curtido, cutucado, e “sessentaenoveado”, compartilha com os amigos mais convizinhos observando, a eles, que a coisa é realmente boa. Não ótima, mas boa”.

Dá para o gasto. Serve a boa terrinha brazzil (em vista de coisa mais reconfortante), para uma ou duas trepadas e depois, ato contínuo, ser deixada de lado para os colegas e companheiros se banquetearem.  Em resumo, o brazzil que gostaríamos de ter, o BRASIL de verdade, o sonhado, para ser seguido por homens sérios, de brio e vergonha na cara, precisaria se assemelhar aos pinguins das regiões frias da Antártida. Ainda assim, esses incorruptíveis e prestimosos necessitariam andar com uma batelada de sardinhas fresquinhas nos bolsos.

Para encurtarmos o assunto, careceríamos urgentemente nos frontispícios do poder (dissemos PODER e não FODER), um chefe de estado de verdade. Que tivesse pulso, garra, pegada de macho, um saco roxo e que não se vendesse em troca de favores. Um líder carne de pescoço, tipo Kim Jong-Um, que segundo os linguarudos de plantão, detém sob seus sovacos (levando em conta a quantidade de urânio e plutônio enriquecidos, sabe-se lá como) a poderosa bomba atômica e os mísseis teleguiados mais eficazes do planeta.

Fazemos referência tão somente ao poder de mando, de persuasão e prepotência do qual esse sujeito é revestido. Não aquela envergadura arbitriosa de destruição ou de escravização de massa. Longe disso.  Sabemos que o rechonchudo Kim escraviza, espezinha e mantém faminto um povo que (estamos carecas de saber), não teria condições de sobreviver, não houvesse a intervenção direta da ajuda humanitária internacional. Por aqui, amados, acontece o inverso. Temos um comandante picareta, com cara de ET vindo dos quintos. O crápula tem, em suas mãos, a mesma bomba atômica (talvez até mais poderosa que a do norte coreano) da qual, todavia, se utiliza, apenas para fazer medinho a seus comparsas e impor estupefação e sobressalto a seus pares e apaniguados. 

De contrapeso, o boçal (o nosso) acorrenta, agrilhoa, oprime a sua gente.  Mantém esfomeadas e sôfregas, as bocas escancaradas e sem dentes de alguns milhões e milhões de brasileiros que ainda insistem em lhe render homenagens. Nessa altura do campeonato, nem o amor de Romeu e Julieta, de Shakespeare, ou de Adão pela Eva, ou ainda, de Abraão por Isaque, salvaria esse rincão maravilhoso. Para concluirmos, falemos do judiciário. Ou melhor, da justiça estigmatizada em alto grau de miopia. E quem seria a nossa caríssima e estimada Senhora dona das Leis e da ordem? Perdão, da desordem?!

O STF claro, conhecido entre nós, como o Colegiado Maior. Nossos ministros, capapreteados sobre bons linguajares, donos de um português irretocável, impecável e magistral, apesar de vomitarem bonito, deveriam usar burka ao invés de toga. Esses “cavaleiros” estão desorbitados dos juramentos proferidos ao longo de suas vidas profissionais. Abrem, a cada nova seção de um circo ricamente armado e bem engendrado (lembrando, os palhaços somos nós, os partícipes dessa sociedade de babacas e hipócritas) perigosíssimos precedentes aos despudores dos crimes praticados contra a nação à sombra do poder despótico dos partidos políticos que os marioneteiam como se fossem bonequinhos presos em cordões não vistos a “olhos nus”. E de fato não passam disso. Bonequinhos.

Faz tempo senhoras e senhores, o STF (supremo tribumal fedemal, escrito dessa forma e em minúsculo) deixou de ser dogmático, incisivo, etéreo e inflexível, para se transformar numa torre de babel, usque feira livre, cambionegrada a (quem paga mais?!), onde vândalos e bandidos da pior espécie, como os casos recentes de josé dirceu (“dirceuzinho tem possibilidades efetivas de ter seus recursos acolhidos em instancias superiores...”) e o trombadinha pau mandado, ex-tesoureiro do PP, joão cláudio genu  ou (gecu) que foram soltos sem nenhuma imposição restritiva das leis existentes. Os nossos ordenamentos jurídicos se perderam molhados pelas lágrimas de um país inteiro fodido e ameaçado, amedrontado e manietado, num gigantesco amontoado de croquis e ensaios que os gilmares, os ricardos e os dias tófollis, entre outros, atiraram ao lixo. 

Nessa bagunça, a Carta Magna, não ficou esquecida. Virou Bombril. Conseguiram dividir a infeliz em mil e um fragmentos. Todos esses pequenos pedaços sem utilidades nenhuma. Nem para limpar a bunda servem. Com essa façanha, a Constituição Federal kikikikikiki... virou para os Poderosos e para os Vigaristas rabos presos,  moeda a peso de ouro, no eterno “Toma lá, dá cá”. Resumindo essa balela toda, caros amigos e leitores. Chegamos ao final da linha. O que vemos nesse momento, é a desmoralização do conceito de ética, de probidade, de respeito à cidadania. Na mesma porrada em nossas fuças, o escárnio que a tal da carmem lucia (igualmente escrito dessa forma, em caixa pequena) prometeu combater com eficácia, com mãos de ferro (ou seria de forro??) porém, na hora agá, a firoscófica beldade (beldade??!!) se espavoriu, se acanhou tirando o rabinho da seringa. Nada mais a ser dito.

“Pontofinalizamos” com a frase bombástica de Michele Bachmann veiculada em tempos remotos, pensamento que embora antigo, não envelheceu como a literatura Machadiana aos olhos dos que ainda creem em algo pior. “NÃO SEI O QUE DEUS DEVE FAZER PARA CHAMAR A ATENÇÃO DESSE BANDO DE CABEÇAS OCAS E VAZIAS. TIVEMOS VÁRIOS TERREMOTOS, UM PUNHADO DE FURAÇÕES, INCENDIOS CATASTRÓFICOS E MORTES INEXPLICÁVEIS. ELE ESTÁ DIZENDO: VÃO COMEÇAR A ME ESCUTAR?”.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. De São Paulo, Capital. 6-7-2018

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